Fazer o bem faz bem – Semana 7 #playlist

Quando nos sentimos sem esperança, é comum voltarmos nossa atenção para outras pessoas, mas normalmente é para desabafar. Já pensou em usar esses momentos para fazer o bem e colocar o sorriso no rosto de alguém?

Pode parecer clichê, mas quando você ajuda alguém, o mundo se equilibra e você se sente muito melhor. Quanto mais você oferece, mais feliz e leve você se sente.

Essa playlist foi feita especialmente inspirada no livro Recados do bem e na semana representada no título. Se você está acompanhando a leitura, aproveite! Toda semana, divulgamos uma nova no nosso perfil do Spotify. Se você ainda não acompanha a gente, segue lá agora: indiretasdobem.com/play!

“O Rei do Show” entrega o que promete: uma celebração da humanidade

Uma das coisas mais incríveis que o cinema nos proporciona, de tempos em tempo, são musicais. De vez em quando somos abençoados com alguma obra incrível que celebra a vida e a música.

A última vez que nos sentimos assim foi com La La Land e sua visão direta e real sobre a vida, e, coincidentemente, Pasek and Paul, a dupla responsável por “musicar” a vida de Mia e Sebastian, nos conta a história de P. T. Barnum (Hugh Jackman), um showman conhecido por seu “show de variedades e curiosidades humanas”, em O Rei do Show.

“Variedade” é realmente a palavra que cerca esse filme, já que a diversidade está em todos os pequenos detalhes. Muito embora P.T. e sua mulher sejam brancos, e Philip Carlyle, interpretado por Zac Efron, também seja, o filme nos pinta um arco-íris de atores vindos dos mais diversos lugares.

O filme é uma celebração da humanidade e todas as suas cores, e sobre como você pode ser o mais diferente possível, mas que é isso que faz de você… bem, você.

Por mais que o objetivo do Barnum seja formar uma casa de curiosidade e vender a ideia de pessoas extraordinárias e ~anormais (no sentido fantástico da palavra e não necessariamente pejorativo), ele acaba sendo a pessoa que, durante boa parte do filme, acredita 100% no potencial dessas pessoas.

“Ninguém nunca fez a diferença por ser como todo mundo.”

Enquanto narrativa, o filme se perde em alguns aspectos e em cenas bem filmadas e de tirar o fôlego que acabam tirando a atenção de algumas falhas de roteiro. Levando em consideração, porém, o filme como o musical que ele é, eu saí do filme mais satisfeita do que confusa com esses furos na história, e meu coração definitivamente aquecido.

E, claro: Zac Efron de volta aos musicais é uma atração à parte! MEU HIGH SCHOOL MUSICAL TÁ MUITO VIVO.

Um bônus e uma coisa incrível de ver sobre esse filme são os behind the scenes, e eu destaco 3 vídeos maravilhosos e incríveis. No primeiro, a Keala cantando This Is Me na leitura do script que vai te deixar mergulhado em lágrimas (que mulher!).

Na mesma leitura de script, o Hugh Jackman canta From Now On mesmo sem poder (no dia anterior a esse, ele havia operado o nariz para retirar um tumor e o médico disse para ele não cantar). MAIS LÁGRIMAS.

E, por último, uma versão bem R&B da Zendaya para a música Rewrite the Stars, o dueto dela no filme com o Zac Efron.

Para ouvir a trilha sonora completinha, é só dar uma passadinha lá no Spotify:

O filme ainda está em cartaz em algumas salas de cinema, então se você ainda não viu, CORRE!

Prateleira do Bem: Janeiro/2018

Vocês estão cansados de saber o quanto amamos ler, né? Estamos sempre falando sobre livros por aqui, e em 2018 resolvemos fazer disso um projeto de verdade, a Prateleira do Bem 😀

O lance é que, nós lemos TANTO, e livros tão legais, que achamos que estava na hora de compartilhar um pouco mais disso com vocês, de uma forma a incentivá-los a ler essas histórias junto com a gente e compartilhar suas próprias percepções com elas. Não serão sempre livros lançamento, às vezes o mês será mais “temático”, mas uma coisa é certa: sempre vão ser livros que dizem alguma coisa.

