11 importantes lições que Doctor Who me ensinou

Dia 28 de outubro desse ano Matt Smith, intérprete do 11º Doutor no seriado Doctor Who, fez 32 anos. Para quem não conhece a série britânica –que está no ar há 50 anos–, pode parecer meio estranho que várias pessoas interpretem um mesmo personagem, mas essencialmente não é, e a mágica está no fato de que cada um deles trás algo singular e especial à série.

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Em suas três temporadas, o Doutor de Matt ensinou muitas coisas, algumas mais profundas e outras nem tanto. Em homenagem a ele, aqui vão onze das principais e importantíssimas lições que pude tirar.

#1

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“Minha experiência é que, surpreendentemente, sempre há esperança.”

Doctor Who é sobre uma série de aventuras no tempo e espaço, e na maioria das vezes as coisas sempre parecem perdidas. Talvez o Doutor seja o ser vivo mais esperançoso de todos, e isso é contagiante. É importantíssimo lembrar que mesmo quando parece que não há esperança, há sim!

#2

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“Somos todos histórias no final.”

Eu poderia escrever parágrafos e parágrafos sobre esse trecho, mas vou apenas escrever o que vem depois desse trecho: “Então vamos fazer com que ela seja boa”.

#3

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“Sabe, em novecentos anos de tempo e espaço, eu nunca encontrei ninguém que não fosse importante.”

Fechar os olhos pra nossa própria importância no mundo é algo que fazemos com uma frequencia assustadora, quando na verdade temos que amar o reflexo no espelho e perceber que todos fazemos parte de um esquema maravilhoso de idas e vindas onde todo mundo tem um lugar, todo mundo tem um brilho especial. Como se cada cadeira de relações entre pessoas fosse uma constelação terrestre e que, sem uma, ficaria irreconhecível.

#4

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“Qual o ponto de ser feliz agora se eles ficarão tristes mais tarde?”

“A resposta é, claro: porque eles ficarão tristes mais tarde.” A resposta à pergunta retórica do Doutor é auto-explicativa, e vai muito além do clichê de viver o momento. Mais do que aproveitar o agora, traga ele o que trouxer, seja feliz. Independentemente do fato de que algo vai entristecê-lo mais tarde.

#5

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“Tudo tem que terminar em certo ponto, do contrário nada nunca começaria.”

É sempre estranho quando várias coisas acontecem ao mesmo tempo –ainda mais quando são várias coisas ruins ou várias coisas boas–, a gente nunca sabe como lidar. O importante é reconhecer que algo muito especial às vezes acaba para outra coisa igualmente especial começar a partir dali, e recolher as lições e momentos bons que ficaram.

#6

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“Eu realmente sou só um cara louco numa caixa.”

Essa frase vem precedida por “Eu não sou um herói”, e explica muito sobre o que ela quer dizer. Às vezes nos relacionamos com pessoas achando que elas são muralhas, fortes, impenetráveis e sempre, sempre certas, esquecendo muitas vezes de que raramente é assim. Idealizar uma pessoa ou a si mesmo é errado e o desapontamento, inevitável.

#7

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“Se é hora de ir, lembre-se o que está deixando. Lembre-se do melhor.”

Mudança é bom, sim! É muito bom seguir em frente. Mas não se esqueça de que o que você deixa pra trás não fica só no passado, tudo vira uma bagagem, que serve pra fazer peso –caso você tenha interrompido bruscamente algo– ou para fazê-lo ser o que você é.

#8

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“Violência não acaba com a violência, expande-a.”

Talvez seja a mensagem mais clara de todas. Não existe olho por olho e dente por dente, não mais. Ainda que em tempos difíceis existe sempre um caminho diferente que não envolva combater violência com violência.

#9

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“Nada é esquecido, não completamente. E se algo pode ser lembrado, pode voltar.”

Parece mórbido mas na verdade não é. Serve tanto para um assunto mal-resolvido como um sentimento que você não experimenta há muito tempo e que pode voltar.

#10

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“Quando você pensa nisso, nós somos diferentes pessoas ao longo das nossas vidas, e tudo bem, isso é bom, você tem que continuar seguindo, contanto que você lembre de todas as pessoas que você já foi.”

