Ricki and The Flash – Seus pais também erram

Ricki and The Flash – Seus pais também erram

Desde pequena eu tinha consciência dos problemas que minha família enfrentava, principalmente os problemas financeiros naquela época maluca de plano Collor do início dos anos 90. Nunca vivemos épocas fáceis e isso eu sempre soube, mas apesar das dificuldades meus pais sempre estiveram sempre presentes e faziam tudo parecer fácil e muito natural. No meu mundo de “A Vida é Bela” tudo dava certo, e sabia que eles se sacrificavam para me dar o possível e o impossível para que eu pudesse ter uma infância inesquecível.

Imaginava meus pais como super-heróis: não existia dificuldade que eles não resolvessem com a maior serenidade do mundo e um sorrisão de “vai dar tudo certo” estampado no rosto. Até hoje eu considero isso um dom e aprendi com eles a ver os problemas de forma mais positiva, como um aprendizado mesmo. Se isso não é coisa de super-herói, eu não sei o que é….

Entre todas as lições que aprendi com meus singelos 26 aninhos de vida a mais importante foi reconhecer as coisas que meus pais fizeram por mim. Que eles são pessoas humanas como qualquer outra e, por serem meus pais, muito parecidos comigo mesma (que coincidência, né), tanto nos acertos quanto nos erros. Principalmente nos erros.

Sim, sua mãe cometeu muitos erros na vida

Existem alguns momentos na vida em que nos deparamos com alguns pequenos choques de realidade, como perceber que a sua professora do colégio existe fora da sala de aula, que artistas também passam por períodos de insegurança iguais aos seus, ou então notar que seus pais são pessoas normais.

Sim, todo mundo erra, até seus pais! Esse é um dos passos mais importantes da nossa transição adulta, e muito mais do que ter a consciência disso, aprendi a entender o que se passou e me colocar no lugar deles. Todo mundo faz más escolhas na vida e seus pais não escapam disso. Com o tempo nós percebemos o quanto é difícil crescer e abrir mão de um sonho por outro, pois grandes decisões são complexas e cheias de responsabilidade.

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Quando nós somos crianças só existem duas verdades: o preto ou o branco. Quando crescemos, nós descobrimos toda uma área cinza que nunca nos foi dita, porque éramos “muito pequenos para entender” e nossa cabeça dá um nó nesse processo.

Quando assisti Ricki and the Flash: De Volta Pra Casa me peguei pensando justamente nisso. Ricki, vivida pela maravilhosa Meryl Streep, é uma rockstar que deixa a família em segundo plano para correr atrás dos seus sonhos e, após anos de distanciamento, Ricki tenta se reaproximar dos seus filhos. Muito mais do que a busca por perdão, Ricki busca a redenção pelos seus erros do passado e que, de alguma forma, seus filhos possam incluí-la novamente em suas vidas.

O filme é um choque de realidade numa relação entre pais e filhos e diz muito sobre a importância do perdão, das segundas chances e do quanto tudo isso pode ser delicado. Mas apesar de ser um belo dedo na ferida, o filme trata os problemas com leveza, sem deixar a comédia de lado. Olha só:

O roteiro do filme é da Diablo Cody de Juno e os papeis de mãe e filha ficam a cargo de Meryl Streep e sua filha na vida real, Mamie Gummer. Além da semelhança física as duas são realmente muito próximas fora das telas, por isso, para deixar a relação de distanciamento entre as duas mais real, o diretor Jonathan Demme insistiu que elas não se falassem longe das câmeras.

Aliás, um show à parte é a interpretação da Meryl como rockstar na banda Ricki and The Flash (que mulher, minha gente!). Todas as cenas da banda foram gravadas ao vivo e Meryl aprendeu a tocar guitarra só para interpretar esse papel. Valeu cada segundo, Meryl, a gente agradece <3

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É impossível apagar o passado, mas juntos vocês podem ter algo diferente, que possa te libertar de uma situação mal resolvida carregada por tantos anos dentro do peito. “Todos temos alguma parte do nosso passado que gostaríamos de poder mudar”, diz o diretor Jonathan Demme. Você não pode mudar o que aconteceu e isso é fato, mas nunca é tarde para mudar o futuro e transformá-lo em boas lembranças.

 

Ricki and the Flash: De Volta Pra Casa estreia dia 03 de setembro nos cinemas! ;)
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Moda com atitude? Pode sim!

Moda com atitude? Pode sim!

Encontrar um estilo para chamar de seu, que te faça sentir confortável e ao mesmo tempo confiante, é quase um processo diário. Para algumas pessoas a hora de montar um look e mesclar composições é algo que flui naturalmente, mas para outras nem tanto. Muito mais do que seguir tendências, a moda é auto conhecimento, é encontrar aquilo que nos faz bem por dentro e por fora!

