#RotinaDoBem: Por que felicidade não deveria ser uma obrigação?

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Às vezes é muito difícil tocar um projeto como o Indiretas do bem. Apesar da nossa ideia ser sempre transmitir o melhor possível dos nossos dias e compartilhar carinho, sabendo que isso inspira outras pessoas a fazerem o mesmo e torna os dias mais leves, todo mundo tem altos e baixos. E, por mostrarmos que realmente acreditamos nisso, parece que vivemos num mundinho cor de rosa. Mas não é bem assim. Somos realistas, trabalhamos bastante, temos contas a pagar, problemas de comunicação, dias de TPM insuportáveis, relacionamentos, em resumo: nós temos dias ruins. Até semanas, meses. E isso não invalida tudo o que dizemos aqui. Porque a verdade que vivemos é essa – apesar de tudo, tentamos enxergar o melhor nas coisas.

Então, por mais estranho que seja, aquele dia em que eu xinguei muito no Twitter e depois publiquei aqui no blog uma resenha cheia de amor ou uma lista contando como costumo superar algo de forma otimista, bom: isso sou eu lutando para mudar as as coisas. Me esforçando para ser melhor. Como já repetimos aqui algumas vezes, desistir não resolve. A gente tem que lidar. Lembrar do que é bom. Convencer a si mesmo de que tudo passa.

Até a vida passa. Aproveite.
Até a vida passa. Aproveite.

Estou falando isso porque ultimamente muito tem se comentado a respeito da cada dia maior busca pela felicidade – principalmente no mercado de trabalho. Aqui mesmo, nós tentamos sempre mostrar uma perspectiva mais ampla do que simplesmente “largue tudo o que você está fazendo agora e vá ser feliz”. E eu sei que parece hipócrita, já que Jessica e eu largamos mesmo nossos empregos convencionais. Mas não custa nada ser pé no chão. Com a supervalorização da ideia de que a realização vem do trabalho, muita gente está pisando na bola e criando/glamourizando um estilo de vida que não só não é aplicável a todos como também pode ser tão frustrante quanto trabalhar em algo que se odeia.

Essa ideia de felicidade imposta, plástica, quase compulsória a que temos nos submetido não faz bem. Todo mundo tem seus momentos ruins, e isso não deve ser reprimido. Um dia ruim não destrói a alegria de uma vida. Você pode ser feliz fazendo o que ama sem necessariamente largar o seu emprego. Você não precisa transformar sua paixão em fonte de renda pra ser feliz. Só se você quiser, é claro. E se você quiser, assim que planejar, te damos o maior apoio.

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Um projeto apaixonante e bem pé no chão pra acompanhar no meio dessa safra de reprodutores do “largue tudo e vá viajar” é o Continue Curioso. Essa temporada está incrível: além de deliciosa de acompanhar (os dois protagonistas são muito verdadeiros!), mostra que não é tão simples assim correr atrás do sonho, mas que é possível, sim, empreender (ainda não acabou, mas nos esperamos que seja! boa sorte com o Mandíbula, meninos! haha).

A Marcela Donatello, da Paperia, também escreveu exatamente sobre o que eu e Jessica temos conversado à exaustão, e não podia ser mais precisa:

“Seguir sua paixão não precisa ser necessariamente uma coisa profissional. Você pode muito bem trabalhar das 9h às 17h e aos finais de semana descer pra praia pra perseguir a sua paixão de surfar, ter um hobby que te entusiasma e que ressona com quem você é. Um trabalho voluntário, um projeto criativo e paralelo a sua atividade profissional. Alguns dos projetos mais geniais que eu conheço foram feitos das 18h às 8h, no contraturno do trabalho nosso de cada dia.

Tão importante quanto isso, é entender que não existe fórmula para a felicidade e cada pessoa tem o seu jeito de se realizar. Empreender não é pra todo mundo, viajar o mundo não é pra todo mundo, assim como concurso público não é pra todo mundo! E a gente precisa deixar o glamour de lado e entender que todas as coisas teu seu lado ruim e perrengue faz parte de, absolutamente tudo na vida.

Ou vocês acham que eu acordo todos os dias no auge do bom humor, feliz porque tenho uma empresa de coisas lindas e passo o dia cantando enquanto trabalho? Claro que não! Empreender me realiza? Sim, mas isso não significa que eu não tenha dias cansativos em que eu simplesmente preferia ser funcionária e largar do batente às 17h, certa de que aquela empresa não depende de mim. Todo trabalho tem suas dificuldades, chatices e contradições e cabe a gente saber que isso é… normal. Eu amo o meu trabalho, mas não amo todas as atividades que fazem parte do meu trabalho. É, to falando com você, finanças. E nesses casos, tento sempre lembrar do livro Projeto Felicidade, e da frase que, ouso dizer, mudou minha vida.

Fazer as pazes com a felicidade, na minha opinião, tem muito a ver com aceitar as contradições da vida, entendendo que ninguém consegue viver fazendo só o que há de legal pra se fazer. Existem coisas chatas que, naturalmente, são obrigatórias. As regras da ABNT tão aí pra não me deixar mentir.”

Recomendamos de verdade a leitura, na íntegra, do texto “A obrigação de ser feliz“. É uma discussão lúcida e importante em meio a essa chuva de artigos e blogs e projetos que ditam “largue tudo e vá viver em outro país”, “largue tudo e vá catar coco na praia” ou coisas assim. Lembre-se: pra ser feliz, você não precisa largar tudo. Não precisa enlouquecer e nem fugir daqui. Tudo o que você precisa é de espaço e de um bom papo com o espelho.

