Ainda somos os mesmos?

Não, até que mudamos muito. Mas vivemos muitas vezes como nossos pais.

Você deve se lembrar daquela pré-adolescência chata, aquele período em que você não quer ser deixado na porta do colégio para não “queimar seu filme”. Eu estava me lembrando dessa época agora mesmo. Nessa época, eu ouvia Nu Metal e Emo – quanto mais gritos melhor – e se ouvia um elogio em relação a minha roupa, vindo de um adulto da família, era bem provável que aquela roupa entraria na minha lista negra. Em menor ou maior grau, todos nós passamos por uma fase de rebelião juvenil, uma época em que queremos nos diferenciar o máximo possível dos nossos pais, e declarar nossa própria identidade. Como diria Will Smith, “Parents just don’t understand“.

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Agora estou chegando ao meu aniversário de 24 anos. E estou escrevendo esse texto ouvindo Simply Red.

A primeira coisa “de velho” que eu jurava odiar e descobri, com a idade, que amava, era esse tipo de música de rádio-de-mãe (pra evitar falar exatamente o nome da rádio, mas todo mundo aqui sabe). Descobri que adorava esse soft-rock ou pop de cafeteria mais ou menos aos 17 anos, quando uma virose me fez passar um longo período entediada em casa, e sintonizei a rádio em um belo “No Fundo do Baú”. Hoje, a paixão é tanta, que tenho uma mixtape enorme dedicada ao gênero no Grooveshark.

Outra coisa que eu jurava odiar era um dos filmes favoritos da minha mãe, “Cinema Paradiso”. Na adolescência, falava que o filme era arrastado e sentimental, e rolava os olhos quando ela dizia que ia o assistir. Hoje em dia é um dos meus 20 filmes favoritos, e eu choro compulsivamente quando o assisto.

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Quem nunca disse “URGH, VERDURAS” quando era pequeno? Hoje, se me aparecerem com um risotto de espinafre, não vai sobrar um grão no prato (mesmo que a alimentação saudável ainda é algo para qual torço meu nariz drasticamente).

Você também aprendeu a amar algo do “mundo adulto” que quando era jovem, jurava odiar como forma de rebeldia? Se sim, conte a história para mim. Podemos discutir isso ouvindo um Phil Collins e chamando Pasta de Dente de Dentifrício.

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10 comments

  1. Esses dias estava conversando com uma colega de trabalho, que poderia ser minha mãe e é totalmente esse post!
    Comentei com ela da “Radio de mãe” que eu odiava quando tinha 10 anos, e hoje quando ouço rola aquela identificação deliciosa que só pessoas mais velhas sentem. Tenho 24 anos e estou louca para achar uma balada flash back anos 90 para eu dançar aqui na cidade, minhas Spice, Britney virgem e Backstreet Boys, vai entender? Tudo muda, e ao mesmo tempo nada muda! Fico pensando no dia que ouvir a noticia que algum cantor pop da minha adolescencia morreu e minha filha perguntando quem é, eu explicando e vendo a cara de “away” dela. É, quem nunca passou por isso.. passará! Bjos

    http://inspiracaoretro.blogspot.com.br/

  2. Vanessa Mendes

    Putz! Eu me identifiquei muito quando você falou dos gêneros musicais antigos… Quando eu tinha 15/16 anos não queria nem saber das musicas da minha mãe… Hoje me derreto toda quando escuto “Easy – Lionel Richie”… As coisas mudam meesmo!

  3. Eu só tenho de 16 anos, mas já dá pra ver que na vida tudo é passageiro. Quando ero mais nova detestava filmes de drama, achava chato e arrastado, hoje é meu gênero favorito. Sempre gostei de ler, mas jornal não fazia mesmo o meu tipo, hj eu não posso ver um jornal que dou um jeito de ler. Já detestei café e hj tomo uma garrafa sem perceber. O tempo passa, a gente muda e começa a entender o mundo e as pessoas.

  4. Nilian

    Poxa vida… as fases passam, os tempos mudam para cada um individualmente.
    Hoje tenho 33 anos e me lembro perfeitamente de cada coisa das quais você falou acima e ainda de mais varias… como usar somente preto ou somente branco.
    Tenho um enteado de 17 anos e percebo nele exatamente essa fase, a necessidade de ser e se mostrar adulto e independente.
    Os apetrechos de cabelo, orelhas e afins….
    Saudade dos meus 17?! Acho que nem tanto assim…
    Muito bom seu texto!!!