Não é ser duas caras, não é ter uma dupla identidade (sdds Peter Parker), não é viver duas vidas. É entender que as pessoas mudam –elas crescem, elas formam outras opiniões, elas amadurecem–, e tudo bem. Você pode mudar, isso é saudável, contanto que você lembre todas as suas fases, porque é graças a tudo que aconteceu na sua vida que você é a pessoa que é hoje.

#11

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“Seja extraordinário.”

Talvez o maior conselho que alguém pode dar ou receber. Faça o que fizer, seja extraordinário!

Para encerrar, uma bônus:

“O universo é grande, e é vasto e complicado e ridículo, e algumas vezes, muito raramente, coisas impossíveis apenas acontecem e nós a chamamos de milagres.”

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Tomb Raider e o Girl Power

Tomb Raider e o Girl Power

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Não sei o que importa mais, a intenção ou o efeito.

Sou parte da primeira geração que cresceu ligada a um videogame, e até os 10 anos, só via heróis masculinos que eu poderia controlar nas minhas aventuras. Mario, Sonic, Donkey Kong. Claro, eles tinham companheiras de ação, Peach, Tails, e Dixie, mas protagonistas eram quase inexistentes (Samus Aran de Metroid como uma exceção, e sempre era legal lutar com Chun Li e Cammy no Street fighter 2). Até o dia em que um amigo me chamou para jogar um jogo novo: Tomb Raider.

Os consoles foram passando e cá estou jogando o novo Tomb Raider. A franquia me tornou fiel, e mesmo com uma Lara de proporções irreais e gemidos constantes, me sinto feliz ao ver uma garota Indiana Jones viajando pelo mundo e descobrindo relíquias. Mas com o tempo, depois do ótimo Legend, eu achei que não havia caminho pra surpresas na série. O novo jogo (lançado em 2013) puxou meu tapete nessa previsão, e estou aqui o comentando, atrasada e encantada.

No novo Tomb Raider você acompanha a origem do mito Lara Croft. Lara era apenas uma herdeira e estudante que parte para uma ilha em um projeto acadêmico, e fica presa em um espaço ameaçador, cercada por uma seita e pelo mar, tentando sobreviver, escapar e salvar os outros companheiros de jornada.

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Como é a tendência dos novos jogos eletrônicos, esta é uma jornada emocional. Você está com Lara quando ela vê seu amigo morrer, quando ela dispara seu primeiro tiro letal, quando ela deve aprender a caçar, quando ela está com fome, frio e vê sua última esperança sumir na sua frente. E as suas decisões, como Lara, importam. Os gráficos são perfeitos, e os machucados e traumas são sentidos por você na frente da tela. Não é um jogo para fracos.

A intenção dos criadores de Tomb Raider dificilmente era empoderar jovens garotas apresentando uma personagem forte e corajosa. Mas foi o que eles conseguiram – e conseguiram mais do que nunca neste novo capítulo da franquia.

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Resenha 1989 – Taylor Swift

Resenha 1989 – Taylor Swift

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Toda chegada começa com a partida de um lugar anterior, e Welcome to New York, a música que abre o novo disco de Taylor Swift, poderia se chamar Farewell to Nashville. A menina que começou jovem, aos 16 anos, tocando no Bluebird Café e referenciando Tim McGraw em suas letras deu adeus (ou um até logo) para o Country, e abraçou as possibilidades do pop, das cidades grandes, da diversidade cultural.

1989 não poderia ter outro título – é um disco sobre a ansiedade e a liberdade de se ter um quarto de século como idade, e é melhor entendido por aqueles que estão vivendo seus próprios vinte e poucos anos.

Não é, como Red, um disco sobre um ou dois relacionamentos (Jake Gyllenhaal e Conor Kennedy), mas tenta abarcar muito, muito mais. Mais pessoas, sim (como Harry Styles e até Katy Perry na fraquinha Bad Blood), mas especialmente mais vidas e momentos.

Este é definitivamente um disco que dialoga com o seu tempo, e com artistas que surgiram ou ganharam força apenas no ano passado. As harmonias do destaque absoluto Out of the woods (QUE MÚSICA!) remetem ao trabalho das irmãs californianas Haim, o clima tórrido da deliciosa Wildest Dreams nos lembra Lana Del Rey (apesar de que tal estilo não foi inventado por Lana), e as influências da BFF Lorde são bem claras. O passado surge com as duas melhores músicas do disco, Clean, que conta com vocais de Imogen Heap, diva fantasmagórica do indie dos anos 00, e a faixa bônus bombástica New Romance, que junta a nova geração com os novos românticos dos anos 80 (fazendo enfim a ponte com os tais 1989).

