Na mente de um artista – visitando a exposição de Tim Burton

No dia que escolhi para visitar a mais nova exposição do Museu da Imagem e Som, o MIS, em São Paulo, hesitei bastante. Na verdade passei a manhã inteira em dúvida se iria ou não na exposição. O motivo? Me perdoem, leitores, eu não sou uma grande fã do diretor Tim Burton. Considero que ele tem um senso estético incrível, é fera na direção de arte e no design de cenários e elementos de cena e gosto de alguns filmes (especialmente as animações e sua versão fiel de A fantástica fábrica de chocolate) mas não faço parte do grande grupo que tem memórias nostálgicas com Edward mãos de tesoura, Beetlejuice ou os primeiros Batmans. O tédio me levou para a exposição, e a exposição me levou a rever meus conceitos.

Já vi exposições de outros artistas no MIS, dentre eles, a de um dos meus diretores favoritos da história do cinema, François Truffaut. Mas a exposição de Burton foi a mais interessante até hoje nesse museu, por uma série de motivos. Primeiramente, Tim Burton é mais conhecido como diretor de cinema, mas também é um desenhista e cartunista brilhante, e na exposição podemos ver inúmeros desenhos prontos, rascunhos, guardanapos de bar com desenhinhos, versões originais de personagens que ganharam as telas e projetos abandonados que nunca tiveram a mesma sorte. A exposição é uma chance enorme de conhecer o outro lado de um artista que julgamos conhecer perfeitamente.

Além disso, a decoração do museu e a organização do caminho da exposição nos leva em uma jornada por dentro da mente do artista. Descemos em escorregadores circulares, nos escondemos embaixo de uma mesa repleta de monstros e entramos dentro de uma boca gigante. A imaginação de Tim Burton ganha forma tridimensionl no MIS.

Não sou fã também de memorabilia em exposições (como roupas, objetos da sua infância, acessórios e troféus), mas na parte dedicada aos filmes de Burton, é a memorabilia que brilha – porque ela inclui os bonecos originais usados na filmagem dos geniais The nightmare before christmas, a Noiva Cadáver e Frankenweenie.

Por último, a exposição faz uma proposição diferente na sua experiência para o que a visita – proíbe que você fotografe lá dentro. Quem foi a um museu nos últimos 2 anos sabe que todos apenas fotografam, o tempo inteiro, e não ficam imersos na obra um instante algum. Então nada melhor que se desligar do mundo e se ligar na cabeça de um cara bem criativo por uma tarde.

 

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