Coisas que aprendi com Desventuras em Série

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Não sei vocês, mas desde que Desventuras em Série lançou na Netflix, não consigo fazer mais nada que não envolva a série. Tudo que assisto, penso, respiro, converso, é sobre a adaptação de uma das minhas obras favoritas na infância. Para vocês terem noção, gosto mais do que de Harry Potter (e eu gosto muito de Harry Potter, hein?).

Se você ainda não deu uma chance para acompanhar as tragédias na vida dos Baudelaire, a Duds listou 13 razões para ler os livros e entrar no clima e também fez uma resenha (sem spoilers!) do primeiro episódio. E então você me pergunta “Mas o que você tá fazendo aqui falando de Desventuras em Série, Mimis?”

Enquanto eu mergulhava sem pausa nos oito episódios da primeira temporada – que é ótima para quem nunca viu e um prato cheio para os fãs, com várias referências e tesouros espalhados pelos episódios –, fiquei pensando nas coisas que aprendi enquanto crescia junto com os órfãos Baudelaire.

Os adultos também não tem noção do que estão fazendo

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Mesmo quando são bem intencionados, como o Tio Montgomery Montgomery, os adultos conseguem ser mais ingênuos que crianças, acreditando nos disfarces toscos do Conde Olaf. Isso porque eles também não fazem ideia de como lidar com a vida real e acreditam no que querem enxergar porque a vida fica mais fácil assim.

Lar não é um lugar, é um sentimento

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É verdade que acontecem muitas desgraças na vida de Violet, Klaus e Sunny, mas eles aprenderam que tem uns aos outros e que é isso que importa. A casa e os pais podem ter perecido num incêndio de causas duvidosas, mas juntos eles conseguem ser mais fortes e superar o que for preciso.

Expandir o vocabulário é sempre bom

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Quando eu li Mau Começo pela primeira vez, em 2001(!!!), tinha 09 anos e as descrições do Lemony Snicket traziam muitas palavras diferentes do que estava acostumada. Isso poderia ser desencorajador para uma criança, mas o autor conseguiu tornar a experiência interessante, explicando logo em seguida o que quis dizer com a famosa “uma expressão que aqui significa…”

Nem sempre existe resposta para tudo

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Quem foi o responsável pelo incêndio na mansão dos Baudelaire? O que aconteceu com a Víbora Incrivelmente Mortífera? Qual o menu completo do Palhaço Ansioso? Essas são algumas perguntas (importantes ou não) que a gente nunca vai ter resposta…

E eu nem dei spoilers com questões que o Lemony Snicket deixou em aberto mais para frente, hein? A questão é que tem coisas que não tem resposta mesmo, e a vida segue em frente.

Não julgue algo (ou alguém) pelo nome

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A Víbora Incrivelmente Mortífera tem um nome assustador, mas como a gente bem sabe, é um nome impróprio e ela é um dos animais mais amigáveis de todo o reino animal. O Conde Olaf tem um título, mas de nobre não tem nada. Para bem e para mal, aparências enganam! 🙂

Se você tiver foco, vai conseguir encontrar uma solução

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Violet consegue inventar alguma engenhoca para quase tudo que for preciso, Klaus já leu livros sobre tudo e tem muitas respostas dentro da sua cabeça e a Sunny vai usar seus dentes sem hesitar. Basta respirar fundo, se concentrar e acreditar que você é capaz.

Afinal, se não fosse pelos Baudelaires, quem salvaria os próprios Baudelaires das garras do Olaf?

Todo mundo tem seus segredos

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Lembra que tem coisas que não tem resposta? Então… Ao mesmo tempo, todo mundo esconde segredos e nem sempre a gente vai descobri-los porque eles são, bem, segredos. Às vezes seus pais (e todo mundo que te cerca) fazem parte de uma sociedade secreta e você não faz a menor ideia! Às vezes você vai ao cinema esperando por uma distração e descobre que o filme, na verdade, tem um código secreto!

