Todo dia um pôr-do-sol

ou Gente que espalha amor pelas ruas – Depois das seis.

Todos os dias eu acordava e vivia a mesma vidinha cinza: os mesmos trajetos, as mesmas tarefas, uma vida meio no automático. Confesso que, desde que deixei o emprego formal, em julho, pra poder viver os meus sonhos de forma mais concreta, isso mudou bastante – meu olhar ficou mais leve e tento observar mais as coisas ao meu redor. Mesmo assim, muito ainda passa batido por mim.

Mas tem aquelas coisas que nunca ignorei também – intervenções na rua, por exemplo, são minha paixão desde os tempos de faculdade, quando cogitei largar o jornalismo e virar fotógrafa (mas descobri que mal tinha talento pra enquadrar as imagens direito! haha). Sempre amei descer e subir a Augusta observando tudo que ela tem pra mostrar. São Paulo é cheia de easter eggs, essa é a verdade. E minha outra paixão é o céu e suas cores sempre tão incríveis. Lembram da minha epifania ao encontrar os lambe-lambes da Ryane, do Onde jazz meu coração? Então, foi por ela que eu conheci o depois das seis. e, em seguida, a Gabriela Saueia, que toca o projeto e também tem uma relação bem bonita com o céu.

E como não falar de gente que inspira a gente a olhar com atenção para detalhes sutis do mundo? <3

O que te inspira a olhar o mundo com novos olhos diariamente?

A Gabriela começou o depois das seis. tentando encontrar beleza mesmo nos dias cinzas. Desde março, ela tira uma polaroid por dia, todo dia, durante o pôr-do-sol: “O que me inspira é a necessidade de sair do lugar, me mexer e fazer alguma coisa pra tentar deixar São Paulo mais fácil, mais leve, talvez. Acho que o que me faz fotografar todo-dia é perceber que mesmo que tudo pareça igual, na verdade não é. Comecei a reparar que nem nos dias cinzas o céu é o mesmo”. E não é verdade? Tudo passa. 🙂

“passei a tentar viver bem aqui apesar dos problemas e do caos que essa cidade é e traz.”

Depois de muito observar, ela decidiu compartilhar isso com o mundo. “Comecei a fotografar em março, mas demorou até setembro pra achar que talvez um pôr-do-sol por dia, todo-dia, fizesse com que as pessoas também começassem a reparar mais nas coisas que tão aí pra todo mundo (e todo mundo mesmo) aproveitar. Não sei, talvez seja bobo, mas acho que dá pra fazer o dia um pouco melhor quando você pára por dez minutos pra reparar no céu e não no que acontece aqui embaixo”.

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Esses, na versão grande, eu vi pela primeira vez esse final de semana. Você também encontra vários menores – em tamanho real, digamos! – por aí. 🙂

E assim surgiram a página no facebook, o Instagram, o Tumblr e… Os lambes que você encontra espalhados por SP. O processo todo é longo: fotografar, escanear, imprimir na gráfica, escolher os lugares, colar… Mas paixão é paixão: “no final do dia, nenhum do trabalho que a gente tem se compara com a sensação de ver nossos corações colados ali no muro”, ela conta. <3

Como tudo começou

No final do ano passado, Gabriela estava morando em Londres e encontrou uma loja da Lomo. “Acabei saindo de lá com a minha Diana F+ com o Instant Back pra ela virar uma máquina de Polaroid (sempre fui apaixonada por foto analógica porque acho que tem todo um outro charme, é basicamente aquilo que você tirou, não tem nada pra disfarçar ou tentar enfeitar, é o que realmente é e ponto)”.