Quando você perde o medo de explorar estilos e testar tudo aquilo que te faz feliz, a parte divertida de se produzir cresce a cada dia. Moda é aquele bichinho que a gente vai alimentando dentro da gente e, em algum momento, deixa de existir só nas referências e nas revistas para virar algo próprio que transmite todo o nosso estado de espírito.<3

A moda vai muito além de roupas e por isso falamos com a linda da Luiza Brasil do Mequetrefismos para o nosso Moda do bem. O blog da Luiza fala principalmente da moda afro mas também das questões sociais que envolvem o assunto. O Mequetrefismos é um canal cheio de atitude, inspiração e que vai muito além da moda.

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Passeando bastante por referências do street e do afro, a Luiza tem um estilo bem próprio. Sua peça preferida do guarda-roupa são as suas disco pants – aquele estilo de calça/legging com tecido grosso e brilhante – e ama criar suas próprias composições.

Muitas vezes a gente pensa em desculpas para não se vestir como gostaríamos por falta de tempo ou de vontade, mas a Luiza dá a dica: seus looks são inspirados no seu humor do dia e no tempo que ela tem para se arrumar. Mesmo com o tempo curtinho ainda dá pra brincar com os estilos e buscar algo que te faça bem, viu?

A internet é um enorme aliado na hora de encontrarmos esses truques para uma produção diferente, independente do tempo que temos para nos dedicar. A moda também é composta desses pequenos detalhes e com o tempo as inspirações deixam de ter um papel principal no seu estilo para se tornarem personagens secundários. “Inspirações são super importantes para te dar um “norte”, mas é bacana quando o seu lado autoral fala mais alto!” conta a Luiza. Não tenha medo de tentar coisas novas e buscar referências diferentes para montar algo seu. Afinal, estilo é algo muito pessoal e especial para cada um.

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Luiza já trabalhou ao lado da Costanza Pascolato, ícone de elegância e estilo brasileiro. No começo, a Luiza contou que se sentiu insegura por estar ao lado de uma referência tão grande no mundo da moda usando seus sneakers e looks com um toque de sportswear. Mas com o tempo as duas aprenderam uma com a outra e Costanza até brinca que a Luiza é a sua “assessora para assuntos de estética étnico-tribais e movimentos contemporâneos”. :)

Estilo é algo que começa dentro da gente e a moda é uma parte dessa jornada: “Antes de descobrir seu estilo, aprenda a se amar do jeito que você é, que esse encontro com quem você é acontece naturalmente.” Quando nos conhecemos melhor a liberdade do estilo é consequência .

Acompanhem o perfil da Luiza no Dujour - o aplicativo de moda feito para você se inspirar em pessoas cheias de estilo próprio – onde ela posta todos os seus looks inspiracionais e contagiem-se com esse amor pela moda e por você mesma! ♥

Baixe o aplicativo do Dujour e se inspire! Para Iphone: App Store | Para Android: Google Play

 

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Representatividade feminina no esporte

Representatividade feminina no esporte

Aqui no Indiretas do Bem nós somos, também, uma inspiração umas para as outras. E dessa vez, a minha colega Duds Saldanha foi quem me inspirou a dar continuidade a seu último post, sobre a importância da representatividade racial na cultura pop, especialmente na cultura pop direcionada às crianças, que querem se ver na tela.

A questão da representatividade afeta a vida de todo mundo, e afetou bastante a minha infância por causa do meu amor por uma coisa muito específica: o esporte. Desde pequena, eu não simplesmente pratico esportes (apesar de que uma Hérnia está me levando já pro 5o ano de sedentarismo) – eu os acompanho vorazmente na TV, na internet, ao vivo. E não é só o meu time de futebol do coração não (esse, por tudo o que já me ensinou de superação na vida, mereceria um post só dele, afinal ser Atleticana é uma escola de otimismo). Eu gosto de esportes olímpicos, baseball, futebol americano, já joguei vôlei e basquete, já pratiquei escalada, tive times no Cartola e hoje estou em ligas de Fantasy Football…a lista é praticamente infinita e entediante para quem não curte o assunto. E acreditem: crescer como uma menina que gosta (e entende tanto quanto os meninos) de esportes não foi fácil.

A sociedade brasileira ainda vê o esporte como algo incompatível com a ideia de feminilidade. Gostar de rosa, pop fofinho e também de ver jogos da NFL é quase inconcebível para muita gente.

Isso não acontece por acaso. Qual foi a última vez que você viu uma mulher como comentarista ou participante de uma mesa redonda no seu canal de esportes favorito? Ou quantas pessoas assistiram à final da Copa do Mundo de Futebol Feminino?

