A minha infância no controle remoto

A minha infância no controle remoto

A nova moda na TV é o “reboot”. Todos os canais, abertos, fechados e online, estão recuperando séries canceladas há anos e retomando elencos e tramas de outras gerações como se nenhum dia houvesse passado. Quem lucra com isso? Nós, eternos nostálgicos abandonados por várias séries, e desejando um encerramento digno para nossos personagens (ou novos começos para os mesmos).

No mês passado, fiquei eufórica com a notícia de que duas das melhores personagens de Full House ganharão um spinoff. DJ Tanner e Kimmy Gibler, as adolescentes da série dos anos 90, voltam agora adultas para a TV. Essa novidade me deu uma passagem só de ida para a memory lane, e por isso escrevo aqui sobre Full House e todas as séries que deixavam a pequena Ana Clara colada na TV.

Full House e Step by step

Começamos com a série que inspirou o post. Desde pequena eu estudei no turno da manhã, e antes de ir para o colégio, acordava uma hora mais cedo para tomar meu café da manhã em cia. da Warner Channel e seu bloco de Full House e Step by Step. As duas séries mostravam confusões de famílias enormes e suas casas lotadas, e envolviam histórias de crianças (o que eu era), adolescentes (o que eu, em breve, iria ser) e os adultos que os cercavam. As ídolas de infância, vistas em todos aqueles filmes sobre acampamentos, Mary Kate e Ashley Olsen estavam lá. O que mais eu poderia querer?

 

Lendas do tesouro perdido e Global Guts

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Se as duas séries anteriores marcavam a hora de ir para a aula para mim, essas duas marcavam o fim do dia de estudos e atividades. Às 18h começava o bloco de competições na Nickelodeon (mais sobre esse canal ainda nesse post) e eu não desgrudava o olhar da TV. Era o meu sonho – participar desses dois programas. Eu queria ser uma salamandra vermelha ou uma barracuda azul. Tinha certeza que aquela virada errada na montanha eu não faria. Avistava rapidamente a chegada dos guardas do templo. 

 

Barrados no baile

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Antes de Malhação, Beverly Hills 91210 ensinava as lições da adolescência para nós, nos treinando.  Certeza que em uma revisão é uma série péssima, mas fez parte da formação de uma geração inteira. A minha.

Nick at nite

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Sempre tive uma tendência forte para a insônia, mas quando o sono fugia, a pedida era a programação noturna da Nickelodeon, que misturava séries dos anos 90 (Alf), 80 (Primo Cruzado, Mork e Mindy) e até mesmo séries do início da TV (A Feiticeira, Os Monstros, Jeannie é um gênio). Era tão bom que quase aumentava a possibilidade da tal insônia – “posso ficar acordada pra mais um episódio?”

Programa do Sílvio Santos

 

Domingo era dia de fazer pipoca, sentar no sofá ao lado da minha avó e competir pelo troféu de quem sabia mais respostas no Qual é a música. Se fechar meus olhos, consigo lembrar de cada detalhe.

 

Mas o SBT também estava na minha vida semanal, e toda tarde era hora de Fantasia, de tentar acompanhar uma imitação de plástico de um frango em vários fornos que trocavam de posição e pensar em ligar para concorrer na batalha naval.

 

The Wonder Years e Golden Girls

 
As manhãs de férias eram ocupadas pelo Multishow, Kevin Arnold (quem não se identificava?) e as Golden Girls (ok, nesse caso a identificação era menor). Essas duas séries, como Full House, mereciam – e muito – voltar. Que tal um spinoff mostrando Kevin adulto ou as Golden Girls quando jovens?

 

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Como enfrentar a solidão?

Como enfrentar a solidão?

