“O Rei do Show” entrega o que promete: uma celebração da humanidade

Uma das coisas mais incríveis que o cinema nos proporciona, de tempos em tempo, são musicais. De vez em quando somos abençoados com alguma obra incrível que celebra a vida e a música.

A última vez que nos sentimos assim foi com La La Land e sua visão direta e real sobre a vida, e, coincidentemente, Pasek and Paul, a dupla responsável por “musicar” a vida de Mia e Sebastian, nos conta a história de P. T. Barnum (Hugh Jackman), um showman conhecido por seu “show de variedades e curiosidades humanas”, em O Rei do Show.

“Variedade” é realmente a palavra que cerca esse filme, já que a diversidade está em todos os pequenos detalhes. Muito embora P.T. e sua mulher sejam brancos, e Philip Carlyle, interpretado por Zac Efron, também seja, o filme nos pinta um arco-íris de atores vindos dos mais diversos lugares.

O filme é uma celebração da humanidade e todas as suas cores, e sobre como você pode ser o mais diferente possível, mas que é isso que faz de você… bem, você.

Por mais que o objetivo do Barnum seja formar uma casa de curiosidade e vender a ideia de pessoas extraordinárias e ~anormais (no sentido fantástico da palavra e não necessariamente pejorativo), ele acaba sendo a pessoa que, durante boa parte do filme, acredita 100% no potencial dessas pessoas.

“Ninguém nunca fez a diferença por ser como todo mundo.”

Enquanto narrativa, o filme se perde em alguns aspectos e em cenas bem filmadas e de tirar o fôlego que acabam tirando a atenção de algumas falhas de roteiro. Levando em consideração, porém, o filme como o musical que ele é, eu saí do filme mais satisfeita do que confusa com esses furos na história, e meu coração definitivamente aquecido.

E, claro: Zac Efron de volta aos musicais é uma atração à parte! MEU HIGH SCHOOL MUSICAL TÁ MUITO VIVO.

Um bônus e uma coisa incrível de ver sobre esse filme são os behind the scenes, e eu destaco 3 vídeos maravilhosos e incríveis. No primeiro, a Keala cantando This Is Me na leitura do script que vai te deixar mergulhado em lágrimas (que mulher!).

Na mesma leitura de script, o Hugh Jackman canta From Now On mesmo sem poder (no dia anterior a esse, ele havia operado o nariz para retirar um tumor e o médico disse para ele não cantar). MAIS LÁGRIMAS.

E, por último, uma versão bem R&B da Zendaya para a música Rewrite the Stars, o dueto dela no filme com o Zac Efron.

Para ouvir a trilha sonora completinha, é só dar uma passadinha lá no Spotify:

O filme ainda está em cartaz em algumas salas de cinema, então se você ainda não viu, CORRE!

Prateleira do Bem: Janeiro/2018

Vocês estão cansados de saber o quanto amamos ler, né? Estamos sempre falando sobre livros por aqui, e em 2018 resolvemos fazer disso um projeto de verdade, a Prateleira do Bem 😀

O lance é que, nós lemos TANTO, e livros tão legais, que achamos que estava na hora de compartilhar um pouco mais disso com vocês, de uma forma a incentivá-los a ler essas histórias junto com a gente e compartilhar suas próprias percepções com elas. Não serão sempre livros lançamento, às vezes o mês será mais “temático”, mas uma coisa é certa: sempre vão ser livros que dizem alguma coisa.

Pra começar o projeto, em janeiro, eu (Duds) e a Jess lemos dois livros muito especiais da Darkside, e que nos tocaram de maneira muito incrível. Vamos falar sobre?

Foto: Darkside Books

Duds leu: Ecos, Pam Muñoz Ryan

Fazia um tempo que eu estava querendo ler esse livro, especialmente porque a edição dele é MARAVILHOSA, e eu, como boa designer, enchi os olhos nele desde a primeira vez que eu vi na livraria. A edição (linda!, vale reforçar) brasileira estava sob os cuidados da Darkside sob o selo Darklove, que publica apenas autoras.

Bem por alto, Ecos conta a história de 3 pessoas cujas vidas estão conectadas através de uma gaita mágica que aprisiona os espíritos de 3 moças.

FÁBULAS, DIVERSIDADE E PONTOS DE VISTA

O jeito mais “sombrio” de contar histórias e o toque mágico da história fazem com que a gente sinta como se estivesse reencontrando um amigo de infância. Foi muito engraçado correr por essa leitura como se eu já conhecesse a história e não de um jeito clichê, mas de um jeito familiar.