Na minha infância, duas figuras foram importantes para a minha representatividade: Melanie C, que tinha a posição de Sporty Spice nas Spice Girls, e Ice Box O’Shea, a protagonista do filme Pequeno Grande Time (que ainda terminava o filme com o menino fofo de Gasparzinho). Essas garotas me faziam olhar para a tela e acreditar que meninas que gostam de esporte não eram como um unicórnio. Eu não era a única. Ufa.

Mas agora o jogo está bem diferente (de virada é melhor?) e estamos vendo muita evolução. Neste ano foram confirmadas assistentes técnicas em um time da NFL, comentaristas da NBA e uma mulher está inscrita para entrar na liga de Baseball masculina dos EUA. O tenista Andy Murray é treinado pela ex-tenista Amelie Mauresmo. Odeio lutas, mas Ronda Rousey está se transformando em uma celebridade global. E os gols de Carli Lloyd no futebol feminino… bem, não dá para discutir com eles. Tudo isso fala por si.

Se você gosta de esporte, essa é a sua hora, jovem garota. Não desista do sonho de escrever para um portal do tema, entrar para o time da sua emissora favorita, treinar o seu time do coração ou arrasar nas quadras.

Tem muito jogo pela frente.

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Respeito, amor próprio, direitos e dignidade

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Já falamos muitas vezes aqui no Indiretas como uma visão mais feminista e cheia de igualdade pode mudar a vida de muita gente, a começar por nós mesmos. A mineira Carol Rossetti sentiu isso na pele quando suas ilustrações em uma página na internet começaram a ganhar visibilidade e espaço no coração de várias pessoas.

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O projeto, que, segundo Carol em seu site, “surgiu de forma espontânea e despretensiosa”, começou com a personagem fictícia Marina, e foi ganhando personagens e situações ao longo de muito tempo de trabalho, ganhou um nome –”Mulheres”–, e um livro publicado pela Sextante.

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Todas as imagens passam uma mensagem extremamente positiva, e num tom bem amigável e de conversa, que bate na tecla do controle que a sociedade tem sobre o corpo das mulheres, sobre suas relações sexuais, sobre o jeito que ela pensa e sobre a sua liberdade de escolha. Sobre sua identidade.

É importante dizer que, ainda segundo Carol, seu projeto tem um viés interseccional pelo qual ela mesma optou, como forma de abranger todo tipo de problemas que as mulheres se identificam –todas as mulheres, as cis e as trans. “Mas não basta discutir exclusivamente as questões que afetam um grupo específico de mulheres. É preciso também discutir racismo, homofobia, bifobia, transfobia, elitismo, xenofobia, opressão contra pessoas com deficiências físicas. A luta por igualdade e respeito é muito ampla e deve ser inclusiva.

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O grande objetivo do projeto é conscientizar as pessoas e motivar a identificação, seja de homens ou de mulheres. “Lembro que, quando eu era criança, era comum que os filmes/livros/animações protagonizados por personagens femininas fossem vistos como ‘para garotas’, enquanto que as histórias com personagens masculinos eram ‘para todo mundo’. Não é porque minhas protagonistas são femininas que este é um projeto apenas ‘para garotas’.

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Parabéns, Carol! Continue mudando o mundo, um desenho de cada vez!

* Se você quiser saber mais sobre o trabalho da Carol ou sobre ela, vá até o site ou curta a página do Facebook.

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Todos merecemos ser uma princesa

Todos merecemos ser uma princesa

Faz apenas algumas semanas que o mundo voltou os olhos para a Disney mais uma vez, já que na D23, o estúdio anunciou que Moana, a primeira princesa polinésia, teria seu lançamento adiantado de 2018 para 2016 devido –pasmem!– a pedidos do público. Quem somos nós para reclamar?

Moana é de descendência polinésia e, na história, ela sai em busca de auto-conhecimento e pronta para explorar o mundo novo chamado Oceania. Nessa aventura, ela junta-se ao lendário semi-deus Maui (que segundo as minhas pesquisas é bem badass), e encontra-se com criaturas marinhas, mundos no fundo do mar e folclore antigo.

Para você, ser humano de pele branca, isso pode não parecer muito. Isso quer dizer que você cresceu podendo se fantasiar de qualquer príncipe e princesa que quisesse. E isso é ótimo! Só é um problema quando as criancinhas negras, pardas, mestiças e asiáticas não conseguem ter a mesma identificação. E todos merecemos ser uma princesa.

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A Moana não é a primeira a quebrar o molde, e pensando nisso, nós separamos uma série de personagens que são responsáveis por fazer brilhar os olhinhos das crianças que até aquele momento não se sentiam devidamente representadas.