    1. Rodolfo Gustavo

      Bom dia!

      Mudamos a todo momento, mudamos quando achamos necessário, e mudamos quando é preciso mudar e mudamos quando somos obrigado a mudar, tenho 28 anos e sempre fui chamado do amigo de alma velha, nunca fui de aderir as modinhas da época, nunca fui aquele adolescente rebelde que queria demonstrar as carências chamando a atenção dos pais.

      Perceber que você mudou vai muito mais além do que mudar o estilo musical, ou o tipo de comida, entre mudar e amadurecer tem uma “enooooorme” diferença, mas mudamos nossas atitud, nossos pontos de vista e nossas opiniões sobre determinados assuntos, a essência realmente não muda, mas nossa personalidade vai se moldando de acordo com as situações em que nos deparamos na vida, seja elas boas ou ruins.

      Mais importante do que mudar é amadurecer e isso nem todos conseguem mesmo tendo 100 anos, amadureça e mude não só você, mas mude o mundo ao seu redor, com bons exemplos.

      Um abraço!

  5. Pryscilla

    É bem isso mesmo, a gente começa a apreciar a felicidade dos pais, a ter uma noção beeeeem diferente de futuro e uma tranquilidade com a vida que cresce cada vez mais com o passar do tempo, na verdade isso é um amadurecimento que chega antes pra uns, depois para outros e não é que nós tenhamos mudado acredito que a essência é a mesma, mas a visão sobre as coisas e pessoas, aaah essa muda bastante!

  6. Juci Lima

    As vezes penso que esta geração não tem nada haver com tudo de bom que vivenciei na minha juventude, estou com 41 anos e sempre falo que os anos 80 e 90 foram as melhores épocas da música,ouvia legião Urbana,U2, Extreme com seu jeitão heavy Metal e Hard Rock que eu tanto amava, (e amo ainda),eu curtia, e minhas irmãs mais novas faziam biquinhos,não gostavam e tals, eu sempre falava:Um dia vocês irão amar Legião tanto quanto eu,Um dia vocês irão gostar e entender do que eu falo.Não deu outra, hoje os filhos delas curtem, a minha filha de 21 anos ama as músicas,e tudo de bom que a nossa geração já curtiu.”Não somos os mesmos,mais vivemos como os nossos pais”.

  7. Karine Boldrini

    Nossa!!Muito show esse post. Tenho 20 anos e a maioria dos meus amigos, colegas, conhecidos tem no minimo 10 anos a mais do que eu, isso quando não tem mais que o dobro. Nunca fui de aderir a modinhas ou momentos, hoje eu sento e ouço a “Rádio de mãe” aqui de Floripa e sou criticada por muitos porque ouço velharia, mas a verdade é que gosto dessas velharias, elas me fazem imaginar um tempo que não vivi. Mudamos constante mente, mesmo que seja inconsciente. Só sei que tudo o que vivemos hoje, daqui uns 15 anos vai servir de exemplo para os tampinhas de hoje.

  8. *Ana Clara, boa tarde !!!

    *Garota, tenho 54 anos de idade, sou professora numa escola pública do Estado de SP, sou mãe de dois jovens

    e me considero uma “tia moderna” e, às vezes, ainda !!! O.O , uma verdadeira ADOLESCENTE !!!

    *Clarinha, (posso chamá-la assim ?! ), não chamo pasta de dente de DENTIFRÍCIO e não sou

    apaixonada por uma alimentação saudável !!! Todavia, concordo contigo !!!

    *Realmente, mudamos e … isso acontece até o último dia de nossas vidas e … creio que

    se não for assim, não estamos vivendo !!!

    *Confesso que sei algumas coisas agora com 54 anos de idade e … DESCONHEÇO MUITAS !!!

    Sou uma ETERNA APRENDIZ !!! Se assim não for, morro !!!

    Compreendo melhor hoje, as minhas tias, as irmãs de meu pai que possuem mais de 70 anos

    de idade e são mulheres fortes, inteligentes, corajosas e com as quais aprendi e aprendo muitas

    coisas !!!

    Fui uma adolescente diferente !!! Fui boazinha, comportada, obediente, um amor de menina !!!

    Acho que agora é que estou me tornando REBELDE !!! (hehehe).

    *Meninas, vou “passear” aqui pelo blogue de vocês !!! :))

    *Ah, já as sigo no Instagram e já curto a página de vocês no Face !!!

    *Fiquem com Deus.

    *Um abraço.

    P.S. – Curto Simply Red também !!! :))

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