Te entendo, De Niro. (cena de Taxi Driver)

Te entendo, De Niro. (cena de Taxi Driver)

Minha relação com a solidão sempre foi muito ambígua. Por muito tempo eu a caçava e venerava como se nada mais valesse a pena. Estar sozinha, fazer as coisas a sós, poder aproveitar minha própria companhia e a dos livros. Viver amores apenas imaginários. Não ter que lidar com o desconforto social de interagir com outros humanos. Mas, no meio disso, eu tinha minhas crises de carência. A vida toda, a solidão só me servia quando era escolha. Quando vinha sem avisar, quando me deixava sem opção, ela me abatia. Abate até hoje.

Tem uma lição que aprendi há muitos anos com o Wilco e que sigo praticando enquanto conseguir. Eu era mais nova e, desde a primeira vez que ouvi Jeff Tweedy sussurrando “how to fight loneliness? just smile all the time”, eu pensei: é isso. Sorrir. Sorrir é mesmo a maneira mais eficiente de enfrentar a solidão. Quando sorrimos, enxergamos melhor o que nos cerca. Abrimos espaço para que as pessoas se aproximem, se interessem, puxem assunto. Ficamos mais interessantes com um sorriso no rosto. Mais vulneráveis, também.

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A grande questão é que nem sempre é fácil ou possível sorrir. Pelo menos não pra mim. Não por falta de vontade ou de esforço, sabe? Apenas porque é a vida, e é assim. Sorrir às vezes é viver de mentiras – e eu não consigo fazer assim. Então, mais do que enfrentar a solidão, precisamos aprender a conviver com ela. Até porque, vamos combinar, o que mais atrapalha a vida é o medo da solidão. E fica muito difícil sorrir com medo, aí acabamos presos numa salinha com aquilo que menos gostaríamos de enfrentar. É meio que um beco sem saída.

Não existe nada mais maravilhoso que, depois de um dia cansativo, sentir a delícia de esparramar-se na cama e aproveitar todo o espaço sem se preocupar. Criar planos mirabolantes de viagens e programas malucos e não ter que dar satisfação a ninguém. Sentar no sofá só de camiseta e calcinha e assistir ao que quer que seja, sem nem olhar direito para a televisão, apenas pelo prazer de se desligar do mundo. Mas às vezes queremos companhia. Alguém pra dividir o sofá enquanto assistimos uma série empolgante ou um filme cabeçudo. Alguém pra dormir abraçadinho enquanto fazemos carinho nos cabelos. Alguém que tope qualquer passeio maluco pelo prazer de sair de casa – e que volte junto pro ninho pra aproveitar horas de silêncio e o compartilhar de atividades diferentes no mesmo espaço.

Joaquin Phoenix em Her é uma síntese do poder que a solidão exerce sobre a gente.

Joaquin Phoenix em Her é uma síntese do poder que a solidão exerce sobre a gente.

Solidão é uma delicia, solidão é um pesadelo. E a única maneira de enfrentá-la é sorrindo. Sorrindo dela, quando ela tentar te fazer sentir pequeno e não merecedor. Sorrindo com ela, quando ela alimentar sua criatividade e sua paz de espírito.

Só sorria o tempo todo. A vida se encarrega do resto.

Mas olha – não se sinta culpado se não conseguir. De vez em quando, curtir uma tristeza também faz bem. É só não deixar que ela tome conta do seu coração. Eu tento acreditar nisso todos os dias – principalmente naqueles como hoje, em que a solidão ataca como facadas no estômago e que o sorriso não aparece sequer como reflexo nervoso.

E, quando nada dá certo, aperto o play, fecho os olhos e escapo um pouco.


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Pequenos grandes momentos que fazem uma história de amor

Pequenos grandes momentos que fazem uma história de amor

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Se uma câmera tivesse visão do alto de um cômodo da sua casa –no caso, o seu quarto– e registrasse uma das suas histórias de amor, qual o tipo de filme você acha que daria?

Jack e Sorcha tem trabalhado produzindo curtas e trabalhando em comerciais há 7 anos. Agora, decidiram realizar projetos que “terão um efeito inspirador no mundo e que trabalhem para coisas positivas no mundo”, e foi assim que eles resolveram formar a dupla Feels, que cria exatamente o que o nome sugere: curtas que farão você sentir coisas.

