A melhor música é aquela que mexe contigo!

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Se tem uma coisa que me incomoda no leque gigantesco de bad vibes que existe nessa internet, essa coisa é briga pra ver quem é a melhor diva pop/cantora/banda num país ou gênero específico. Acho que é por isso que eu gosto tanto de quando artistas fazem covers de músicas de outros artistas.

Há uns dias atrás (se você tá vendo esse vídeo no futuro então há MUITOS dias atrás), o canal da BBC Radio 1 soltou um cover que o Ed Sheeran fez pra uma das minhas músicas favoritas da Little Mix, e na minha cabeça isso instantaneamente veio como um abracinho de “existem muitos artistas britânicos e tem lugar pra todo mundo sim!”

Inspirada por esse cover absolutamente maravilhoso e essa good vibe de ninguém é melhor do que ninguém e que a melhor música é aquela que mexe contigo independente de gênero ou cantor, resolvi entrar no perfil da rádio e selecionar nesse post alguns dos meus favoritos 😀

Bruno Mars cantando “All I Ask”, da Adele

OneRepublic cantando “Send My Love”, da Adele

Ed Sheeran cantando “Dirrrty”, da Christina Aguilera

Arctic Monkeys cantando “Hold On We’re Going Home”, do Drake

Two Door Cinema Club cantando “Treasure”, do Bruno Mars

Só deu ruim na miniatura mesmo, o vídeo funciona!

Taylor Swift cantando “Riptide”, do Vance Joy

Ficou querendo mais? Entra no perfil da BBC Radio 1 lá no YouTube que tem um monte pra você passar horas sofrendo com versões maravilhosas!

O mundo não fica muito mais legal quando a gente para de discutir qual artista é melhor? 😉

Respira fundo e segura na mão do Lin-Manuel Miranda: ninguém nasce sabendo tudo!

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Uma das minhas melhores decisões de 2016 foi ter ido atrás de saber o que diabos era Hamilton, que todo mundo estava falando sem cansar (e precisa continuar, ainda mais em tempos como agora!), e com isso Lin-Manuel Miranda apareceu na minha vida.

Se existe alguém “famoso” gente como a gente, essa pessoa é Lin-Manuel, e eu coloco entre aspas apenas porque com ele não teve meio termo e foi de alguém conhecido apenas pelo nicho de teatro musical para ser o rei absoluto do mundo. A pessoa que todo mundo quer conhecer. E é bem fácil de entender porque, já que as redes sociais do Lin não são nada além de uma fonte inesgotável de good vibes, tudo a ver com a gente 🙂

E no meio de toda essa good vibes, é claro que ele recebe muitas perguntas sobre aquilo que ele faz de melhor: escrever. No meio de todas elas, existem as perguntas que parecem óbvias mas que vêm de pessoas que lutam diariamente pra se livrar da voz dentro delas que dizem que elas não são boas o suficiente, e que é preciso ter um talento que nasce com a gente.

A única coisa que nasce com você é o desejo de fazer. Pra melhorar é preciso muita leitura e muita escrita. Tirar a ferrugem!

Não devia ser necessário ter uma validação externa para se sentir bem com o que quer que você esteja fazendo, mas ter uma base de apoio e pessoas que acreditam em você não é só bom como importantíssimo –e, às vezes, um fator decisivo. E não tem nada melhor do que uma pessoa que você admira te dizendo diariamente que tá tudo bem ter essas dúvidas mas que você não precisa necessariamente tê-las.

“Bom dia. Cérebro. Coração. Coragem. Sapatos incríveis. Você está pronta, Dorothy. Vamos.”

Tem dias que a gente acorda duvidando de tudo que fazemos, achando que nada nunca vai ser bom o suficiente, e que tudo que a gente fizer vai ser visto e julgado pelo resto das pessoas com toda a maldade no coração delas. Nesses dias, a gente vai achar que não tem armas, que precisava estudar mais, que precisava fazer e acontecer pra melhorar, ou pior: nesses dias a gente vai achar que não tem talento pra fazer o que estamos fazendo, então é melhor desistir mesmo.

E tudo bem ter dias assim, todo mundo tem. Mas é importante lembrar que a gente só nasce com a pequena chama, e o que a transforma numa fogueira é o tempo. Nada cresce sozinho e existe belo apenas por existir, nada é dado pra você. Se você gosta de fazer algo e acha que não tá bom, tenha calma e pratique.

