Como encontrar seu próprio estilo

Cheguei naquele momento crítico em que precisava comprar roupas novas. Não é nem que eu não goste mais das peças do meu armário – tenho um apego danado por algumas, mas é só vestir e parece que tem um alien na frente do espelho. Não me identifico mais com a maioria, não consigo me mais me sentir confortável. E, não menos importante, várias das minhas roupas estavam em estado lamentável. Furadas, desfiando, grandes/pequenas demais, com caimento estranho, uns trapos mesmo. Eis que surgiu a dúvida: se não me reconheço mais com essas roupas, qual é meu estilo?

A resposta foi bem frustrante: eu não sabia! Pior do que isso, ainda não sei muito bem. Então, mais do que te ensinar como encontrar seu próprio estilo e mostrar a mina de ouro, esse texto é um leve desabafo sobre meus acertos e tropeços nessa jornada, que ainda conta com um fator decisivo: tive que sair da minha zona de conforto, já que estou morando do outro lado do mundo e a moda (corte/cores/estilo) é totalmente diferente do que estava habituada!

1. Pinterest ajuda de verdade

Não é só porque sou viciada em passar tempo no Pinterest não, viu? Decidi fazer valer todas as horas gastas no site e analisar as imagens na pasta de referência de moda, procurando por um “padrão”. Peças & cores que se repetiam, ainda que nunca tivesse comprado ou usado algo parecido. Isso diz algo sobre quem você quer (e pode) ser através das suas roupas e é um bom ponto de partida!

Se você não curte o site, tenta puxar na memória quem são as pessoas mais estilosas que você conhece e quais motivos te levam a achar a pessoa estilosa. É o jeito que ela combina estampas super diferentes? É a modelagem dos vestidos acinturados? É a mistura de camiseta com saia/calça mais chique? O que você vê nos outros que te faz pensar “Uau”, e o que desse uau você gostaria que fizesse parte do seu estilo.

Ninguém tá falando pra virar ~a blogueirinha de moda~ e fazer foto do look do dia nas paredes coloridas da rua (mas se quiser pode sim, pode muito), mas entender o que você gosta ajuda a ir atrás das roupas certeiras e, ainda que você não compre muitas peças, já consegue dar uma sensação de renovação no armário

2. Conforto em primeiro lugar

Depois que a gente fica meio crescido, meio adulto, meio pagador de contas, tudo o que quer na vida é conforto. E conforto não é sinônimo de sapato ortopédico de tia-avó, sabe. A gente vive numa época maravilhosa em que tem tudo quanto é estilo e opção, então me explica para que pelo amor de jesuismariajosé você vai comprar um sapato que aperta se tem uma opção parecida que abraça seu pézinho e faz parecer que você tá pisando nas nuvens?

Quando decidi trocar algumas peças de roupa, decidi também prezar pelo conforto e busquei tecidos que não pinicavam, calças que não apertam, vestidos que podia ser linda leve e solta etc. Quero me sentir não só bonita, mas confortável. Na verdade, mais do que quero, eu mereço.

3. Vá aos poucos

Não adianta (mesmo) querer mudar o seu armário todo de uma vez. Quem dera eu pudesse pegar meu salário e torrar num guarda-roupa inteirinho novo de uma só vez, mas não existem condiçõe$ no momento.

Além do mais, não é só uma questão de limitação financeira: se eu não me descobri ainda nas roupas, de que adianta mudar tudo radicalmente se nem sei é esse o resultado final quero? E mais! Desde que mudei de país, já penso na hora de mudar de novo e recomeçar em outro lugar tudo vai ter que entrar de volta na mala. Não tem espaço para excesso e tudo que compro é para substituir alguma outra coisa.

Como resolvi esse “empecilho” e segurei o dinheiro na carteira para só comprar o que realmente queria, você me pergunta. Experimentando, eu respondo. Juro que fui mais de duas ou três vezes experimentar uma mesma peça de roupa em diferentes dias, com intervalos de até uma ou duas semanas. Via na vitrine ou num passeio despretensioso, amadurecia a ideia, pensava no que mais poderia combinar… Voltava, experimentava, saía da loja. Se ainda sim continuasse pensando na tal da roupa e conseguisse pensar em mais maneiras de usar, comprava.

Sem contar que tem dias que tudo que você experimenta serve como uma luva, tem dias que tudo que consegue pensar na frente do espelho é meh.

4. Saia de casa com um valor em mente & foco

Eu adoro comprar, adoro me sentir bem com uma roupa nova. Mas se a gente sempre faz compras por impulso, as chances de se arrepender são maiores. Por isso é importante ter na cabeça um valor médio para as suas compras – tá tudo bem se passar um pouco, e melhor ainda se gastar menos do que o esperado no fim do dia!

Puxa lá sua listinha de items essenciais para ter seu próprio estilo que você fez depois de olhar suas referências e comece a priorizar quais são os items essenciais. Não precisa ser necessariamente peças básicas na vibe armário cápsula, tudo branco/cinza/preto. Você pode e deve comprar aquela jaqueta de couro prateada se é isso que deixa seu coração feliz – é hora de enxergar o que é essencial para você e sair em busca com foco.

5. Tente lugares inusitados

Se vestidinho vintage não é seu estilo, tudo bem. Mas já pensou que pode se surpreender dando uma olhada em lojas que são conhecidas por roupas retrô – e que elas tem muito mais do que saias e vestidos rodados? Foi assim que encontrei uma calça exatamente como queria (talvez a peça que mais se repete no meu Pinterest!)

Especialmente nessa fase que a gente tá redescobrindo o próprio estilo e não se enxerga mais com o que veste, não faz muito sentido continuar buscando roupas novas nos lugares antigos. Vale muito a pena se permitir testar coisas novas, mesmo que para se olhar no espelho do provador e pensar “Cruzes, isso não é a minha cara MESMO!”. Na pior das hipóteses, você tem certeza do que não quer usar, e já é um começo também!

6. Divirta-se!

É bem frustrante não gostar mais das próprias roupas e não se identificar mais com aquilo que a gente veste. Afinal, de uma forma ou de outra, nosso estilo é uma das formas de dizer pro mundo quem a gente é.

Então não adianta nada, nada mesmo, se sentir um saco de batatas com toda a peça que você experimentar. A gente já tem um mundo todo de pressões sociais e padrões absurdos, vamos por favorzinho ser gentis com nós mesmos e tentar se divertir no processo. Se você gosta de fazer compras com as amigas, é um bom momento pra ter alguém do seu lado, ainda mais porque ela pode te ajudar em momentos decisivos e vocês podem levantar a autoestima uma da outra quando surgir aquela minhoca na cabeça de que você não fica bem nisso ou naquilo (spoiler: você fica ótima!!!).

Como eu disse lá no começo, não tenho uma resposta para isso a não ser: é um processo. Não saberia definir meu estilo e também no fim não acho que isso seja o mais importante, mas sim se sentir bem com o que você é e com o que usa! 🙂

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