Os colaboradores, na produção, não poderiam ser mais afiados – Ryan Tedder, Greg Kurstin, Shellback, todos os ingredientes para um disco cheio de singles em potencial. As saudades da velha Taylor são resolvidas com This Love, romântica e realista.

Style é uma ode às coisas que não saem de moda. O pop não sai de moda. A juventude não sai de moda. E Taylor Swift, tudo indica, não vai a lugar algum também.

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Gente que cuida da água do planeta – SOS Mata Atlântica

Gente que cuida da água do planeta – SOS Mata Atlântica

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Créditos: http://goo.gl/i2Wx7o

A falta de água em São Paulo é assunto recorrente nas conversas entre meus amigos e também na internet, seja pelas piadas ou pelos relatos de racionamento chegando aos bairros mais afastados do centro. Morei toda a minha vida aqui na capital e nunca imaginei um racionamento tão sério como esse que estamos vivendo – e pelo visto ninguém!

Não é para menos, falar em falta de água no Brasil, até pouco tempo atrás, era coisa de maluco – cerca de 12% da água doce do planeta passa por nossos rios, e isso é MUITA coisa! Com isso, criamos todos uma falsa sensação de segurança, incluindo governantes, com uma frase que me repito todos os dias: “como poderíamos um dia ficar em água?”.

O Sistema Cantareira opera hoje em níveis baixíssimos com menos de 4% de sua capacidade, abastecendo não apenas as zonas Norte, Central e partes das Zonas Leste e Oeste de São Paulo, mas também nos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Para vocês terem uma ideia, imaginem 8,1 milhões de pessoas que dependem do Sistema Cantareira, vivendo sem saber se terão água em suas casas em um futuro próximo? A estimativa é de que esta primeira cota de volume morto usado atualmente acabe em meados de novembro, levando a capital à falta d’água mais intensa. :(

Outra questão importante que devemos levantar é a seguinte: nas duas últimas décadas, a Cantareira perdeu grandes áreas de Mata Atlântica ao seu redor, contribuindo para diminuição da quantidade e também qualidade das águas. Com uma maior cobertura vegetal evitaríamos o desaparecimento de nascentes e aumentaríamos a vida útil dos reservatórios, resultando assim em um prolongamento do seu abastecimento. Quanto mais o ecossistema é alterado, maiores as consequências.

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Para comprovar essa lógica, o pessoal da Fundação SOS Mata Atlântica promoveu um reflorestamento no Centro de Experimentos Florestais em Itu (SP), há 5 anos atrás. O resultado foi super interessante, e o nível dos lençóis freáticos subiu 20%, enquanto o dos reservatórios, 5%.

Além desse estudo, muitos outros são promovidos pela Fundação SOS Mata Atlântica, com o intuito de acompanhar a qualidade e os recursos hídricos de Mata Atlântica.

Através do programa Rede das Águas, a Fundação atua incentivando a mobilização das pessoas dentro do assunto, contando com metodologias próprias que promovem a educação ambiental e reúne os projetos da Fundação relacionados ao tema, além de influenciar políticas públicas.

As atividades de educação ambiental também acontecem no projeto “Observando os Rios”, composto por kits de monitoramento da qualidade da água, utilizados até hoje por mais de 851 grupos com 18.767 pessoas envolvidas nas águas do Rio Tietê e outras bacias hidrográficas. Um dos projetos mais legais que a Fundação promove é o “Observando o Tietê”, aonde monitora, com indicadores de percepção da sociedade, a evolução do Projeto de Despoluição do Rio Tietê, visando o controle social do projeto. Todas as informações sobre ele estão no site da Fundação. 

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Se você também quiser participar e ajudar a monitorar os rios da sua comunidade, a SOS Mata Atlântica dá todo o suporte fornecendo kits de análise de água e a capacitação para que todos saibam analisar a qualidade da água na sua região, para assim, melhorarmos a qualidade de vida ao nosso redor. É super importante cuidarmos do nosso planeta um pouquinho de cada vez, e com isso entender que sim, é possível ajudarmos de alguma maneira!