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Felicidade é encontrar tempo para fazer o que tem vontade sem se importar com mais nada. E não é constante, é feita de momentos. Se você quer largar tudo, então junte seu dinheiro e corra atrás do sonho. Mas não faça disso uma obrigação. 😉

Gente que valoriza as mulheres

Não existe sexo frágil. Mulheres, diariamente, vivem num mundo que as subjuga. Ainda assim, de cabeça erguida, elas seguem em sua luta por liberdade: não por mais que os outros, apenas com o objetivo de poderem andar tranquilas pelas ruas, de igual para igual, sem medo. Por salários equivalentes à sua experiência, e não ao seu sexo. Pelo fim de rótulos e estigmas que tolhem sua vida pessoal, profissional, sexual. As mulheres não querem que ninguém lute POR elas, mas COM elas. Não precisam ser salvas, mocinhas coadjuvantes num filme de bandido. As mulheres são protagonistas de suas vidas e devem ser reconhecidas por isso.

Apesar do desafio #instadobem16 ter sido na semana de 8 de março, esse é só mais um dia na longa luta por reconhecimento. Não é nem uma comemoração: é um clamor. Resta saber se, passado o dia das rosas e das felicitações, apagados os holofotes, ele segue sendo ouvido. Vocês já mostraram ter mulheres que amam: lutem com elas. Lutem com a gente. 🙂

Confiram as mulheres lindas que recebemos neste desafio:

Música por Dan-O at DanoSongs.com

Porque todo mundo é um pouco Valente

Na última vez que fui à casa da Bru, pouco antes do Natal, ela estava extremamente empolgada com três pequenos livrinhos – posicionados carinhosamente na estante, bem próximos da sua mesa de trabalho. Eu mal havia entrado e ela já estava lá, retirando eles da prateleira e repetindo “Ari, você precisa ler isso! É tão bonitinho. Você vai adorar”. Fiquei curiosa, folheei os três, e quando ela me ofereceu emprestados, contando como conheceu a obra e o autor, resisti à tentação de aceitar (sou muito chata com empréstimos de livros, ciumeeeenta!) e falei “Pode deixar! Vou comprar assim que chegar em casa”.

O primeiro livro da série, que conta sobre a busca do verdadeiro amor - e as lições que aprendemos no caminho. <3
O primeiro livro da série, que conta sobre a busca do verdadeiro amor – e as lições que aprendemos no caminho. <3

Essa história me lembra duas coisas: a primeira é que faz tempo que eu não vou à casa da Bru. A segunda é que eu sou muito da esquecida e só encomendei de fato os livrinhos mês passado, quando um deles já estava esgotado, e esqueci de agradecê-la depois de ler. Porque acontece que, como previa a menina Bruna – uma das pessoas que melhor me conhece nesse mundinho pequeno -, fiquei completamente apaixonada pela história do Valente.

E você provavelmente também vai ficar. Victor Cafaggi, o autor de Valente, é talento puro. Graças a esse talento, o cachorrinho Valente é gente como a gente. Já no primeiro livro eu fiquei morrendo de vontade de compartilhar todos os frames da história, por que ele nos lembra que é simples ser um pouco mais… Do bem. 😛

Doar tempo faz bem

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Nada cativa mais do que mostrar a alguém que você tem tempo para ele. No meio da correria do dia a dia, isso é um dos presentes mais valiosos que você pode dar. Seja para conquistar alguém, seja para manter as amizades, doe tempo: pratique pequenos gestos de carinho, como ouvir com atenção o que o amigo tem a dizer (é o mínimo, né? <3) ou preparar uma lembrancinha especial, sem motivo aparente. Essas coisas tornam o dia melhor – o seu e o de quem foi presenteado. Um mimo é sempre bom e a gente nem sempre tem noção do impacto que teve no dia de alguém com apenas cinco minutinhos de carinho.

Saber que tudo passa dá forças para recomeçar

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Todos os dias nós passamos por decepções ou temos algum desejo frustrado. Algumas vezes por coisas tão simples que aceitamos tranquilamente. Outras situações nos derrubam e deixam sem estrutura por algum tempo. Mas o importante é saber que tudo é passível de transformação: sempre existe a possibilidade do recomeço, de fazer as coisas valerem. Se for preciso viver um pequeno luto, viva. Mas não deixe que a tristeza se torne o centro da sua vida. Tudo passa, então levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. A vida pode ser bem divertida quando você aprende a recomeçar.

Nossos problemas são pequenos, enfrentar é o que temos

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Tem uma coisa que sempre digo e que pode não soar tão bonita, mas é real: olhar os problemas dos outros nem sempre ajuda. O que nós sentimos sempre vai ser pior, sempre mais intenso – porque não somos capazes de sentir a angústia alheia, por mais que tentemos enxergar as coisas de outro ponto de vista. Ainda assim, é preciso sair um pouco do nosso mundinho na hora de enfrentar a vida. Perceber que somos apenas uma formiguinha neste universo imenso ajuda a entender que nossos problemas são de formiguinhas – e o que nos resta é enfrentá-los. Um obstáculo, no fim, é apenas um obstáculo: assim que você ultrapassa, ele não pode mais te atrapalhar.

Uma pausa faz bem

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Quando a gente está passando por momentos difíceis, acaba acumulando pensamentos negativos e não conseguindo enxergar as soluções que estão ali, na nossa frente. Para encontrar motivação para recomeçar e ter melhores ideias para lidar com a vida, faça uma pausa. Deixe sua cabeça relaxar por algumas horas, recarregue os pensamentos positivos, pondere melhor o que está acontecendo. 🙂

Sabe quem você vai adorar conhecer? Valente e sua turminha. São três livros deliciosos pra devorar e depois ler tudo de novo, devagarinho. Já leu? Conta pra gente o que achou!

Para ler em casa

Valente: Para Sempre / Valente: Para Todas / Valente: Por Opção
Victor Cafaggi
Editora Panini