Gente que sabe que a força vem de dentro

spidey

Desde pequenininha eu sempre fui fã do Homem-Aranha. Ao longo dos meus 24 anos eu já passei por 5 filmes do amigo da vizinhança: 3 da primeira trilogia, estrelada por Tobey Maguire (rainha) e 2 da segunda “duologia”, estrelada por Andrew Garfield (nadinha). Então quando a Marvel anunciou que mais um reboot seria feito, eu vesti a minha máscara da heroína “tô rindo mas tô preocupada.”

Eis que Tom Holland e Zendaya são anunciados no elenco e meu coração bate um pouco mais tranquilo. Primeiro porque nós vivemos para enaltecer a Zendaya, e segundo porque Tom, graças a seu background no teatro musical, possui o condicionamento perfeito pra ser o Peter. O elenco novo todo foi se apresentando, Michael Keaton foi introduzido como o vilão e o resultado de Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

… foi o melhor que todos nós poderíamos esperar.

Sim, o filme faz o jus ao título e é uma grande volta pra casa

E para o renascimento da franquia. Por ter nos apresentado esse Peter já acostumado com a ideia de ser o Homem-Aranha, seria muito fácil se perder em detalhes e acabar pecando pela falta ou pelo excesso. O filme não é perfeito e tem seus escorregões, mas nós temos a chance de conhecer o Peter mesmo sem nenhuma história de origem.

Tem gente de toda cor, tem raça de toda fé

Em 5 segundos de cena na escola eu já contei mais diversidade que 100 anos na indústria do cinema.

Isso porque o Peter estuda em uma escola para adolescentes mais inteligentes, cheia de atividades extra-classe e pessoas engajadas em causas LGBT –como mostram alguns pôsteres nos quadros de aviso–, e aparentemente algum filme resolveu entender que todo tipo de adolescente aparece numa escola. Isso sem nem entrar no mérito da Zendaya, o alívio cômico incrível, e a Laura Harrier, as duas “leading ladies”, serem negras.

É cheio de clichês adolescentes

E isso é ÓTIMO. Sabem por quê? Porque Peter Parker é um adolescente, ao contrário do que Hollywood nos vendeu nas últimas duas versões. O filme é cômico e profundo em partes iguais, algo que beira uma obra do John Hughes, e as atuações adolescentes contribuem muito pra isso funcionar. A gente acredita.

E o Homem de Ferro?

“Se você não é nada sem essa roupa, então você não deveria tê-la.”

Já que nesse filme o Tio Ben já não está mais no plano dos vivos, a Marvel viu em Tony Stark a figura paterna perfeita para o Peter, e ele desempenha essa dinâmica muito bem com ele, colocando a aproximação e a distância necessárias, e mostrando que poucas doses dele tornam o personagem bem tolerável sem ser forçado. Também é de Tony que vem o que eu considero a frase mais importante do filme, e que carrega a mensagem principal da obra.

A força que vem de dentro

Uma das coisas mais interessantes sobre o Peter é que ele se torna um herói com 16 anos, e, como todos sabemos, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. É muito difícil saber se você quer pegar essa bola pra você aos 16 anos, e eu sempre gostei de como o conflito interno é apresentado por esse personagem, em qualquer versão que seja. Por parecer ainda mais novinho (e certo pra idade), Tom faz parecer que essa decisão é ainda pior e ainda mais deslumbrante, o que faz ele carregar um peso que ele nem percebe que estava carregando a tanto tempo, e me lembra muito um discurso que eu ouvi recentemente: “nós procuramos heróis nas pessoas que estão do nosso lado e esquecemos de olhar para o herói que nos encara todo dia quando olhamos no espelho.”

Homem-Aranha: De Volta ao Lar
Direção: Jon Watts (de “Clown” e “Cop Car”)
Melhor personagem: Ned Leeds

Nota: 5 granadas de teia

Por essas razões e muitas outras, a gente recomenda assistir Homem-Aranha: De Volta Ao Lar não uma, não duas, mas várias vezes se possível! Ah, e não esqueça: são duas cenas pós-créditos!

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