Recentemente, eles lançaram o curta Me & You, que mostra, de cima, as pequenas grandes coisas que fazem a história de amor de duas pessoas, do começo ao fim.

No final de tudo, mesmo que você não se identifique com o casal, você se pega pensando nas peculiaridades de cada ação, na efemeridade das coisas e até pensa como você reagiria numa situação daquelas. Será que você teria feito algo diferente?

Então dê o play, prepare seu coração e viaje pela história de amor desse casal que pode parecer muito com a sua, com a da sua amiga, com a da sua irmã, com a dos seus pais…

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De Dentro pra Fora

De Dentro pra Fora

O objetivo do dia para 1º de abril no livro da Demi Lovato é: “quando perceber que está insegurx, pare na hora e diga: ‘eu acredito em mim mesmx’”, e não podia ter encaixado melhor, já que começos do mês são sempre ótimos para recomeçar.

Todos os dias, nós nos encontramos com pessoas ou situações que jogam na nossa cara defeitos que nós já sabemos que temos, e, muito embora a gente aconselhe nossos amigos e nossos amigos nos aconselhem a deixar pra lá, a “não acomodar com o que incomoda”, a não deixar entrar em nossas vidas pessoas negativas que apenas nos machucam, há uma pessoa que a gente não consegue ignorar, deixar pra lá, e botar pra fora da nossa vida: nós mesmos.

Uma das coisas mais importantes de se lembrar é que não são apenas as coisas ditas a nós em voz alta que nos prejudicam, mas também as coisas que a gente diz baixinho pro espelho, as coisas que a gente pensa da gente quando prova uma roupa que não fica mais legal, as coisas que a gente pensa do nosso trabalho quando escrevemos um texto ruim.

Por que isso é perigoso? Além de te deixar em um estado de depressão no qual você acha que não vale absolutamente coisa alguma –por experiência própria–, fazendo com que você perca grandes oportunidades de ser feliz que a vida te dá, esse tipo de pensamento negativo sobre si mesmo pode ter consequências físicas. Uma série de estudos feitos com adolescentes ou pessoas inseridas em um ambiente agressivo e estressante, mostrou que apenas pensar que estava acima do peso fazia com que elas ficassem mais propensas à obesidade. Segundo os estudo, também, quando algo de ruim acontece com você e você apenas foca no negativo da situação, esse tipo de pensamento –chamado de negative self-talk– pode ficar “preso” com você durante um bom tempo e nublar seu julgamento das coisas e até mesmo prejudicar seu processo cognitivo, ou seja, a forma como você assimila as coisas através dos cinco sentidos, e até mesmo aumentar sua pressão sanguínea, mesmo em um período no qual você não esteja produzindo pensamentos negativos sobre si mesmo.

O que fazer para mudar de dentro pra fora?

Identifique seu(s) “problema”(s)

Na maioria das vezes, uma pessoa não tem pensamentos negativos sobre absolutamente tudo que acontece em sua vida, então uma boa coisa a se fazer é separar tudo em áreas, e identificar as “áreas” que estão incomodando: trabalho, relacionamentos, amizades, seu quarto… com isso você vai saber melhor o que fazer para se sentir melhor.

Não é sempre que conseguimos sair de um emprego que nos faz mal, por exemplo, então crie motivações diárias, semanais ou mensais. Coloque em sua cabeça que você vai fazer uma peça incrível no trabalho hoje, vai resolver um problema em uma semana, ou vai viajar no final do mês. Saia de relacionamentos abusivos que o coloquem pra baixo, resolva conflitos com uma amiga que está sem falar com você sem dizer o motivo.