Quando voltou para o Brasil, apenas por um mês, em fevereiro, passou por uma fase introspectiva. “Fiquei muito tempo olhando o céu da varanda porque eu sempre gostei muito de olhar pra cima e me perder ali, e eu comecei a reparar todo-dia no pôr-do-sol e me encantei. Como era o primeiro dia do mês e eu sempre imaginei como seria fazer uma série de fotos, comecei a fotografar todo-dia, sem falta, o pôr-do-sol. A ideia inicial era tirar sempre do mesmo lugar, mas eu tava indo viajar e não ia ser viável, então achei que podia registrar todo-dia da onde quer que eu estivesse o céu que eu tava vendo naquele dia, parar meu dia só pra isso. E foi aí que o projeto foi ganhando vida e foi meio que por acaso (talvez assim tenha feito ser mais legal)”.

Mais legal pra gente, com certeza: porque todo dia descobrimos um novo cantinho com um brilho escondido nessa cidade imensa.

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Algumas das últimas fotos publicadas na página. Para conhecer todas, curte o depois das seis no Facebook 🙂

Compartilhar amor faz bem

Parece bobagem, mas compartilhar aquilo que te inspira atrai tanta coisa boa que eu nem sei explicar. Toda vez que encontro um dos cliques do depois das seis. – seja na rua, no Instagram, no Facebook ou na minha mesa do escritório (no aniversário do Indiretas do bem, lá na Alt+Tab, quando conheci a Gabriela pessoalmente, ela me deu de presente o pôr-do-sol daquele dia e me desfiz em amor, é claro <3) eu sinto as energias renovadas. Sinto que vale a pena continuar o meu caminho, que lutar pelos meus sonhos e pelo que eu acredito é importante. Sabe quando você tem noção de que é só um pontinho num universo imenso e entende que o único responsável por absorver essa beleza e colocar um sorriso no rosto é você mesmo? Então.

Não é tão ingênuo quanto sempre soou pra mim. Como descobri? Isso aconteceu com a Gai também. No aniversário desse ano, querendo fazer algo diferente, ela saiu pela primeira vez pra espalhar os lambes pelas ruas. “Decidi que ia sair pra colar na Augusta e foi incrível, não tem uma sensação igual, a mão suja de cola (a maioria prefere usar o rolo, mas a gente acha que colar com a mão faz mais sentido), ver um pedacinho seu no muro dessa cidade que é pesada e linda ao mesmo tempo, ver o seu trabalho ali pra quem quiser ver é uma sensação fodida”. Não deu outra: ela, que andava ainda um pouco perdida, mudou completamente a vida e agora seus planos são fazer o que realmente a satisfaz. Tem coisa melhor do que finalmente se aceitar e não dar a mínima pro que o mundo vai dizer? Eu posso dizer pra vocês com convicção: não tem. Nada paga a sensação de estar realizado.

Mas falemos do depois das seis.: desde o aniversário da Gabriela, ela espalha seu coração por aí sempre que tem tempo. A Ryane vai com ela tirar as fotos e colar seus lambes junto, sem data e sem hora marcada.

“Tem dias que eu acordo com o lugar da foto já definido e com toda certeza que vou lá, tem dias que eu mudo umas trinta vezes no decorrer do dia e acabo decidindo por algum lugar, tem dias que eu decido um lugar e acabo encontrando um outro lugar mais bonito no meio do caminho, mas também tem dias (que nem hoje) que eu não sei pra onde ir e saio meio que sem destino pelas ruas tentando encontrar algum lugar legal”

Orgânico, como a vida tem que ser, né?

Cores pelo mundo

A vida também coloca gente especial pra ajudar, é claro. “Como meu lambe-lambe é colorido, no começo, toda vez que chovia, as polaroids acabavam derretendo e perdendo a cor. Depois de muita chuva e muita polaroid desbotada, o cara da gráfica (o grande Teixeira) conseguiu fazer com que o papel jornal (que é mais fino que os outros) passasse na impressora a laser pra eu não precisar recolar sempre no mesmo lugar e não ter mais problema com a chuva”.