Pocahontas (1995)

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O girl power chegou ainda tímido na Disney através da poderosa Pocahontas, que representava toda uma cultura de índios americanos que se encontraram com colonizadores ingleses pela primeira vez. Pocahontas era uma guerreira que defendia sua tribo e sua crença. Entendemos que ao encontrar o amor em John Smith esses valores entraram um pouco em conflito, mas o importante é que com certeza uma criancinha descendente de índios americanos ficou muito feliz.

Mulan (1998)

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Fa Mulan foi a primeira princesa da Disney a oficialmente questionar valores que até então, para mulheres, vinham sendo reproduzidos como uma fita cassete sexista quebrada: seja linda, seja educada, ache um bom marido, seja uma boa esposa, uma boa filha, tenha filhos, seja feliz para sempre.

Mulan não apenas foi para a guerra disfarçada como um homem depois de, aos olhos da sociedade, desonrar sua família ao provar que não era boa suficiente para ser uma esposa e ter outras prioridades na vida. E ela fez tudo isso sendo chinesa. Não européia ou americana. Chinesa. Que tal isso?

Tiana (2009)

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A mini-Duds e muitas outras crianças como ela tiveram que esperar mais de 10 anos depois da Mulan para se sentirem representadas e terem sua vez de princesa. Tiana, mais moderna –podem residente de uma jazz-y e antiga Nova Orleans–, mostrou o lado feminino que eu e muitas outras, no começo de nossos pensamentos já feministas e empoderadores, estávamos loucas pra ver: trabalhadora, dona de si. Um filme onde o “felizes para sempre” tinha como prioridade a sua felicidade individual antes de tudo.

Eu de verdade não sei nem descrever como eu me senti, já com 16 anos, ao ver no cinema uma princesa que finalmente me representava.

Miles Morales (2011)

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Porque essa lista não é feita de apenas meninas, é interessante falar do “caso Miles Morales.” Em 2011, Miles surgiu pela primeira vez no mundo alternativo dos quadrinhos para ser o próximo Homem-Aranha após a morte de Peter Parker, mas até então ninguém dava muita atenção para ele, já que ele é um alternativo. Durante um tempo, Miles foi apenas um “jeitinho” que a Marvel encontrou para dar visibilidade e representatividade para crianças de cor.

Então, em 2015, a Marvel fez o re-branding de sua marca e, com esse re-branding, a ideia de diversidade estava em cada canto do novo projeto. Um dos seus anúncios foi que Miles passaria a ser o Homem-Aranha “oficial”, parte do elenco principal de heróis do estúdio. E uma das justificativas para isso foi, segundo o co-criador de Miles, que “nossa mensagem deve ser de que esse não é um Homem-Aranha asterisco, é o Homem-Aranha real para as crianças de cor, para os adultos de cor e para todo o resto do mundo.

Essa lista mostra o quanto é importante que meninos e meninas se sintam representados nos grandes ícones que vemos na televisão ou no cinema. É importante que as crianças e até mesmo os jovens cresçam sabendo que não precisam ser “uma versão negra ou asiática da Ariel” (embora possam, claro, se quiserem), elas podem ser a Mulan. Elas podem ser a Tiana. Elas podem ser a Moana! Elas podem ser o Miles Morales!

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Tardis musical com Beirut, John & Jacob e The Deslondes

Tardis musical com Beirut, John & Jacob e The Deslondes

Eu cheguei atrasada na moda de Doctor Who – estou ainda assistindo a segunda temporada da fase contemporânea, a primeira protagonizada por David Tennant – mas não existe atraso em uma série que coloca o tempo como relativo e elástico, né?

Infelizmente (ou felizmente, afinal lidar com todos aqueles furos no contínuo espaço-tempo sem a ajuda do Doutor seria bem difícil) a Tardis, máquina do tempo da série, não é real. Ainda não é possível, em instantes, viajar pelo espaço e pelo tempo, indo visitar países e continentes diferentes em épocas diferentes… exceto, é claro, com a imaginação.

Foi pensando em Doctor Who que comecei a listar as pequenas Tardis que nos levam para outras realidades e nos colocam em contato com tudo que é distante, seja geograficamente (outra cultura) seja temporalmente (outra época). Sabe aquele papo de sentir saudades de uma época que nem vivi? É, exatamente isso.

Resolvi levar vocês para um passeiozinho de Tardis com duas bandas.

A primeira é uma grande conhecida do público brasileiro, a banda Beirut de Zach Condon. A Beirut leva esse espírito viajante bem à sério, colocando diferentes cidades e países como nomes de músicas e fazendo covers de sucessos exóticos de outros países, como a nossa O Leãozinho de Caetano Veloso. Sua música novinha segue a mesma fórmula. Gibraltar, território da Inglaterra localizado na península ibérica (ali pertinho da Espanha), é o espaço que empresta o nome para essa nova música, que traz influência do pop africano especialmente na percussão.