A SOS Mata Atlântica acredita que todos os cidadãos, independente das suas reservas de água ou não, devem adotar de maneira permanente hábitos de consumo de água mais sustentáveis e continuar cobrando dos governantes, nos municípios, no Estado e no Governo Federal, investimentos em saneamento e inclusão da água como uma questão prioritária e essencial para a nossa vida.

É claro que estamos em um momento super delicado e precisamos economizar ainda mais, mas cada gota economizada, ou bem utilizada, faz muita diferença dentro de uma grande cidade como São Paulo.

A crise hídrica que vivemos é realmente preocupante, mas serve também de alerta. Segundo a Organização das Nações Unidades (ONU), se não houver mudanças de hábitos no curto prazo, até 2030 quase metade da população mundial sofrerá com desabastecimento e os milhares que já não possuem acesso à água potável terão sua situação ainda mais complicada.

Por isso dizemos tantas vezes aqui: água é assunto muito sério, e precisamos entender a situação. A crise no abastecimento não se deve apenas ao calor recorde e ao menor índice de chuvas já registrado nos últimos 84 anos. A crise da água em São Paulo traz um alerta aos governantes e à sociedade sobre a importância do planejamento e do zoneamento urbano. Se informar e fazer a sua parte é mais importante do que nunca!

Saiba mais sobre os projetos da SOS Mata Atlântica e participe desse movimento.

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Paul McCartney, o show

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Se você nunca foi, faça o favor de ir ao show do Paul McCartney no Brasil.

Sim, este é um início drástico e direto para um texto, mas o assunto é urgente. Não estamos ficando mais jovens, e Paul McCartney também não. E você não quer ter o arrependimento de não ter vivido uma das experiências musicais mais incríveis do planeta.

Tive a sorte de ver o show de Paul McCartney duas vezes, uma na turnê On the run, no Rio de Janeiro, e a outra aqui mesmo no meu quintal, com cheiro de Pão de Queijo no ar. Na primeira vez, passei a noite acordada viajando, cheguei na fila às 7 da manhã, passei o dia em um sol insuportável comendo pouco e hidratando bem menos que devia. E mesmo assim, valeu a pena (MAS SEJAM MAIS PRUDENTES QUE EU NÃO REPITAM MEUS ERROS). Cada minuto. Já deu para perceber a natureza enfática deste apelo, não deu?

O show de Paul McCartney é uma viagem pela história do rock, e passa por sucessos e raridades dos Beatles, aquelas músicas do quarteto de Liverpool que você ouviu inúmeras vezes (mas não conhece de verdade até ver ao vivo, sendo cantadas por uma multidão de lotar estádio), por canções lindas do catálogo do Wings (ainda existem lágrimas minhas no gramado do Mineirão largadas durante Maybe I’m Amazed) e coisas do seu curioso trabalho solo.

A comunidade de fãs é um espetáculo a parte. De curiosos até pessoas que seguem o Beatle por milhares de shows, de crianças a idosos, a maioria está disposta a ajudar o colega-fã o tempo inteiro, trocar ideias, conversas, e endereços de Facebook, orquestrar enormes homenagens ao sempre sorridente, emocionado e grato Paul (mas no fundo, é nós que estamos explodindo de gratidão).

Eu nunca, nunquinha, vou me esquecer do Mineirão lotado balançando as telas dos celulares como uma constelação durante Let it be. Ou do Engenhão levantando plaquinhas de NANANA em Hey Jude. E se eu prestar muita atenção, ainda consigo sentir o calor nas bochechas causado pelas chamas gigantes de Live and let die. E a emoção do momento em que surgiu no telão a face de George Harrison em Something.

Então, vamos lá: fãs do Rio, São Paulo, Brasília, Vitória e empolgados com disposição para fazer uma pequena viagem para um desses locais, não percam essa chance.

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Ensaio sobre frustrações

Foto: Tony Hammond

Foto: Tony Hammond | Flickr

Tirar foto de céu é uma coisa incrivelmente frustrante pra mim.

Não sei se é incompetência na hora de achar o ângulo certo pra câmera, não sei se é meu celular que tem a câmera ruim. Só sei que na minha vida, tirar foto de céu tá na mesma pasta divina-transcendental de coisas frustrantes que tirar foto do meu cachorro quietinho, fazer escova em mim mesma e encontrar um trevo de quatro folhas.