Com as cores aqui ou lá, sabendo que o sol se põe pra todos, Gabriela quer mais é ver o mundo. “Não dá pra gente saber que existe tanta coisa pra ser vista e se contentar com ficar parado sempre no mesmo lugar. O bom do pôr-do-sol é isso: acontece em todo lugar todo-dia, é uma constante, seja aqui, seja em Londres, seja em San Diego, não importa muito, sempre vai acontecer e sempre vai ter um lugar novo pra se encantar. E talvez seja isso, deixar se encantar pelas coisas que tão aí ao invés de tentar achar que é muito mais do que isso ou que precisa de muito mais do que isso. Eu não quero muito, meu sonho mesmo é ter um troller roxo e sair viajando com o meu cachorro procurando um lugar novo cada dia pra renovar”.

É claro que é isso, Gai. A felicidade e a beleza estão aí pra quem quiser ver. Em qualquer lugar, a qualquer hora. Que bom descobrir que mais alguém sabe que a gente não precisa ir longe pra encontrar. <3

E você, o que faz para mudar seus dias cinzas? Conhece ou tem algum projeto incrível? Manda pra gente em indiretasdobem@gmail.com! Quem sabe ele inspira a gente? ; )

Bons motivos para enxergar sua vida de forma extraordinária

Ou: Gente que escolhe ser gentil ao invés de estar certa 🙂

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Você já ficou ansioso para um primeiro dia na escola nova? Já sentiu aquele friozinho na barriga e o medo de não conseguir fazer amigos em algum lugar? Pois bem: você vai conhecer alguém que teve o drama um pouquinho mais complicado.

Auggie nasceu com uma síndrome genética raríssima que deformou seu rosto de maneira irreversível. Por isso, mesmo depois de muitas cirurgias e uma luta enorme contra as complicações médicas, o rosto dele ainda é muito diferente do que estamos acostumados.

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Por anos, Auggie não frequentou a escola. Seus pais preferiram defendê-lo do mundo lá fora – porque eu e você sabemos que ele pode ser muito cruel. No entanto, de repente eles se veem impelidos a colocá-lo no colégio – e Auggie, aos dez anos de idade, vai precisar lidar com a adaptação.

A partir daí, você começa a conhecer o mundo do ponto de vista de Auggie – e também da sua família. Os capítulos alternam entre seis narradores: além de Auggie, conhecemos o pensamento de sua irmã mais velha Via; o namorado dela, Justin; sua amiga Miranda e Jack e Summer, dois dos seus amigos de escola. Mergulhando no cotidiano de Auggie e de todos que o cercam, a gente descobre um mundo de gentileza, mas também de preconceito, autopiedade e julgamento – e percebe que às vezes é extremamente cruel e nem sabe.

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Você vai se afeiçoar aos personagens, sofrer com eles e se divertir também – eu dei muitas risadas, acreditem! Não é o tipo de história com a qual haja muita identificação na prática, mas ela está lá por todos os cantos – e dá vontade de abraçar cada um dos que passam por lá. A vida nos tempos de escola é difícil, já repetimos aqui algumas vezes.

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Um dos professores de Auggie ensina-os: “Quando tiver que escolher entre estar certo ou ser gentil, escolha ser gentil”. Faz muito sentido. Mas não é pra se tornar um mentiroso e nem pra começar a reprimir tudo o que pensa/sente: é só pra começar a ponderar se vale mesmo a pena gastar seu tempo sendo severo – consigo mesmo ou os outros – quando você pode simplesmente deixar certas coisas passarem?

É um livro que as crianças deveriam ler, conhecer de perto, identificar a realidade complicada e abraçar a gentileza. Mas não só as crianças: os adultos também, e principalmente. Apesar do final feliz que a gente sabe que na vida real quase nunca é assim perfeito, é uma leitura necessária e nos dá bons motivos pra ver a vida de forma extraordinária, divertida e mais leve. Por isso é tão importante. 🙂

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PARA LER EM CASA

Extraordinario
R. J. Palacios
Editora Intrínseca

Mindú – O gatinho que precisa da sua ajuda :)

Já estava cansada de ouvir todas as polêmicas da internet nessa semana. Não tinha um lugar aonde eu entrava que não tinha alguém falando sobre aplicativos e suas opiniões: Facebook, Twitter, Instagram, até na mesa do almoço e no elevador do prédio!