A nostalgia da Beirut combina com vídeos de família e de viagens, momentos grandiosos, férias bem aproveitadas. O melhor exemplo desses é o do clipe de Postcards from italy.

Já a viagem da dupla John & Jacob é um pouco diferente. Suas letras são simples, menos poéticas, cheias de pequenas histórias de amor e resolução. Mas a mistura dos rapazes, que vai do country dos Everly Brothers ao indie-folk do Mumford and Sons passando pelo pop digno de boy bands como One Direction. Comece pela música deles que foi parar na trilha sonora da série Nashville (minha amada série Nashville), a fofinha Be My Girl.

Se você gostou do trompete no primeiro vídeo, seu coração vai parar pela gaita estilo Beatles de Ride with me.

Só para não dizer que fiz um post sobre os sons distantes do passado sem nenhuma música com mais de 10 anos de idade, fica aqui, no encerramento, o cover dos meninos do John & Jacob para o clássico de Roy Orbison e trilha sonora do romance entre Julia Roberts e Richard Gere no cinema.

A última sugestão dessa viagem nos coloca no sul dos EUA, lá pelos lados de New Orleans, na época dos carros conversíveis e topetes com brilhantina. O grupo The Deslondes bebe bastante nas influências do rock dos anos 50 e toca suas canções apenas com instrumentos à moda antiga. Como resistir?

Que música te faz embarcar em uma viagem pelo tempo?

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Backstreet Boys e gente que tem amigos-irmãos

Backstreet Boys e gente que tem amigos-irmãos

 

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Depois de passar o final de semana inteiro assistindo todas as séries e filmes existentes na Netflix (ok, um pouco de exagero) resolvi me aventurar pela sessão de documentários e acabei encontrando um sobre a minha banda favorita da adolescência, os Backstreet Boys. <3

O documento chamado “Show Em What You’re Made Of ” conta não só a historia da banda, mas revisita a infância de cada um dos cincos integrantes além da produção do disco novo e turnê de comemoração aos 20 anos dos Backstreet Boys. Sim, vocês acreditam que a banda já tem VINTE ANOS?

Assistindo ao documentário depois de adulta consegui perceber muitas coisas sobre eles que não conseguia perceber naquela época. No auge dos meus 8/9 anos não entendia muito bem as letras nem o quem eram realmente aquelas pessoas, mas tinha certeza apenas de uma coisa: um dia eu iria casar com o Nick e minha melhor amiga com o Kevin e seríamos todos felizes para sempre hahaha! É engraçado, quando nós crescemos as pessoas parecem perder um pouco daquela aura de intocável que nós tínhamos na nossa cabeça e elas se tornam pessoas comuns.

Me emocionei, lembrei muito da minha infância e da minha adolescência e do quanto eles foram importantes pra mim naquela época. Lembrei dos pôsters que eu colecionava na minha parede e também das infinitas discussões sobre quem era o integrante mais bonitinho da banda. Quantas lembranças eu tenho dos meus recreios dançando Everybody ou Stop das Spice Girls? Aliás, a Ana falou aqui sobre o documentário das meninas que também está na Netflix e recomendo MUITO. Leiam aqui!

Foram muitas memórias e só quem viveu nessa época sabe do que eu estou falando: esse é um daqueles documentários obrigatórios para qualquer menina que viveu a adolescência das boybands como eu. É impossível assistir ao doc sem cantar junto, reviver as músicas, rir e se emocionar muito com a carreira dos meninos. Mas o que mais me tocou foi algo que não vi com tanta força na carreira das Spice quanto vi aqui: a relação de família entre eles.

Pensando nisso resolvi listar as coisas mais legais que existem em uma relação entre amigos-irmãos, vamos lá:

Nos tornamos pessoas melhores quando estamos cercados pelos nossos amigos

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Logo que começaram a carreira, o produtor Lou Pearlman percebeu algo único: as vozes dos meninos exerciam uma força incontestável e quando cantavam todos juntos, pareciam que se complementavam e viravam algo ainda maior e mais poderoso.
Aliás, a importância da voz para a banda é quase um sexto membro: desde a disputa pela liderença vocal no início da carreira até os problemas de voz que o Brian enfrenta atualmente – fica claro como isso é um problema para a volta da banda e como desestabiliza a relação entre todos eles.