O livro é dividido em 5 partes, mais ou menos, e eu explico: a primeira parte é uma introdução onde a gente realmente conhece do que a fábula se trata; na segunda parte nós acompanhamos Friedrich, um garoto alemão que vive no período nazista e é considerado deformado e defeituoso pelo governo; na terceira parte nós conhecemos Mike Flannery, um garoto irlandês que, junto com seu irmão, foi parar num orfanato digno de uma história de Lemony Snicket; na quarta parte somos agraciados pela presença leve e inocente de Ivy Maria, uma americana descendente de imigrantes mexicanos e que se vê obrigada a lidar com uma segregação que ela não esperava e espiões japoneses; a quinta parte é basicamente o amarrar de todas essas histórias.

Por mais que o alemão e os irlandeses sejam personagens bem “padrão”, é muito importante ler esse livro com personagens principais que fazem parte de uma minoria e estarem à margem da sociedade que eles vivem, e isso faz com que as três narrativas (que não são em primeira pessoa) sejam absurdamente inocentes e apaixonadas e curiosas, e essa é uma vibe que a gente carrega o livro todo.

Todas as partes culminam em um conflito incrível e muito bem solucionado e o que me surpreendeu foi achar que, por ter terminado de forma tão brusca eu provavelmente continuaria pensando no outro personagem mesmo lendo a história do personagem seguinte mas isso não foi o que aconteceu. As três histórias são arrebatadoras!

A RELAÇÃO COM A MÚSICA

Como o “personagem principal” dessa história é a gaita, era de se esperar que o livro tivesse uma relação gigante com a música, e o papel que a música tem na história dos três personagens principais.

Mas eu não esperava que esse papel fosse escrito de forma tão pura e linda. Em todos os momentos em que a autora fala sobre música, a única palavra que dá pra descrever é: carinho.

“Então o blues é sobre todas as provações e adversidades da vida que as pessoas têm nos seus corações. É sobre o que as pessoas querem, mas não têm. O blues é uma música que está implorando pra viver.”

“Mas a música não é triste o tempo todo”, disse Mike.

“Não, as músicas são cheias de outras coisas também”, disse o sr. Potter. “Aí é que está. Não importa o quanto você não tem, há sempre muito mais na vida para se ter. Portanto, não importa quanta tristeza exista numa canção, vai sempre existir a mesma quantidade de ‘talvez as coisas melhorem em breve’.”

Além disso, a música obviamente explica a ligação gigantesca com o título, “Ecos”, que é explicada já no comecinho se você souber procurar mas eu separei o trechinho aqui: “Você já parou pra pensar que uma pessoa pode tocar a gaita e passar adiante sua força, sua visão e seu conhecimento? De forma que o próximo músico a tocá-la sinta o mesmo?”

Ecos é definitivamente uma fábula linda sobre como tudo que fazemos nesse mundo reverbera, é passado adiante… ecoa na eternidade.

Foto: Cleyci, do Sai da Minha Lente

Jess leu: Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, Becky Chambers

A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é livro de ficção científica no espaço, meu tipo de livro favorito da vida, escrito pela Becky Chambers. Aqui no Brasil o livro saiu pela Darkside, através da Darklove, uma linha todinha dedicada a revelar novos talentos femininos da literatura.

Esse livro é o primeiro de uma série, mas a ideia é que ele funcione separadamente, ou seja, a ideia da Becky é que seus livros sejam produzidos sempre com personagens distintos, mas vivendo dentro do mesmo universo.

Se você gosta de ler um livro com começo, meio e fim, pode ler tranquilo porque aqui temos um final bem amarradinho SIM!

A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil conta a história da tripulação da nave Andarilha, uma nave de perfuração especial que viaja todo universo conectando galáxias. Um dia a Andarilha descobre que pode ganhar uma boa grana numa missão arriscada: viajar até um planeta afastado e hostil para construir túneis espaciais que conectem essa civilização ao resto do universo galáctico.

Se você espera um livro com muita ação e grandes batalhas pelo espaço, pode esquecer. A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil é um livro sobre relações, tocando em assuntos muito importantes como diversidade, xenofobia, feminismo e amor de uma forma extremamente forte, mas ao mesmo tempo muito sensível.

PERSONAGENS INCRÍVEIS

A construção dos personagens é a coisa mais linda de todo livro. Sério. Você pode passar dez páginas sem que nada realmente tenha evoluído para que o ponto central do livro aconteça, mas com diálogos e momentos tão importantes quanto a jornada em si. Na minha opinião, esse livro é uma grande metáfora sobre a vida, e a Becky sabe explorar isso muito bem misturando diferentes raças e costumes num mesmo lugar.

