O peso das minhas palavras

Foto de patch na jaqueta jeans que diz "Hello, I'm"Trying my best"
Foto: dessa loja online aqui

Acho que é seguro começar dizendo que sou uma pessoa intensa. Tem um bocado de sentimentos, pensamentos e sensações borbulhando aqui dentro, sabe? O problema não é nem a quantidade de sentimentos, mas a dificuldade de colocá-los para fora de forma fluída e constante.

Acontece que ultimamente não tenho me sentido bem, e tem tanta coisa misturada nesse caldeirão que se você chegar agora e me perguntar “Mas o que você tem, afinal?”, não vou saber responder. Talvez eu dê um sorriso e diga que ‘tá tudo bem, deixa para lá’, talvez caia no choro, talvez diga nada e só me feche ainda mais. Por ser tão difícil cruzar essa barreira do que está dentro de mim para o que está ao meu redor, trago toda essa intensidade para as palavras, que se acumularam e agora querem sair de uma vez – é muito, é pouco, é sempre, é nunca, tudo, nada. Extremamente, excessivamente.

Intensa no que sente e expressa. Superlativa, até. Nessas de tentar entender o que se passa, me abri com pessoas que confio. Às vezes a gente precisa pensar para fora para se entender por dentro. O rumo da conversa foi logo sobre essa carga de intensidade que eu mesma coloco em cima das situações e de como isso acaba me afetando no final, para bem ou para mal, porque já me deixa predisposta. É aquela coisa de ficar repetindo que algo é muito angustiante/triste/ruim, mesmo quando nem é tudo isso, mas a gente fala tanto que acaba até se tornando – mais do que poderia ter sido, se tivéssemos lidado de forma diferente.

Na hora fiquei mais pensando sobre isso do que em uma resposta. Certas coisas são melhor depois de digerir um pouco, e tomam um tempo. Mas, quer saber? A gente não precisa sentir menos. Eu, pelo menos, não quero sentir menos. O mundo, de uma forma ou de outra, já faz um belo trabalho para anestesiar nossas vivências e não sou eu que vou diminuir o que está dentro de mim. O que quero é encontrar um equilíbrio – não dar espaço para o que não precisa crescer, mas cultivar o que vale a pena. Reprimir meus sentimentos pode até ajudar para seguir a rotina e viver um dia após o outro, mas o quanto não se perde assim?

As palavras tem um peso sim, vamos aceitar isso de uma vez por todas – mas não é necessariamente ruim, uma vez que a leveza por si só de nada vale se a gente não souber o valor do peso. A gente só precisa aprender a equilibrar.

Como, exatamente, ainda não sei. Mas estamos aqui para aprender, e tentar nosso melhor no processo. 🙂

[o título é, na verdade, a tradução dessa música, do Kings of Convenience – um duo norueguês que se inspira na bossa nova brasileira, do tipo de coisa que a Yasmin de 15-16 anos escutava quando achava que sabia das coisas. Hoje em dia ela sabe que não sabe, mas está disposta a tentar entender!]

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1 comment

  1. Janeiro pra mim foi exatamente como você descreveu no segundo parágrafo. Mas Fevereiro eu comecei a simplesmente pensar menos sobre o futuro e melhorei um pouquinho.

    Espero de coração que você consiga contornar tudo de ruim que você vem sentindo. Eu adoro seus textos pois me identifico muito com eles. Fique bem e se cuide Yas! ♥

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