 

Orgulhe-se mais de si mesmo

Confie em si e fique orgulhosx de qualquer pequena grande coisa alcançada: fez uma playlist incrível? Conseguiu completar os km que você queria num dia de corrida? Avançou consideravelmente naquele livro que está empacado há tempos? Parabenize-se, afinal, não é apenas para as coisas grandes que damos o melhor de nós, mas para tudo que fazemos. Toda conquista deve ser celebrada.

 

Escreva lembretes a si mesmo dizendo o quanto você é incrível

Pode parecer idiota de início, mas faz muita diferença virar a cabeça para uma parede aleatória de casa, no espelho, na geladeira ou no armário e ter um post-it fluorescente com um “e aí, gata?” escrito.

Também ajuda se você colocar uma música bem legal e que você goste bastante, e descarregar aquilo tudo que você está sentindo. Nem precisa ser em papel, pode ser na internet ou na segurança e privacidade de um lugar que ninguém leia, se você não estiver confortável com isso.

 

Não seja inimigx do espelho

Faça de cada ida ao banheiro, de cada manhã ao acordar, de cada checada no visual antes de sair um ritual de ode à pessoa mais bonita, estilosa e de personalidade que você conhece: você. Elogie-se, e mesmo nos dias em que você não estiver se sentindo tão linda, brilhante e radiante, se você olhar para si mesma e dizer o quanto você se sente bem, o exterior vai refletir o interior.

Faça pequenas promessas para te motivar: para cada insulto que você fizer a seu próprio corpo, você vai ficar um dia sem comer algo que você goste muito; pra cada elogio que você fizer a si mesmo, compre um livro que você esteja desejando apenas porque você merece; para cada vez que você pensar que não é capaz, coloque dinheiro em um cofrinho e, ao final de um mês, gaste ele num vestido maravilhoso, num CD empoderador, numa temporada de sua série favorito, para que você nunca mais se sinta triste.

 

Descubra a si mesma

Quando eu comecei a fazer yôga eu descobri que meu corpo era capaz de coisas que eu achei que não era. E eu não falo apenas de posições super flexíveis, mas também da minha capacidade de concentração, da mudança de hábitos respiratórios e até alimentares. Ache uma atividade que explore aquele lado seu que você ainda não conhece e surpreenda-se com as coisas maravilhosas que você consegue fazer!

 

O sorriso ainda é o melhor remédio

Um estudo da Universidade Indiretas do Bem aponta que quando você leva as coisas com bom humor, 90% dos seus problemas parecem bem menores do que realmente são. Permitir-se achar graça em algumas situações que antes te deixariam pra baixo por dias faz com que você mude a sua perspectiva e consiga enxergar as coisas com muito mais clareza.

 

E não se esqueça…

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Cinderela e o retorno do encantamento do conto de fadas

Cinderela e o retorno do encantamento do conto de fadas

Eu não escondo meu amor incondicional pela nova Disney, a Disney ácida que brinca com suas próprias referências ao seu passado de amores idealizados, príncipes e princesas, e ideias ultrapassadas e românticas. Encantada e Frozen são, sem sombra de dúvidas, dois de meus filmes favoritos dos últimos anos, e Malévola inverte toda as regras de uma maneira muito forte e bonita. Mas quando essa nova forma de contar histórias ganhou força, a forma antiga sumiu em uma nuvem de fumaça. Até 2015, quando Kenneth Branagh resolveu a trazer de volta com a lindeza de sua adaptação da clássica história de Cinderela.

O filme Cinderela não moderniza a história, apenas a conta da maneira mais impecável que você pode imaginar. Não existem grandes viradas. Existem sim músicas, ratinhos e uma abóbora que se torna uma carruagem. A verdadeira magia do filme está no fato de que, sem tirar nem colocar nada novo, a história se sustenta e parece (PASMEM) moderna. Como eles conseguem isso? Vamos lá.