Pensando nisso, durante muito tempo eu acabei achando que talvez fosse mesmo um castigo divino, sabe? Talvez alguém estivesse querendo nos castigar por tirar fotos demais das coisas, algo como “ah, você vai tirar foto de tudo? Pois bem, eu não vou deixar ninguém nunca pegar a beleza ideal só pra vocês aprenderem a viver o momento!”.

No entanto, pensando melhor, acho que é bem mais que isso e talvez as câmeras enxerguem o céu corretamente. O jeito distorcido, mais claro, mais torto, menos espetacular é, na verdade, como o céu está de verdade. O que muda é que cada um vê o céu diferente, de uma maneira especial.

Assim como todos nós enxergamos as cores de um jeito diferente –e às vezes a mesma cor pode parecer duas cores diferentes pra duas pessoas–, o mesmo acontece com as paisagens, com o céu, com a vida. Tudo vai depender do seu humor, do seu dia, da música que você tá ouvindo, do cheiro da cidade. É tudo uma combinação de estímulos sensoriais que, baseado no que está na sua cabeça e no seu coração, faz tudo ficar diferente.

Talvez eu só use isso pra me convencer de que eu não sei tirar foto, talvez eu só use isso pra dormir a noite tranquila sabendo que eu não preciso de uma câmera semi-profissional –não ainda. Mas talvez a gente deva mesmo aceitar a beleza da frustração, aceitar que a mágica das pequenas coisas não deve ser fotografada, e apesar de querer muito às vezes, você não pode roubar pequenos momentos do tempo, porque ele tem que seguir em frente. E você também.

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Mixtape: Dança da Chuva

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Creedance Clearwater Revival perguntam: você já viu a chuva?
Nós respondemos: olha, até que sim, mas faz tempo.

Momentos de desespero pedem por medidas desesperadas, e acho que chegou a hora: precisamos começar a dança da chuva. A situação em estados como São Paulo e Minas Gerais está insuportável. O ar está tornando a respiração impossível, o sol arde, a falta d’água ameaça na esquina. Antes que o Brasil se torne Acquaria, essa umidade tem que aumentar (se lembram daquela atriz da Globo que viralizou com um vídeo em que celebrava a chuva no Jardim Botânico? Luz luz luz? Saudades).

No espírito de “você não sabe valorizar o que tem até que não tem mais”, vamos celebrar a chuva em uma mixtape. Implorar com James Morrison e Hilary Duff. Lamentar com o Garbage. Sonhar com uma dança à moda Gene Kelly. Confiar que Norah Jones e Bruno Mars estão certos.

O mais importante, porém, é torcer para a pessimista Selena Gomez estar errada, e não termos um ano inteiro sem chuva.

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A culpa é dos marcadores marrons

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Vejam bem, vocês. Eu, no auge dos meus 21 anos, posso finalmente dizer que trabalho com todas as coisas que eu gosto – eu sou designer, eu sou ilustradora e existem pessoas na internet que realmente querem ler aquilo que eu escrevo. Eu, que sempre quis ser feliz acima de tudo, acima de qualquer dinheiro, posso dizer que estou cada vez mais perto de atingir esse objetivo.

“Mas nem sempre foi assim”, é assim que todas essas histórias de superação começam. “Eu nem sempre fui satisfeita com o modo como eu levava as coisas, com a garota que eu olhava no espelho, com minha falta de curvas, com a sobrancelha grande que eu tenho uma sincera preguiça de fazer”. Mas não é exatamente disso que esse texto se trata, então vocês estão com sorte.

O que me traz de volta a todo o lance de listar as coisas com as quais eu trabalho. Mais especificamente à ilustração.

Eu sempre fui uma criancinha sapeca que gostava de desenhar em tudo quanto era lugar, e ainda o faço – só que trocando as paredes e estrados da cama por caderninhos de verdade feitos pra isso –, mas um fato frequente tem me preocupado bastante: os marcadores marrons.