Amigos nos ajudam a manter a positividade até nos momentos difíceis

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Kevin sempre foi o mais velho do grupo e por isso acabou, naturalmente, criando uma postura de irmão protetor para manter a banda em harmonia. No doc nós vemos o Kevin incentivando os meninos a continuarem e não desistirem no meio do caminho, por mais difícil que possa parecer. Irmão mais velho é aquele que cuida, protege, mas também é o primeiro a sair de casa conforme os anos se passam.

Apesar da distância, você sente que nunca estiveram realmente separados

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Sabe aquele amigo que você raramente encontra, mas quando vocês se falam parece que o tempo não passou? Com os Backstreet Boys não é muito diferente. A química entre eles é bem clara no documentário – que foi gravado por quase dois anos – e nós percebemos como o tempo é só um detalhe quando estamos cercados das pessoas que nos fazem bem e deixam nossa vida ainda melhor.

Amigo que dá bronca porque ama

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Quando a gente gosta de alguém queremos o melhor para ela, nem que isso signifique dar umas broncas de vez em quando. Todas as vezes que os meninos estavam no fundo do poço, os outros estavam logo ali para estender a mão. Foi assim quando AJ entrou num coma por uso de cocaína, quando Nick estava se afundando em drogas e álcool e é isso que vemos acontecer quando Brian passa por problemas vocais e se recusa a procurar ajuda e acompanhamento médico. Uma hora Brian fala para os amigos: “por mais que vocês dependam de mim para o grupo continuar, por mais que existam agentes, gravadoras e muitas pessoas que dependam de mim para viver, eu preciso fazer isso por mim, para me sentir melhor comigo mesmo”. Você percebe que esse tipo de situação só muda quando você realmente aceita que ela deva mudar por você e mais ninguém.

Juntos não existe mal nenhum

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Como já diria nossa querida Xuxa, todos somos um e quando estamos juntos, tudo é possível! O ritmo surreal de shows, turnês e gravações que os meninos enfrentavam no auge da carreira era exaustivo e após mais de 9 anos em turnê ininterrupta, a banda precisou desacelerar. Às vezes a gente esquece que aquelas pessoas são só pessoas normais que também tem seus problemas, inseguranças, visões de mundo. A banda enfrentou muita coisa junta como um produtor explorador, problemas com drogas e não desistir da carreira mesmo sem uma gravadora. Mas apenas do hype ter passado, eles continuam acreditando que unidos eles são uma espécie de super força, não só profissionalmente quanto pessoalmente. Juntos tornam pessoas melhores! Em um momento eles falam: “nós somos um grupo de homens velhos numa boyband, mas e daí? É isso que nos faz feliz e é isso que nós vamos continuar fazendo.”

 

“Show Em What You’re Made Of ” é um documentário pra quem é fã sim, mas para ser encarado com maturidade: tanto nossa que agora crescemos e conseguimos entendê-los melhor quanto eles próprios que conseguem olhar a carreira e suas vidas de maneira mais crítica, realista e acima de tudo, sem deixar os sonhos de lado.

 

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Livros pra mudar o meu mundo e o seu

Livros pra mudar o meu mundo e o seu

Nós passamos por diversos períodos de mudanças na nossa vida, e isso é tão natural que é recomendável, já que o jeito como percebemos o mundo ao nosso redor muda quase tão constantemente como o próprio mundo.

Nada mais plausível, então, que esse tipo de mudança se refletisse na literatura. Livros conhecidos como YAs (young adults, ou infanto-juvenis) e os de coming of age (que representam a transição da infância/adolescência para a vida adulta) passaram a fazer parte do quadro de leitura de muita gente, e não importa a época, você sempre vai se identificar com um livro que te abrace e diga pra você que mudar é bom, é saudável, é necessário e acontece com todo mundo!

Pensando nisso, selecionamos alguns livros pra você que é jovem (ou nem tanto), está passando por mudanças e quer mudar o mundo.

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O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger

O livro de Salinger é considerado o primeiro livro de coming of age, tendo sido inicialmente publicado para adultos e causado muito ~burburinho~ por conta disso. No livro, nós acompanhamos Holden Caulfield, um adolescente de 17 anos que está passando por um momento que a maioria de nós conhece muito bem: decidir o que exatamente você quer da sua vida. Ele decide então fazer uma pequena viagem pegando um “atalho” e no caminho, ele reflete sobre a sua vida, sobre o futuro e sobre o agora.

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Depois dos Quinze – Bruna Vieira

Eu, pessoalmente, comprei esse livro quando estava no último ano da faculdade e precisando de um empurrãozinho sério para dar continuidade a toda a loucura que aquele ano estava se tornando, e deu certo –inclusive recomendo. O livro da Bruna é uma seleção de contos que falam não apenas sobre ser adolescente, sobre romances e sobre estar no pico dos seus hormônios: fala também sobre perdoar-se, sobre perdoar os outros e sobre perdoar todas essas mudanças que acontecem dentro da gente e que nem sempre (quase nunca) podemos controlar. Esse livro te ajuda a mudar a forma como você vê o mundo e você mesmo.