 

1. Visualmente, você vai demorar a encontrar um filme como este em 2015

Branagh (que não é só o Gilderoy Lockhart de Harry Potter) fez seu nome no comando de algumas das mais ambiciosas adaptações da obra de Shakespeare para o cinema, como Hamlet, Henrique V e Muito Barulho por Nada. Depois de tentar no primeiro Thor, agora sim o diretor conseguiu colocar os visuais maravilhosos de seus filmes mais difíceis em uma grande produção. O resultado vai te fazer querer dançar no salão de baile com Cinderela e o Príncipe.

A câmera é leve, e passeia pelo filme sem tremer, fluida. Os figurinos são dignos de sonhos de consumo. E Branagh filma seus atores, especialmente Cate Blanchett, de maneira impecável. Ah, e veja na telona do cinema!

2. O roteiro é de se apaixonar

Chris Weitz não é o roteirista mais confiável do planeta (sim, a gente ainda não te perdoou por A Bússola de Ouro, Chris), mas aqui o moço mistura contos de fadas, Shakespeare e romances contemporâneos e nos fisga com diálogos. O momento em que Ella finalmente se apresenta para o príncipe traz uma pequena pérola em forma de diálogo, cheia de simbolismo e poder.

3. Os atores entregam boas atuações e muita química

Não precisamos dizer o óbvio – sim, Cate Blanchett está impecável como a madrasta má de Cinderela. E Helena Bonham Carter, bem, está fazendo o que ela sabe fazer melhor e faz sempre. Mas a surpresa é o casal de protagonistas, que trocam olhares apaixonados que vão até te fazer questionar os limites da ficção, e Derek Jacobi, que nas suas poucas cenas como o rei é uma presença forte.

4. É a mesma Cinderela de sempre, mas é diferente

Ella encontra pela primeira vez o príncipe enquanto ela cavalga corajosamente sem nem ao menos uma sela em seu cavalo branco. Ella é confiante, dinâmica, inteligente, e sua sensibilidade nunca desanda para uma postura de fragilidade.

5. Algumas lições não envelhecem

Claro que muitas lições dos contos de fada são antiquadas e até mesmo erradas. Mas acreditar no amor e no triunfo do bem? Oh, acho que não faz mal. E o filme ainda te relembra do mais importante: tenha coragem e seja gentil.

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Sinto muito por ter culpado você

Sinto muito por ter culpado você

 

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Créditos: http://goo.gl/pzErzh

Leia ouvindo: Hurt – Christina Aguilera

Acordei hoje pensando em tudo que aconteceu com a gente e nas coisas que ambos fizemos de errado.

O engraçado é que eu não consigo pensar em muitas coisas que você tenha feito errado, por mais que eu tente, e por mais que eu tenha tido inúmeras chances de apontar motivos pelos quais foi você quem me decepcionou quando na verdade eu decepcionei a mim mesma. Não estou dizendo que você sempre foi a pessoa mais certa do mundo e que eu deveria ter parado tudo que eu estava fazendo para ouvir o que você tinha a dizer, sem discordar ou reclamar, e que se eu tivesse feito isso estaríamos juntos.

Talvez estivéssemos, mas eu estaria feliz?

Acordei hoje perdoando todos os seus erros comigo, e todos os meus erros comigo mesma. Em todas aquelas vezes que você disse uma frase ou me mandou uma música que pra mim teve um significado e pra você esteve outro. Em todas aquelas vezes que uma coisa não-dita, na minha cabeça, foi mais alta que aquela dita, e que na maioria das vezes sequer existiu.

Parece que foi ontem que eu não sabia a última vez que tinha ficado um dia sem falar com você, e hoje eu não sei mais qual foi a última vez que nos falamos. Tenho vontade de dizer que sinto sua falta e que naquele dia eu perdi um grande amigo, que me ensinou muita coisa e que me fez rir em muitos momentos das coisas mais imbecis.

Por muito tempo eu senti como se durante todo aquele tempo você estivesse errado em dizer as coisas que me dizia, e que não tinha como ser diferente, mas tinha. Acordei hoje admitindo minha própria culpa e me libertando do peso que era culpar inteiramente você.