Vejam bem, eu tenho ascendência africana e espanhola – e de mais 800 outras regiões, aponta pesquisa do IBOPE –, então eu tenho a pele escura e o cabelo crespo. Demorou MUITO pra eu me acostumar com as minhas características físicas, parar de achar que era um defeito eu ter nascido com tal condição genética, que era um defeito eu ser do jeito que eu era. Doeu bastante, matei uns cachinhos, alisei umas pontinhas, tive uma fase louca-Avril-cabelo-roxo, mas aqui estou eu, me olhando no espelho e me achando uma rainha. Como consequência direta disso, aconteceu uma coisa linda: eu comecei a me desenhar mais. Meu cabelão cacheado, minhas sombrancelhas grossas e meus lábios ~fartos~ (eita, Giovana) foram inspiração pra muitos autorretratos que eu venho fazendo desde que trouxe o sexy de volta  assumi os cachinhos de vez.

Eu sempre fui de desenhar e pintar com lápis de cor, e só esse ano, depois de influências de gente linda como o Vitor Martins, eu decidi me arriscar nos marcadores. Tenho feito muitas ilustrações usando diversas marcas dos bonitos, mas só recentemente eu levei um tapa na cara: não sei se existem marcadores marrons aptos a pintar a cara dos meus desenhos (!!!). Estou disposta a testar mais outras mil marcas, mas e se eu não achar?

Passei muito tempo da minha vida me achando errada no espelho, me achando errada na hora de tomar banho, tão errada que me desenhava usando o lápis rosado porque pintar de marrom ficava “feio” na minha cabeça, era errado. E quando eu finalmente acho que a cor da minha pele é a coisa mais maravilhosa eu simplesmente não consigo porque o mercado de marcadores não está preparado pra isso? Não existe um meio termo? Não existe um tom mais aguado? Não existe?

Continuarei testando quantos marcadores forem necessários, mas me incomoda que mais uma barreira tenha sido imposta de uma forma que talvez seja tão sem intenção.

Jamais deixarei de me desenhar, e até tenho meus truques pra poder usar os marcadores e canetinhas que já comprei (oi, papel kraft <3), mas fica aí um apelo: talvez as marcas nunca tenham pensado nisso, mas nós negrinhas também queremos pintar nossa cara como faríamos com um marcador rosado, certo?

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5 coisas que aprendi com The Sims 4

5 coisas que aprendi com The Sims 4

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Um dos meus jogos favoritos no mundo é o The Sims. Sou viciada desde pequena, e me lembro de gastar horas e horas das minhas férias reformando quartos, baixando novas roupas e reconstruindo uma Hogwarts inteira vizinha à família Caixão.

Ao lado das leituras, The Sims era uma das minhas coisas favoritas nas férias, junto com seus mil pacotes de expansão, claro – para tristeza do meu computadorzinho, coitado, que vivia mais lento que uma lesma.

Mês passado saiu a quarta versão do jogo, muito mais evoluída e cheia de detalhes que ~na minha época~, há quase 14 anos atrás. Como eu estou ficando velha, gente! No começo os movimentos dos Sims eram muito mais robóticos e eu amava a aptidão que eles tinham de fazer um rodo aparecer pelas costas, além de, é claro, não engravidar – o bebê simplesmente brotava no berço, PUFT assim. Bons tempos!

Ao longo desse último mês testando a nova edição, percebi que existem certas lições importantes que podemos transpor para a nossa vida. Quer ver só? :)

Não existe nada que um bom banho de bolhas não resolva.

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No The Sims 4, assim como na vida, as pessoas vivem baseadas em humores, que oscilam entre coisas como cansado, nervoso, apaixonado, inspirado, e por aí vai. Todos esses estilos são influenciados por ações que os Sims exercem ao longo do jogo, e uma delas é tomar um banho de bolhas, alterando o humor para brincalhão. Após a traumática morte do roomate da minha Sim que a viu pelada no banheiro e morreu de vergonha (exatamente), ela chorou por apenas 2 horas e o banho de bolhas logo resolveu a situação. Não existe tristeza que um banho gostoso não resolva, não é mesmo?

Descarregue frustrações: Jogar bebida na cara de quem você não gosta é sempre uma alternativa viável

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A intensidade das emoções estão à flor da pele nessa edição. As brigas são mais intensas e é possível sair por aí chutando lixeiras quando você estiver muito irritado com o mundo. Em um desses turbilhões de emoções é possível desabafar com aqueles Sims que você ama, e algumas outras coisinhas com aqueles inimigos, como gritar, xingar, dar tapa na cara e lógico, tirar sabe-se lá de onde, uma taça de Cosmopolitan e jogar na cara do amiguinho. Eu odeio brigar “na vida real”, e por isso essas situações no jogo são boas para extravasar e esquecer dos problemas. Num dia de chateações, recomendo gritar muito com seu vizinho (no jogo, viu).