Mas no meio de tudo isso, meio sem querer, acabei conhecendo a história do Mindú, um gatinho muito fofo com uma história inspiradora <3

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Oi gente, eu sou o Mindú, prazer!

O Mindú mora em São Paulo, é um gatinho esperto e muito simpático, mas que está passando por um problema bem sério: ele precisa fazer uma cirurgia para retirar algumas pedras que estão na sua bexiguinha 🙁

Para quem não sabe, é comum gatos terem problemas renais, principalmente os mais velhos. Então, aqui fica a dica pra gente ficar bem atento quanto ao comportamento e saúde dos nossos gatinhos:

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Aqui em casa eu comprei uma fonte de água para deixar a coisa mais divertida e eles beberem mais. Gatos amam água corrente =^.^=

A internação e cirurgia para animais é bem cara, uns 2 mil reais mais ou menos. Nem o seu papai, Pedro que é designer, nem a Tal, namorada dele, que é fotografa, tem o dinheiro para bancar tudo além dos gastos que já tiveram até aqui.

Eu sei, a gente sempre ouve esses casos pela internet afora, mas esse é diferente, e foi o que me chamou atenção:  Sua família não quer doações, eles querem dar algo em troca para aqueles que ajudarem com as arrecadações.

Essa é a Tal! Outro dia ela falou: "Não podemos aceitar doações, nem trabalho voluntário.Mas, por que?! Não podemos porque sabemos o quanto cada um rala para ganhar o que ganha nesse Brasilzão de meu Deus e não seria justo pedir para que vocês paguem o tratamento do Mindú, queremos merecer esse dinheiro, queremos trabalhar para pagar a conta do veterinário e o tratamento, é claro que aceitamos ajuda com indicações de médicos e tudo mais". <3
Essa é a Tal e ela falou: “Não podemos aceitar doações, nem trabalho voluntário.
Mas, por que?! Não podemos porque sabemos o quanto cada um rala para ganhar o que ganha nesse Brasilzão de meu Deus e não seria justo pedir para que vocês paguem o tratamento do Mindú, queremos merecer esse dinheiro, queremos trabalhar para pagar a conta do veterinário e o tratamento, é claro que aceitamos ajuda com indicações de médicos e tudo mais”. <3

O Pedro e a Tal juntaram os amigos, o amor pela fotografia, pelo design e pelo Mindú e irão fotografar todo mundo que quiser ajudar! Nesse sábado e domingo( 7 e 8 de dezembro), aqui em São Paulo, eles irão fazer uma sessão de fotos especial: pode trazer quem você quiser, mãe, pai, namorado, amigos e até seus bichinhos queridos <3

Menção honrosa aqui ao Bruno Lucattelli, um amigo do Pedro que está ajudando MUITO para que o projeto dê certo!

Por R$50,00 você compra 4 fotos bem bonitas e bem tratadas e depois recebe todas por email. Ah, depois, eles irão postar quanto arrecadaram e as notas de como o dinheiro foi usado. Tudo direitinho 🙂

Se tudo correr bem e o valor for ultrapassado, o restante eles irão doar para uma ONG que cuida de gatinhos doentes também.

Todas as informações estão no evento da arrecadação no Facebook.
Ah, e se você é do interior, no dia 20 eles vão estar em Itu e no dia 22 em Mogi Mirim.
Você pode acompanhar toda a rotina do Mindú pelo Facebook dele (gato chique tem Facebook próprio, kiridos!)

 

Obrigado pelo carinho de vocês, meow!
Obrigado pelo carinho de vocês, meow!