Não posso culpá-lo por não ter sabido como lidar comigo e com a situação, não posso culpá-lo por ter se assustado e se afastado, não posso culpá-lo por ser do jeito que você é quando tudo foi uma consequência de ser do jeito que eu sou. Eu não estava errada nas coisas que disse, mas foi uma escolha que fiz sabendo dos riscos que eu corria.

Desejo pra ti a mais pura das felicidades, a mim, a maior paz do mundo, e a nós dois, o mais ardente dos amores, juntos ou separados.

Eu sinto muito por ter culpado você por coisas que eu não consegui fazer. Antes eu não conseguia entender, hoje eu consigo.

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As aventuras de Paddington

As aventuras de Paddington

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Desde que comecei a falar de filmes aqui no Indiretas do Bem, penso, depois de ver uma nova obra, se ela tem seus momentos de positividade, e se merece essa tag de “Filme do Bem” que colocamos aqui. Claro que encontro momentos de positividade em vários filmes e trago para vocês, mas é raro ver um filme que é, inteiro, um grande e delicioso momento de positividade. Esse filme está disponível no Netflix agora e se chama As Aventuras de Paddington.

Assisti esse filme infantil britânico simplesmente porque, em uma sessão de Jogos Vorazes: A esperança ano passado, vi seu trailer e dei umas boas e inesperadas risadas no cinema. Esperei, esperei e esperei que ele chegasse em VOD para vê-lo legendado, mas não posso dizer que achava que o filme seria algo mais. Achei que seria divertido, e só.

As aventuras de Paddington é excelente em diferentes níveis. Vamos a eles:

1. É um filme que realmente, sem forçar, agrada a família inteira.

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Para agradar os adultos, Paddington não esconde piadas de duplo sentido ou um sarcasmo ácido – ele afeta os adultos de maneira inteligente e afetiva. Isso tudo enquanto diverte (e muito) as crianças, indo do pastelão até a fofura.

2. É uma homenagem linda à história do cinema de aventura.

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Paul King escondeu referências a vários filmes em Paddington. Uma cena de Missão Impossível: Protocolo Fantasma é COMPLETAMENTE recriada nesse filme, e outros filmes como E.T., Indiana Jones, e comédias da era muda também ganham reconhecimento nessa homenagem gigante ao cinema.

3. O visual é adorável e inventivo.

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Se você gosta da direção de arte e da fotografia de filmes como os de Wes Anderson ou Jean Pierre Jeunet, você vai se derreter pelo visual de casa de bonecas da Londres de . As cenas que quebram o realismo em Paddington são de tirar o fôlego.

4. A mensagem é especial.

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Se todos forem diferentes, não existirá o diferente. A mensagem de Paddington não é dita apenas em grandes e óbvios discursos, mas é mostrada no filme de maneiras sutis. Várias pessoas da cidade simplesmente não tocam no assunto de que Paddington é um urso, vestido de casaco e chapéu, e que fala inglês. Ele é diferente, mas quem não é? A naturalidade é o que a sociedade busca nesse filme lindo.

5. O elenco traz um verdadeiro time de estrelas do Reino Unido

O filme tem, só para começar, Dumbledore e Dolores Umbridge como um casal de ursos e a Sra. Weasley como uma governanta. O pai de família é o Lorde Grantham de Downton Abbey, e Sally Hawkins é uma das atrizes mais subvalorizadas de toda a ilha britânica. Nicole Kidman é a vilã novelesca, e o novo Doutor Who é o vizinho xereta. Na voz de Paddington, o novo Q de James Bond, Ben Whishaw. Sim, eu sei – a Inglaterra inteira está nesse filme. 

