Gente que inspira a gente: Mariana, a Miserável

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Nos idos tempos do Google Reader (ah, 2008, volta aqui!), eu me relacionava muito, muito, pelos comentários nos compartilhamentos de posts. Lá, conheci diversos blogs, autores e artistas cujo trabalho admiro e acompanho até hoje – principalmente de Portugal. Dentre eles, está o blog da Mariana, a Miserável, artista plástica que ilustra personagens no mínimo intrigantes.

Além de me identificar muito com as personagens dela (algumas eu queria tatuar!), sempre quis compartilhar seu trabalho com o mundo. Sabe, se tem alguém que me inspira é ela. Por isso, resolvi fazer aquela perguntinha que vivo arriscando com as pessoas fofas que aparecem aqui na coluna. O que inspira Mariana, a Miserável? “O que me inspira é a vida, são as pessoas que me rodeiam, é o que vejo todos os dias, trabalho recente ou antigo de outros artistas, coisas que me dizem, coisas que eu leio, coisas que sinto, conclusões a que chego. Quanto às pessoas, todos os dias encontro uma diferente que me inspira de determinada forma, ultimamente tenho gostado desta ilustradora: Marion Fayolle”.

Mariana começou a vender o trabalho em 2010, quando fez uma exposição individual, e diz que “tudo desde o começo correu bem”. Que bom, não é mesmo? Desde então, tem feito cada vez mais trabalhos propostos por outras pessoas. Se ela tem um favorito? “Gostei de ilustrar o livro da minha amiga Raquel Caldevilla que ainda não está à venda mas que neste momento é o meu trabalho favorito, talvez por ser o último”.

Por que Mariana, a Miserável?1972489_10203293863604658_3225434465021345503_n

“O nome apareceu por acaso mas serviu como uma luva. Ser miserável é saber que sou a pessoa com mais azar desta sala mas aceitá-lo (ao azar) como um amigo chato e celebrar isso com desenhos. É o assumir os erros, a minha natureza desastrada e a minha falta de jeito para desenhar. Ser miserável é poder ser outra pessoa, é poder dividir-me e ter a confortante sensação que estou passar o trabalho e as responsabilidades para outras mãos. Dá também origem a uma biografia inventada mais poética que a real mas sempre com um fundo de verdade na qual posso dizer coisas como ‘vendi o meu coração numa loja de souvenirs para pagar a conta da água’ ou ‘acredito que deus é um senhor divorciado que não ouve bem’. Quando era pequena (já desenhava mal e) queria ser florista porque ambicionava viver rodeada de coisas bonitas e ver que o meu trabalho directa ou indirectamente a fazer as pessoas felizes. 27 anos depois chego à conclusão que aquilo que faço, embora não tenha flores como matéria prima, acaba por ter os mesmos benefícios.”

Para saber o que mais é ser miserável para Mariana vocês deviam dar uma olhada nesse post completo.

Para se apaixonar mais um pouco, olha só o teaser de uma das exposições dela:

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#RotinaDoBem ~ Nem todo mundo te ama. E isso é ótimo

Muitas pessoas vão te amar, mas muitas não vão

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Há alguns anos eu estava lendo Ensaios, de Truman Capote, e pensei nisso pela primeira vez. O trecho dizia “É possível que a transição da inocência à sabedoria aconteça naquele momento em que descobrimos que nem todo mundo nos ama? Muitos aprendem cedo esta lição”.

Pois bem. Eu aprendi cedo, e desde então tenho vivido muito melhor. Na verdade, apanhei um pouco no começo. Hoje está tudo em paz.

De criança, quando o Rapha ouvia os meus segredos e, mesmo zombando de mim em algum momento, me apoiava (e quando me reencontrou, dez anos depois, ainda lembrávamos tudo e sentíamos tudo talvez com a mesma intensidade ou com mais que antes), eu aprendia o que era amor. Quando a Mimi me recebeu de braços abertos no colégio novo, me ensinando que não há nada mais maravilhoso que um abraço, me abriu para o mundo que eu ate então rejeitava. Cada pessoa com quem estreitei laços na vida permitiu que depois tantos outros amigos se fizessem nos cursos de teatro, inglês, música, na internet… E fui me acostumando a essas pessoas incríveis. Elas só aumentaram. No cursinho, nas faculdades, nas festas, no trabalho. Era especial.

Ainda é.

Ainda é porque essas pessoas que nos amam é que tornam o mundo habitável pra gente. Quando todo o ambiente está hostil, são elas que estão ao nosso lado. Todo mundo já se pegou tentando agradar alguém nessa vida, isso é normal – mas não deveria ser a regra. Pensa bem: diariamente, somos bombardeados por notícias ingênuas, elogiosas ou maldosas, sobre personalidades da mídia. Todas elas, muitas vezes sem nem merecer, despertam amor e ódio em milhares, milhões de pessoas. E com você é assim também, só que em menor escala.

Lembra daquela frase de vó que o pessoal adorava usar na bio do Orkut e no nick do MSN? “Nem Jesus agradou a todos”. Não importa se você é uma celebridade ou só mais uma pessoa normal, o mundo sempre terá pessoas que amam você e o que você faz, e também um monte de gente que não gosta disso tudo. Existem muitas justificativas – inveja, incompatibilidade, excesso de semelhanças ou diferenças… Mas nenhuma delas importa, gente. Se todo mundo gostasse de todo mundo, se todo mundo amasse sempre as mesmas coisas, que chato tudo seria.