Respire fundo e use seus sapatos incríveis ao seu favor! 😉

Eles vão rir. Tudo bem. Continue escrevendo.

Derrubando o Grammy, um discurso por vez

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A essa altura do campeonato, se você acompanha essa ~temporada de premiações~ que é o começo do ano, você já sabe os principais vencedores do Grammy 2017, então eu não preciso ficar aqui falando pra você. O que eu vou falar é muito mais importante e é sobre o que acontece quando uma mulher enaltece a outra.

A maioria de nós cresceu numa cultura onde atacar outra mulher era normal. Era normal sentir raiva das amigas solteiras do seu namorado, era normal se irritar com as patricinhas da escola –e achar que elas estavam vivendo a vida toda errada– e era normal fazer amizade com meninos “porque é mais verdadeiro, já que menina é tudo falsa.” Hoje, nós vivemos dentro da revolução de pensamento, que caminha a passos lentos, porém constantes.

São em premiações como o Grammy que os dois extremos ficam tão evidentes. Se de um lado há quem insista nas brigas Katy Perry é melhor que Britney Spears é melhor que Lady Gaga é melhor que Rihanna é melhor que Beyoncé é melhor que Adele, do outro existem as próprias ~divas pop~, dando discursos como o que Adele deu na noite de ontem, depois de ganhar o prêmio de Álbum do Ano:

“Como vocês podem ver, foi preciso um exército pra fazer eu me sentir forte e disposta a fazer isso de novo [enquanto os produtores responsáveis pelo disco subiam ao palco junto com ela, e fazendo referência às crises de depressão e ansiedade que ela teve]. (…) E na minha gravidez e depois de me tornar mãe eu perdi muito de mim mesma. E eu sofri, e eu ainda sofro sendo mãe. É muito difícil. Mas ganhar isso essa noite faz com que o ciclo se feche, e eu sinto como se um pouco de mim mesma tivesse voltado.

Mas eu não posso aceitar esse prêmio. E eu sou muito humilde e muito grata e surpresa. Mas a artista da minha vida é Beyoncé. E esse álbum pra mim, o ‘Lemonade’, é tão monumental. Beyoncé, é tão monumental! E tão bem pensado, e tão lindo e honesto e nós conseguimos ver um lado de você que você nem sempre nos deixa. E nós valorizamos isso. E todos nós aqui adoramos você. Você é nossa luz.

E o jeito como você faz eu e meus amigos se sentir, o jeito como você faz meus amigos negros se sentirem, é empoderador. Você faz eles se imporem e se defenderem. E eu te amo. Eu sempre amei e sempre vou amar.”

Tem como não amar?
Tem como não amar?

É difícil não entrar em discussões e rever pontos sobre merecimento e cultura negra, já que o Lemonade é um álbum tão completo sobre o qual já falamos aqui, mas no final das contas as maiores protagonistas da noite ainda foram duas mulheres que desafiaram a tão machista indústria musical juntas, cada uma do seu jeito –uma mostrando que se for pra ter o coração partido, por que não ganhar dinheiro com isso (#prioridades) e a outra mostrando que existe muito da cultura negra que o mundo não conhece e que talvez agora estejamos prontos para conhecer e admirar e apreciar sem diminuir. Estamos falando de duas mulheres que cantaram sobre problemas diferentes com uma intensidade que vinha do mesmo lugar, e que foi suficiente para elas enaltecerem elas mesmas, em uma premiação cujo significado e necessidade de validação vem se perdendo cada vez mais.

O discurso de Adele não foi apenas ela dizendo que não merecia o prêmio, já que isso ela nunca disse. A maravilha do discurso está em ver que Adele reconhece seus próprios problemas como mãe, reconhece suas vitórias pessoais por estar ali (e isso é incrível!), mas também reconhece a genialidade do trabalho de outra pessoa com tanta intensidade como se tivesse defendendo o seu próprio. É mais do que um “se ganha uma, ganhamos todas”, é um “eu consigo ver as minhas vitórias e as suas ao mesmo tempo.”

Quem ganha com isso? Nós, que ganhamos dois álbuns que representam os melhores trabalhos de suas donas até agora, e a Rihanna, que tava na premiação pra ser linda, gritar muito na apresentação da Katy Perry e mandar um beijinho pra Bey na platéia, casualmente 😉