Pra começar o projeto, em janeiro, eu (Duds) e a Jess lemos dois livros muito especiais da Darkside, e que nos tocaram de maneira muito incrível. Vamos falar sobre?

Foto: Darkside Books

Duds leu: Ecos, Pam Muñoz Ryan

Fazia um tempo que eu estava querendo ler esse livro, especialmente porque a edição dele é MARAVILHOSA, e eu, como boa designer, enchi os olhos nele desde a primeira vez que eu vi na livraria. A edição (linda!, vale reforçar) brasileira estava sob os cuidados da Darkside sob o selo Darklove, que publica apenas autoras.

Bem por alto, Ecos conta a história de 3 pessoas cujas vidas estão conectadas através de uma gaita mágica que aprisiona os espíritos de 3 moças.

FÁBULAS, DIVERSIDADE E PONTOS DE VISTA

O jeito mais “sombrio” de contar histórias e o toque mágico da história fazem com que a gente sinta como se estivesse reencontrando um amigo de infância. Foi muito engraçado correr por essa leitura como se eu já conhecesse a história e não de um jeito clichê, mas de um jeito familiar.

O livro é dividido em 5 partes, mais ou menos, e eu explico: a primeira parte é uma introdução onde a gente realmente conhece do que a fábula se trata; na segunda parte nós acompanhamos Friedrich, um garoto alemão que vive no período nazista e é considerado deformado e defeituoso pelo governo; na terceira parte nós conhecemos Mike Flannery, um garoto irlandês que, junto com seu irmão, foi parar num orfanato digno de uma história de Lemony Snicket; na quarta parte somos agraciados pela presença leve e inocente de Ivy Maria, uma americana descendente de imigrantes mexicanos e que se vê obrigada a lidar com uma segregação que ela não esperava e espiões japoneses; a quinta parte é basicamente o amarrar de todas essas histórias.

Por mais que o alemão e os irlandeses sejam personagens bem “padrão”, é muito importante ler esse livro com personagens principais que fazem parte de uma minoria e estarem à margem da sociedade que eles vivem, e isso faz com que as três narrativas (que não são em primeira pessoa) sejam absurdamente inocentes e apaixonadas e curiosas, e essa é uma vibe que a gente carrega o livro todo.

Todas as partes culminam em um conflito incrível e muito bem solucionado e o que me surpreendeu foi achar que, por ter terminado de forma tão brusca eu provavelmente continuaria pensando no outro personagem mesmo lendo a história do personagem seguinte mas isso não foi o que aconteceu. As três histórias são arrebatadoras!

A RELAÇÃO COM A MÚSICA

Como o “personagem principal” dessa história é a gaita, era de se esperar que o livro tivesse uma relação gigante com a música, e o papel que a música tem na história dos três personagens principais.

Mas eu não esperava que esse papel fosse escrito de forma tão pura e linda. Em todos os momentos em que a autora fala sobre música, a única palavra que dá pra descrever é: carinho.

“Então o blues é sobre todas as provações e adversidades da vida que as pessoas têm nos seus corações. É sobre o que as pessoas querem, mas não têm. O blues é uma música que está implorando pra viver.”

“Mas a música não é triste o tempo todo”, disse Mike.

“Não, as músicas são cheias de outras coisas também”, disse o sr. Potter. “Aí é que está. Não importa o quanto você não tem, há sempre muito mais na vida para se ter. Portanto, não importa quanta tristeza exista numa canção, vai sempre existir a mesma quantidade de ‘talvez as coisas melhorem em breve’.”

Além disso, a música obviamente explica a ligação gigantesca com o título, “Ecos”, que é explicada já no comecinho se você souber procurar mas eu separei o trechinho aqui: “Você já parou pra pensar que uma pessoa pode tocar a gaita e passar adiante sua força, sua visão e seu conhecimento? De forma que o próximo músico a tocá-la sinta o mesmo?”