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5 coisas que aprendemos com “Cada Um Na Sua Casa”

Na última semana de março, viajamos para Los Angeles a convite da Fox Film do Brasil e da Editora Gutenberg para acompanhar de pertinho a premiere de Cada Um Na Sua Casa – história baseada no livro de Adam Rex – e conhecer os estúdios da Dreamworks. Conversamos com Tim Johnson, o diretor, e com Kathy Altieri, a designer de produto, ambos responsáveis pela transformação da história do livro em filme. A animação, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 9 de abril, tem tudo a ver com a gente: extraterrestres fofinhos, uma terráquea em busca de amor e, sobretudo, várias lições lindas que vão fazer você, assim como a gente, se apaixonar pelos Boovs!

Quer saber por quê? Separamos as cinco lições mais legais que aprendemos com eles pra te mostrar por que você PRECISA correr pro cinema mais próximo!

Às vezes, tudo que a gente precisa é de um bom amigo

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Você vai conhecer o Oh! – um boov muito atrapalhado que vai causar uma encrenca intergaláctica! Sabe por que o Oh! se enrola tanto o tempo todo? Porque ele quer amigos – e boovs não fazem amizade. Pelo menos não até descobrirem o quanto isso é importante… E divertido!

 É melhor falhar e ser verdadeiro do que construir sucesso baseado em mentiras

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Nossas trapalhadas tem resultado imediato – mas pelo menos não devemos nada a ninguém. Já a dos mentirosos… Bom, você vai descobrir que muitas vezes elas não só atrapalham a vida de todos como também são as mais difíceis de resolver – afinal, ninguém conhece a verdade. Vale mais a pena crescer sendo você mesmo – assim você não corre o risco de perder tudo de um dia pro outro só porque alguém descobriu que não era bem assim.

Dançar torna os nossos dias consideravelmente melhores!

 

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Sabe qual a coisa mais gostosa do mundo? O Oh! não sabia. Mas veja bem: não tem nada melhor do que deixar a música tomar controle do seu corpo! Sério. Espante os males da vida cantando e dançando! <3

Não desista das coisas apenas porque as probabilidades são pequenas

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Nada de olhar para algo e desistir antes mesmo de tentar apenas porque algo te diz que as probabilidades de conseguir são pequenas – isso é coisa de Boov! Os humanos podem até não ser muito evoluídos, mas possuem uma coisa capaz de fazer o impossível acontecer: esperança e perseverança.

Família é a coisa mais importante do universo. <3

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Não importa se aqui ou em qualquer lugar da galáxia: família é a coisa mais importante que você vai descobrir ter. E pode ser a família em que você nasceu, a família que você escolheu, tanto faz. Ter pessoas que você ama e com quem se importa é que ajuda você a enxergar o mundo de maneira mais leve e enfrentar seus problemas todos os dias. Valorize cada segundinho ao lado das pessoas especiais que você tem por perto!

 

É só isso?

Nããão! Fizemos um vlog contando da premiere e da visita à Dreamworks, como boas turistas que somos! HAHAHA.

Logo logo tem vlog dos passeios por Los Angeles também. Enquanto esperam por isso, deem um pulo no cinema pra conferir a animação! <3

 

Razão extra para amar a animação: Jim Parsons e Rihanna dão vida a Oh! e Tip <3

Razão extra para amar a animação: Jim Parsons e Rihanna dão vida a Oh! e Tip <3

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Mixtape: descobrindo Srta. Bareilles

Mixtape: descobrindo Srta. Bareilles

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Dizer que as pessoas não conhecem Sara Bareilles requer muita pretensão dessa blogueira que vos fala, eu admito. Muitas pessoas conhecem hoje a Sara Bareilles. Talvez, um pouco, pelos motivos errados. Apesar de Gravity tocar em basicamente uma multitude de séries de TV, e de The Blessed Unrest ter sido indicado a um Grammy de Melhor Álbum do Ano (curiosamente, o disco que menos gosto da moça), hoje Sara Bareilles virou a “cantora da versão oficial de Roar”. O plágio de Katy Perry alçou o single de Bareilles à posição de hit, e é em conversas sobre Roar que o seu nome é mencionado com mais frequência. Mas te convido aqui a colocar um pouco mais de Sara Bareilles na sua vida. O motivo? Bem, porque ouvi-la faz bem.