É possível viver sem uma piscina no seu jardim

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Essa foi a notícia mais triste do jogo: acabaram as piscinas! Sim, as maravilhosas, temidas e assassinas piscinas. Quantos Sims não morreram sem a escadinha nas edições anteriores? Pois bem, nessa edição não existem mais piscinas – a minha teoria é que vem por aí um pacote de expansão lindo e aquático, será?

Mesmo assim, é possível se divertir bastante e manter os churrascos na varanda como sempre. É possível ser feliz sem piscina, sim! Como uma moradora de São Paulo e quase sem piscinas na região, posso dizer que isso é verdadeiro.

Cuide da vida dos outros apenas no jogo

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Eu sempre penso naquelas pessoas que passam dias e dias stalkeando e procurando defeitos das outras pela internet. Mas que falta do que fazer, que inveja absurda! Se elas precisam de alguém para monitorar a vida eu aconselho jogar The Sims, seriamente. Você passa horas cuidando da sua família, dando ordens de tudo o que você quer que eles façam e ainda se diverte muito. Pra quê cuidar da vida alheia se você pode jogar The Sims? Esse é meu lema.

Grandes objetivos não nascem sem grades esforços – e algumas noites mal dormidas.

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Ao menos que você seja um Hacker, aí você invade as notas do colégio e fica tudo bem.

Algumas novas profissões foram incluídas e entre elas existe programação – basta você ter um computador para começar a treinar. Com isso, você pode evoluir suas aptidões e praticar “pequenos delitos” como hackear a conta bancária dos seus vizinhos e até burlar as notas do colégio se você for adolescente. Ainda assim é possível usar a programação para criar seus próprios joguinhos e aplicativos, se mantendo dentro da lei e ganhando alguns Simoleons por méritos próprios, viu?

Passe algumas noites sem dormir estudando, se esforce um pouquinho a mais no trabalho e você verá que tudo valeu à pena – ei, parece com a vida real! <3

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Resenhas: Lady Antebellum e Blake Shelton

Yee-haw, sir. Yee-haw, m’am.

Trago notícias do campo. A última semana foi agitada no mundo da música country, incluindo lançamentos novinhos talvez dos dois artistas de maior sucesso na cena atual do gênero: o homem mais célebre do Oklahoma, Blake Shelton, e o trio de pop-country favorito dos karaokês, Lady Antebellum. Blake lançou o irregular Bringing Back The Sunshine, Lady A lançaram o irregular 747. Mas sempre vale a audição por aquelas pequenas pérolas perdidas, e é delas que vamos falar.

Sinceramente, Shelton lançou um bom disco – só que é um bom disco que comete o pecado de ser levemente inferior ao seu último (e ótimo) lançamento Based on a real story. O bonitão disse que buscou nesse novo trabalho voltar aos temas básicos de sua carreira: diversão, amor, simplicidade, e algumas doses de álcool. Realmente os temas estão presentes, mas eles nunca haviam sumido, de fato. Um revival estranho de algo que nunca partiu?

O primeiro trio de músicas é o grande destaque aqui. Bringing back the sunshine chega com cara de música de abertura de um bom show, enquanto Neon Light está pronta para tocar na rádio do carro em uma viagem para a praia. Lonely Tonight é uma power ballad daquelas que não podem sair da moda nunquinha. O próximo ponto alto só chega quase no fim do disco com Just south of heaven.

O disco do trio Lady Antebellum também é bom – mas parece uma coletânea de músicas que fariam mais sentido com outros artistas. O melhor exemplo está na lindíssima Damn you seventeen, uma balada nostálgica e romântica que tem mais que um pézinho em Taylor Swift. As influências são amplas e importantes no disco, e culminam na zoeira de Charles Kelly dizendo “Fleetwood Macklemore” na divertida Freestyle. Bartender é a próxima música que você cantará com as amigas, tentando esquecer a última decepção amorosa.

Existe uma nova Need you now para você poder parar de gastar o repeat da original?

Não. Mas sobrevivermos.

Ainda temos a original, afinal.

 

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