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Extraordinário – R. J. Palacio

É quase impossível falar sobre mudar o mundo e não falar sobre esse livro, que mudou e tem mudado o mundo de muita gente através do Auggie, um menino de 10 anos que sofre de uma deformação facial devido a vários problemas de saúde que resultaram em várias cirurgias, de modo que sempre que ele chega em um lugar as pessoas olham pra ele e às vezes são bem maldosas. Ler esse livro numa época em que você está pensando em mudar o mundo é colocar-se no lugar do Auggie diversas vezes, ver como crianças podem ser cruéis, mas também como elas podem ser maravilhosas.

05

Eu Sou o Mensageiro – Markus Zusak

Sou bem suspeita para falar sobre esse livro já que ele é meu livro favorito e que mudou meu mundo de muitas formas. O livro, que acompanha a história do taxista Ed Kennedy de 19 anos, é perfeito para aquele momento da vida em que você tem que dar um passo pra trás, olhar onde você está e o que você já fez da sua vida até agora. No começo do livro, Ed cita algumas personalidades que já haviam mudado o mundo aos 19 anos e questiona o que ele mesmo está fazendo e o quão dispensável sua vida se tornou. Então, ele recebe, por correio, uma carta de baralho com alguns endereços e a vida o dá uma missão: ser um mensageiro, e, em suma, mudar o mundo. O livro é inspirador de diversas formas, e faz com que você termine o livro com vontade de fazer várias coisas.

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Daytripper – Fábio Moon e Gabriel Bá

Essa HQ é uma das minhas favoritas e talvez seja a epítome dessa lista. A obra consegue levar o leitor em diversos momentos da vida de Brás de Oliveira Domingos, onde ele está sempre vivendo o último dia de sua vida, de várias formas diferentes. A HQ nos dá uma visão privilegiada do tipo de vida que uma pessoa pode ter caso siga diferentes caminhos apresentados ao longo da vida –é a versão em quadrinhos da pergunta “e se?”, onde você aprende que o importante não é com quem você vive ou como você morre, e sim o impacto que você deixa na vida dos outros e as coisas que você faz para fazer do mundo um lugar melhor, seja para si mesmo, seja para seu parceiro, seja para seus filhos.

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Livro do Bem

Durante boa parte da minha vida como leitora eu fui de escrever nos livros e fazer marcações de determinados trechos que seriam bons para lembrar depois, e muitos desses trechos me ajudaram a superar diversos momentos da minha vida. Então, foi com muito amor no coração que eu abracei os livros interativos quando eles chegaram ao mundo, especialmente livros como o Livro do Bem, que enchem seu coraçãozinho de felicidade e te ajudam a mudar alguns aspectos da sua vida e aceitar que algumas coisas podem ser controladas por você, e outras não.

É bem comum que a gente se perca ao longo da vida, e que cheguemos em encruzilhadas que nos colocam em situações onde a gente precisa tomar uma decisão importante.

Seja no começo da sua vida adulta, no meio ou até mesmo no final dela, é sempre importante saber que você ainda tem o poder de mudar o mundo –o seu e o dos outros.

Acha que faltou algum livro nessa lista? Deixa nos comentários, vamos conversar!

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No Dia Mundial da Fotografia, vá além do instagram

Dezenove de agosto é o Dia Mundial da Fotografia, a arte que mudou a maneira com a qual o ser humano enxerga o mundo. Com a fotografia, o distante pode se tornar próximo da gente, eventos históricos puderam ser vistos até por aqueles que nasceram depois deles, e a nossa memória se tornou bem mais visual. Hoje nos divertimos com a fotografia, mas também é legal, no meio de tantas selfies lindas e registros da nossa vida, conhecermos o trabalho de pessoas que fizeram da arte de fotografar uma profissão e parte da história do planeta.

Ninguém é imparcial na vida, então começo minhas sugestões com meus queridinhos. Como eu estudo história e cultura dos EUA, os meus fotógrafos favoritos são aqueles que retrataram as ruas e pessoas do país em seus momentos mais difíceis. Dorothea Lange e Walker Evans fotografavam as famílias que sofreram com a depressão de 1929 no interior dos EUA, e inspiraram o brasileiro Sebastião Salgado em uma fotografia mais social e engajada. Robert Frank mostrou o que era ser americano com jukeboxes e festas, e William Eggleston revolucionou a fotografia com cores vivas e lindas.