Conheci Sara Bareilles em uma crise terrível de gripe que me deixou de cama por dias em 2007. Um canal obscuro de clipes na TV por assinatura colocava, todos os dias no mesmo horário, o clipe de Love Song para tocar. Desde então, Bareilles me proporcionou hinos em momentos de fossa (Gravity, Manhattan), de reinvenção pessoal (Uncharted, City), de ironia (Fairytale), de fincar o pé no chão e se impor (King of anything).

Os diferenciais de Sara Bareilles são muitos, mas destaco alguns. Seu estilo de piano pop está em diálogo com algumas das maiores cantoras e compositoras da história do gênero, e é impossível não pensar em Carole King e Carly Simon enquanto você a escuta. O que eu mais gosto em Sara porém é que ela foge da regra das compositoras autorais que falam sobre o amor de uma maneira fofinha e doce. Sara é sarcástica, urbana, moderna, e brinca com clichês de contos de fada e com frases de efeito o tempo inteiro. É auto-ajuda para aqueles que precisam de um pouco de sal no meio do açúcar. 

E acima de tudo, ela nos convida (ou basicamente nos obriga) a sermos corajosos e autênticos – sim, dessa vez, na tal música que levou à toda a polêmica, Brave.

 

Mixtape: descobrindo Srta. Bareilles

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O curioso caso do fanatismo solitário

O curioso caso do fanatismo solitário

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Todo ano, quando chega o mês de abril, uma fase engraçada da minha vida começa. Essa fase envolve muita empolgação e entusiasmo, mas também uma dose moderada de isolamento. Isso acontece por causa do início da temporada do meu esporte favorito… o baseball.

Calma, calma. Respira fundo. Esse não é um texto sobre baseball. É um texto sobre a sensação engraçada que se tem quando você ama alguma coisa que não é compartilhada por absolutamente nenhum de seus amigos, seja essa coisa uma série, um filme, uma banda, ou, como no meu caso, um esporte.

Então, antes que eu comece a sair por aí com a camiseta do meu time após jogos (sempre respondendo que torço para aquele time do filme do Jimmy Fallon com a Drew Barrymore, para facilitar a identificação), resolvi dividir essa relação conflituosa em estágios.

Os estágios de ser fã de algo que ninguém mais gosta são os seguintes:

Negação

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Essa é a fase na qual você fala por horas sobre o assunto no seu Twitter e no seu Facebook, ou em conversas com amigos, ignorando o fato claro de que ninguém sabe exatamente do que você está falando. Frases comuns são “Nossa, que babado aquilo que aconteceu no final do episódio, hein!” e “Você viu que aquele ator vai ser o personagem tal na adaptação do livro?!”.
Você começa, lentamente, a perceber que todas as suas frases não geram respostas e sair do estágio da negação.

Raiva

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Aí você leva um unfollow por falar demais daquele assunto no seu Twitter. Ou um amigo resolve realmente falar “não sei do que você está falando”. Ou pior – se for uma série, ela é cancelada por falta de público. Se for uma banda, ela cancela turnê no Brasil por falta de público. A raiva começa a aparecer.

Negociação

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Por causa da raiva, você começa a tentar convencer os amigos a te acompanharem no fanatismo. Explica tramas, explica regras, escreve textos introdutórios, chama a turma para assistir junto. Dá o livro de presente pro BFF.

Tristeza

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A negociação não rolou. Você tenta abandonar aquilo que adora, falar menos, comemoram menos, reclamar menos sobre o assunto. Mas bate aquele vazio. Aquelas saudades.

Aceitação

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Essa é a melhor fase, a fase que você abraça o clima único de amar aquilo que você ama! Procura comunidades na internet, quem sabe até faz novos amigos. E o mais importante: curtir!
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