O que não pode é deixar as pessoas que não gostam de você ou do seu trabalho te coloquem pra baixo. Não passe a vida tentando agradar a todos. É das diferenças que nascem as coisas mais legais. Quando você para de tentar agradar a todos, consegue ser original.

Vamos ser sinceros: você também tem aquela listinha de pessoas e coisas que não gosta.
Vamos ser sinceros: você também tem aquela listinha de pessoas e coisas que não gosta.

E ser você mesmo vai te fazer feliz.

Nem todo mundo vai gostar de você sempre, mas você pode valorizar quem gosta. Mesmo que com pequenos gestos. Eu mesma não sei gerenciar bem meu tempo e acabo devendo danças, cervejas, saídas loucas, um e-mail sincero contando como as coisas estão. Não devo apenas a essas pessoas, mas a mim mesma. Mas se você é especial para mim, vou fazer questão de que saiba. Vou fazer piadinhas fora de hora, vou ser grossa contigo na TPM, vou mandar um link de música aleatório no seu mural, um SMS fora de contexto, vou chamar pra sair.

Vou relembrar nossas fotos constrangedoras, fazer confissões e compartilhar informações além do necessário. Vou agir como uma criança mimada e, segundos depois, falar com você como se nada tivesse acontecido. Não sou filha da puta, na verdade nem percebo essas coisas acontecendo. Apenas vou agindo por impulso, fazendo o que o coração manda, dando e recebendo ordens diretamente do universo. Eu sou assim. Mas não sou de todo uma pessoa ruim. Sei valorizar o carinho também. Sei dizer a alguém o quanto essa pessoa é incrível. De diversas formas.

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Faço isso porque sei que nem todo mundo me ama, e sempre fui eu mesma – o que de certa forma agride um pouco quem pensa diferente. Mas só à primeira vista. Se alguém pode me aceitar, descobre que eu aceito tudo e todos também. Que acho o diferente muito legal e, principalmente, que amo o desconhecido. Mesmo que seja por um momento estranho e silencioso de troca de olás pelo celular. Mesmo que seja uma cutucadinha no Facebook ou um abraço tímido pessoalmente. Nem todo mundo me ama, graças a Deus. Mas faço questão de deixar clara minha gratidão a todos aqueles que, de alguma forma, tentam. E você deveria aprender a fazer isso também: valorizar o que é bom em você e nos outros.

Nem todo mundo vai gostar de você sempre, e tudo bem. Não se preocupe com isso. Não gaste seu tempo falando de ninguém – e se alguém decidir que quer gastar o tempo falando de você, problema dele. Ninguém é perfeito mas todo mundo merece ser valorizado como é. O segredo da felicidade se chama auto-estima.

Nem todo mundo te ama – mas você, sinceramente, deveria saber amar. A si mesmo e aos outros. Isso muda a vida. 🙂

Elis, A Musical: um espetáculo para homenagear a pimentinha

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Ouvimos falar no espetáculo sobre Elis Regina quando ele ainda estava em cartaz no Rio de Janeiro, mas ficamos só na vontade. Em março, quando estreou em São Paulo, recebemos o convite para conferir de pertinho a história da musa. E que experiência maravilhosa!

Não é para menos: Elis foi uma mulher radiante, inspiradora, com uma obra contagiante e atual. Quem nunca ouviu uma de suas parcerias com Tom Jobim? Quem nunca se emocionou ao ouvi-la cantar, do fundo do coração, o clássico Como Nossos Pais?  Se sua resposta a uma dessas perguntas for “Eu”, corra! Você mal sabe o que está perdendo. 😛

Talvez algumas pessoas questionem a ausência dos vícios e polêmicas do final da vida de Elis – mas autores e diretor deram uma boa justificativa: Obra de ficção feita por amigos, a peça opta por focar em sua história como mãe, cantora e mulher, deixando de lado os dramas e escândalos que levaram à sua morte. É uma homenagem bela e leve à uma artista incrível, não um documentário. Ainda bem.

A atriz Laila Garin, que interpreta Elis, é sensacional. Munida de suas perucas variadas, a baixinha sobe ao palco e encarna a musa de forma autêntica, fazendo com que a gente se identifique e se emocione de monte. As canções ganham vida nova em sua voz e nos relembram os originais, mas tem sua própria identidade, assim como a Elis que vemos no palco. Jessica e eu conversamos bastante com os olhares durante a peça e, no final, a impressão das duas era a mesma: Vi Elis ali?

Saímos querendo assistir de novo – agora com as nossas mães, fãs da Elis, a tiracolo.

Ainda em dúvida sobre ser tudo muito emocionante e divertido? Dá uma olhada na abertura pra morrer de vontade:

Elis, A Musical, que foi visto por mais de 80 mil cariocas, é dirigido por Dennis Carvalho, e tem texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade, e fica em cartaz até dia 13 de julho no Teatro Alfa.


*Assistimos Elis, A Musical a convite da Multiplus, patrocinadora oficial do espetáculo.

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Serviço

Elis, A musical
Quando: de 14 de março a 13 de julho de 2014
Onde: Teatro Alfa – Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Quanto:
VIP: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia)
Plateia: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Balcão 1: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)
Balcão 2: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Pontos de venda:
– Internet: www.ingressorapido.com.br
– call-center: 4003 1212
– Bilheteria da casa (Sem Taxa de Conveniência): De segunda a sábado, das 11h às 19h e domingos das 11h às 18h. Em dias de eventos até o início dos mesmos.
Classificação: 12 anos
Duração: 130 minutos (com intervalo de 15 minutos)