Se você gosta de paisagens, Ansel Adams é a melhor pedida para você – o pai da fotografia de paisagens americanas. A natureza também é o foco das competições anuais da National Geographic Society, e a revista NatGeo é uma pedida certeira

Diane Arbus, retratada por Nicole Kidman no filme A Pele, era atraída por tudo que é diferente e fotografava as pessoas nas margens da sociedade “comum”. Para quem gosta de moda, dois nomes extremamente importantes são Richard Avedon e Patrick Demarchelier. Já Annie Leibowitz (que recentemente fotografou Caitlyn Jenner para a capa da revista Vanity Fair) faz a sua fama reinventando a cultura pop e fotografando celebridades em situações inesperadas.

Cartier-Bresson e Brassai são dois mestres franceses imperdíveis. Ninguém foi capaz, na história, de capturar a poesia em cada momento da vida cotidiana como Cartier-Bresson, e se você acha Paris, a cidade-luz, um lugar maravilhoso, você tem que vê-la nas fotografias noturnas belíssimas de Brassai.

Mas o seu amor é a música? OK então! Anton Corbijn (também diretor de filmes como Control e o ainda inédito Life) é o fotógrafo oficial de bandas como U2 e R.E.M., além de ter tirado retratos famosos de outros artistas como Keith Richards e David Bowie, tudo em belo preto & branco. Autumn De Wilde já é uma amante das cores, e fotografa bandas como The Decemberists, She and Him e Wilco, e artistas como Jack White, Beck, Elijah Wood e Lena Dunham. Mas essa fotografia abaixo, em belo P&B, é de Autumn – registrando um dos seus artistas favoritos, e amigo pessoal, Elliot Smith.

Cansou de olhar o trabalho dos outros? Aí eu te pergunto… qual foi a última vez em que você saiu por aí apenas para tirar fotos? Hoje em dia tiramos fotos todos os dias e em todos os lugares. Não deixamos passar um pôr-do-sol ou ipê florido ou momento com os amigos. Mas raramente saímos com o objetivo de observar o mundo e tentar achar a beleza nas coisas, e capturar essa beleza. Essa é a nossa proposta para você por hoje: saia por aí, veja os prédios e praças de seu bairro, as pessoas que te cercam, e click-click.

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Se aventure e conheça a música de outras partes do mundo

Se aventure e conheça a música de outras partes do mundo

Sou da geração que já começou cedo, nos primeiros anos de colégio, a aprender inglês e espanhol – essa geração treinada para ter vários cursos no currículo, esportes e hobbies. Por esse motivo, raramente tenho a chance de ouvir uma canção e não fazer a menor ideia do que está sendo cantado em sua letra, tirar conclusões apenas pelo ritmo, ou buscar a ajuda de sites de letras e do Google Translate. Afinal, grande parte do que consumimos hoje, em música, é cantado em inglês, espanhol ou na nossa própria língua, o português.

Esse é um pequeno relato sobre como, em uma semana, a internet me forçou a sair dessa zona de conforto e escutar outros sons, outras línguas. Tudo começou com essa música:

Calma, você leu certo: essa música é em inglês mesmo. E foi um filme de um dos meus diretores favoritos, Joe Swanberg, que me apresentou a ela – o filme Happy Christmas, com Anna Kendrick e Melanie Lynskey. Esse é um post sobre música, mas se você estiver procurando uma dica para um cineminha em casa, anota aí.

Joel Alme é um sueco que, em grande parte de sua carreira, canta em inglês (como outros artistas do seu país também o fazem – Cardigans, Abba, Mando Diao, Roxette, Peter Bjorn and John e a lista nunca terminaria). Mas como eu estava viciada em seu som, resolvi ouvir um disco que Joel gravou em sueco, a língua que eu sempre achei bem estranha enquanto via filmes do Bergman. E não é que dá música boa?

Bem, parece que o Spotify captou minha ousadia, e resolveu me sugerir uma banda de indie-rock austríaca na nova playlist criada pelo serviço, a Descobertas da Semana. Ouvi por curiosidade a música sugerida – e em instantes, já estava clicando na banda para ouvir tudo o que estivesse disponível. O nome da banda é Wanda, e a melhor descrição que eu consigo pensar é: um Libertines em alemão.

Eis que a internet opera mais uma vez, e enquanto eu via os clipes da Wanda, o Youtube me sugere uma tal de Team Amateur. Julgo o livro pela capa e curto extremamente a capa do disco do grupo, então, porque não clicar? E não é que agora essa jornada tinha me levado para Berlim, para um som bem dançante que não faria feio perto de um El Camino do Black Keys? Não parece algo que tocaria nos fones do Wolfgang de Sense8?

Essas foram as minhas descobertas – e agora pretendo passear musicalmente ainda mais pelo mundo. Tem alguma música pra me apresentar? Pode ser de qualquer CEP!

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