Independente da espécie dos personagens, é incrível como a gente consegue se identificar com eles. Todos são extremamente complexos e carismáticos, cada um com a sua peculiaridade, insegurança, humor, acertos e erros. Becky conseguiu criar um universo tão complexo e interessante que fiquei morrendo de vontade em conhecer absolutamente TUDO sobre cada um deles.

DIVERSIDADE

A palavra que eu sempre pensava enquanto lia A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil foi alívio.

Eu sei que é uma palavra estranha, mas é impossível não se emocionar com um livro que não traz nenhum traço machista dentro da história e coloca as mulheres de igual para igual com os homens da história. Um exemplo legal de como a Becky trata isso no livro: em nenhum momento existe objetificação feminina dos personagens, ou seja, nenhuma delas é descrita como gorda, magra, bonita, feia.

É importante deixar claro que Becky não levanta nenhuma bandeira no livro, apenas mostra as diferenças de forma muito natural e respeitosa – como deveria ser a vida, né?

Questões de gênero, sexualidade, conceito de família e força feminina são temas frequentemente discutidos no livro, mas não para trazer alguma “lição de moral”, e sim porque são muitas espécies diferentes convivendo juntas e cada uma enxerga a vida de uma forma.

Dois personagens se destacam pra mim: A Sissix, a pilota aandriskana da nave, cujos costumes e pudores em relação ao sexo chocam bastante os humanos. E o Dr. Chef, o cozinheiro da tripulação, um Grum de gênero fluído, um dos personagens mais queridos do livro.

A melhor coisa sobre uma boa leitura é a capacidade que a ela tem de nos transportar para outros mundos e fazer você esquecer os problemas pelo menos um pouquinho. Não precisa ser gigante, já que o que importa mesmo é fazer seu coração ficar quentinho.

Qual livro você leu por último e se apaixonou? Conta pra gente <3

Cinco momentos em que Kaysar provou que é precioso demais para o BBB18

Como uma viciada, me sinto segura pra dizer que, depois de acompanhar ferrenhamente tantas edições, a gente sabe que é difícil confiar no caráter dos participantes do Big Brother Brasil logo de cara: todo mundo está jogando, tentando mostrar o seu melhor e, sobretudo, lá dentro eles vivem situações extremas cujas reações podem mudar completamente nossas impressões com o decorrer do tempo.

Mas nessa edição alguém excêntrico tem se sobressaído quando o assunto é bondade.

MUST PROTECT AT ALL COSTS.

Kaysar tem 28 anos, é sírio e trabalha como garçom no Paraná pra juntar dinheiro. Mais do que estar sempre animado, Kaysar lembra a gente a importância de olhar com bons olhos aquilo que a vida nos oferece e aproveitar ao máximo as oportunidades.  Ele é esperto, claro, sabe que a persona alegre e carismática conquista o telespectador, mas não é uma pessoa forçada. Transmite o carinho e a espontaneidade nos gestos. Por isso, não faltam momentos em que ele aja como nosso anjo precioso na casa.

Vamos relembrar alguns dos momentos em que podemos aprender com ele a lidar com essa barra que é a vida?

Quando ele conta seus motivos para estar no jogo

Questionado sobre seus motivos para estar no jogo, Kaysar conta: não quer saber de briga, de confusão, ninguém vai tirar a sua paz. Ele só quer ganhar o BBB para trazer a família da guerra para o Brasil.

Quando ele aconselha Mahmoud a não se importar com o que os outros pensam

Quantas vezes você já não mudou só pra se encaixar? Não se sentiu ferido simplesmente porque deduziu que os outros não gostavam de quem você era ou colocou em jogo seus objetivos simplesmente porque não resistiu à pressão dos outros? Pois bem. Kaysar lembra Mahmoud (e a gente!) como é importante não se deixar vencer pela maneira como o mundo nos vê.

Quando ele consola Mahmoud, mesmo depois que a casa toda o deixou de lado na confusão

A casa toda deixou Mahmoud de lado depois de uma explosão de Jaquelina. Ana Paula, que incendiou a treta, ainda insistiu para que Kaysar não falasse com ele. Mas, muito triste com a briga e com tudo que estava acontecendo, não só foi conversar com Mahmoud como também fez companhia a ele durante um bom tempo, cantando para acalmá-lo.

Quando ele decide servir goiabada no meio da treta.


“Pra acalmar”.

Quando ele confessa estar apaixonado…

…pela vida!

Você pode até não torcer por ele, mas uma coisa é certa: todo mundo precisa ser um pouco mais Kaysar no dia a dia – distante das tretas e confusões, cheio de empatia e gratidão por tudo.

CONTINUA ASSIM, BB!