Ecos é definitivamente uma fábula linda sobre como tudo que fazemos nesse mundo reverbera, é passado adiante… ecoa na eternidade.

Foto: Cleyci, do Sai da Minha Lente

Jess leu: Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, Becky Chambers

A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é livro de ficção científica no espaço, meu tipo de livro favorito da vida, escrito pela Becky Chambers. Aqui no Brasil o livro saiu pela Darkside, através da Darklove, uma linha todinha dedicada a revelar novos talentos femininos da literatura.

Esse livro é o primeiro de uma série, mas a ideia é que ele funcione separadamente, ou seja, a ideia da Becky é que seus livros sejam produzidos sempre com personagens distintos, mas vivendo dentro do mesmo universo.

Se você gosta de ler um livro com começo, meio e fim, pode ler tranquilo porque aqui temos um final bem amarradinho SIM!

A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil conta a história da tripulação da nave Andarilha, uma nave de perfuração especial que viaja todo universo conectando galáxias. Um dia a Andarilha descobre que pode ganhar uma boa grana numa missão arriscada: viajar até um planeta afastado e hostil para construir túneis espaciais que conectem essa civilização ao resto do universo galáctico.

Se você espera um livro com muita ação e grandes batalhas pelo espaço, pode esquecer. A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil é um livro sobre relações, tocando em assuntos muito importantes como diversidade, xenofobia, feminismo e amor de uma forma extremamente forte, mas ao mesmo tempo muito sensível.

PERSONAGENS INCRÍVEIS

A construção dos personagens é a coisa mais linda de todo livro. Sério. Você pode passar dez páginas sem que nada realmente tenha evoluído para que o ponto central do livro aconteça, mas com diálogos e momentos tão importantes quanto a jornada em si. Na minha opinião, esse livro é uma grande metáfora sobre a vida, e a Becky sabe explorar isso muito bem misturando diferentes raças e costumes num mesmo lugar.

Independente da espécie dos personagens, é incrível como a gente consegue se identificar com eles. Todos são extremamente complexos e carismáticos, cada um com a sua peculiaridade, insegurança, humor, acertos e erros. Becky conseguiu criar um universo tão complexo e interessante que fiquei morrendo de vontade em conhecer absolutamente TUDO sobre cada um deles.

DIVERSIDADE

A palavra que eu sempre pensava enquanto lia A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil foi alívio.

Eu sei que é uma palavra estranha, mas é impossível não se emocionar com um livro que não traz nenhum traço machista dentro da história e coloca as mulheres de igual para igual com os homens da história. Um exemplo legal de como a Becky trata isso no livro: em nenhum momento existe objetificação feminina dos personagens, ou seja, nenhuma delas é descrita como gorda, magra, bonita, feia.

É importante deixar claro que Becky não levanta nenhuma bandeira no livro, apenas mostra as diferenças de forma muito natural e respeitosa – como deveria ser a vida, né?

Questões de gênero, sexualidade, conceito de família e força feminina são temas frequentemente discutidos no livro, mas não para trazer alguma “lição de moral”, e sim porque são muitas espécies diferentes convivendo juntas e cada uma enxerga a vida de uma forma.

Dois personagens se destacam pra mim: A Sissix, a pilota aandriskana da nave, cujos costumes e pudores em relação ao sexo chocam bastante os humanos. E o Dr. Chef, o cozinheiro da tripulação, um Grum de gênero fluído, um dos personagens mais queridos do livro.

A melhor coisa sobre uma boa leitura é a capacidade que a ela tem de nos transportar para outros mundos e fazer você esquecer os problemas pelo menos um pouquinho. Não precisa ser gigante, já que o que importa mesmo é fazer seu coração ficar quentinho.

Qual livro você leu por último e se apaixonou? Conta pra gente <3