Ninguém é 100% bonzinho ou vilão

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A vida real é muito mais cheia de nuances, as pessoas são voláteis e trocam de lado, e as coisas não são tão simples assim pra dividirmos as pessoas entre heróis e vilões. Ser um ator não te faz uma pessoa boa (a gente sabe que o Conde Olaf é terrível, tanto como pessoa como ator), mas começarmos a apontar todas as coisas ‘erradas’, os órfãos roubaram um barco em determinado momento – uma atitude que fazia todo sentido dentro das circunstâncias mas, ainda sim, não é correta.

O que Desventuras em Série debate, o tempo todo, são questões de moralidade na sociedade. Como podem ser armadilhas e como não querem tudo isso sobre o caráter uns dos outros.

 

Achei que sabia o que era sentir saudade

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A gente sempre acha que sabe das coisas até que a vida vai lá, dá uma rasteira e fala “sabe de nada, inocente”. No meu caso, estava convicta de que sabia o que era sentir saudades – um pai que foi quase sempre divorciado, uns namorinhos a distância, oito meses morando em Manaus, essas coisas – até que mudei para outro país.

Tudo aquilo que já tinha sentido antes não se compara: a saudade não duplicou ou triplicou, ela cresceu tão desproporcionalmente que nem consigo quantificar. Só me tornei uma saudade ambulanteAntes que você se desespere achando que isso é ruim ou que eu não esteja aproveitando a experiência de estar do outro lado do mundo por sofrer com toda essa falta, encaro tudo como um grande aprendizado. Nem sempre é fácil, admito. Mas pelo menos vale um texto, no fim das contas.

Desde que me conheço por gente, gosto de ser só. Inventava minhas próprias brincadeiras quando criança e ficava feliz de estar trabalhando enquanto a família ia viajar, pois tinha a casa só para mim. Gosto de conviver com a minha própria companhia, preciso do meu tempo sozinha, gosto de ser responsável pelo meu próprio nariz e decisões.

Mas também, desde muito cedo descobri que as coisas não são bem assim e a gente não pode existir sozinho. Não é nem que não pode – você pode se isolar numa caverna por tempo indeterminado, sem contato com o resto da civilização –, é que não dá mesmo – até quando você iria aguentar na tal caverna? As pessoas que nos cercam são tão autoras da nossa narrativa quanto nós, porque deixam um pouquinho de si e tomam um pouco de nós também.

E é por isso que a saudade existe. Porque a gente vai cruzando e costurando tudo numa coisa só, confunde onde termina nossa própria história e começa a do outro. E é por isso que eu nunca consigo ouvir Transatlanticism, da minha banda mais favorita do mundo também conhecida como Death Cab for Cutie (obrigada, Seth Cohen), sem chorar.

Às vezes é um peso no peito e um sufoco na garganta, que consegue até tirar as forças e só dá vontade de se enrolar no edredom como um burrito. Outras vezes é uma companhia agradável, que te lembra sempre do que você mais ama e traz um sorriso no rosto. Até as coisas mais banais de repente se tornam tesouros: o cheirinho de pão que vem da padaria, as mesas de plástico do bar na calçada, errar a entrada da Marginal em São Paulo e gastar mais de meia hora pra achar um retorno enquanto toca Taylor Swift e você se esgoela com a sua irmã. Mas uma coisa é certa: vai sempre ser um alarme que soa na sua cabeça o tempo todo te lembrando das pessoas que você ama, dos cheiros, dos lugares, trazendo as memórias diante dos seus olhos.

Eu achava que sabia o que era sentir saudades, e honestamente, tinha pra mim que era um sentimento que pendia mais para o negativo, que trazia uma melancolia pegajosa (não no sentido de melosa, no sentido de grudar e ser difícil de se desvencilhar mesmo) e paralisava a gente.

Hoje em dia eu aprendi que é tudo isso, mas é também é mais. Sentir cada pedacinho do corpo lembrando de uma pessoa, um lugar, um momento, como se a gente estivesse vivendo aquilo de novo. É sorrir sozinha andando na rua por lembrar de algo que não tem nada a ver com o momento.

Também descobri que é mais fácil se a gente tentar fazer as pazes com nosso coração e seguir adiante de mãos dadas com o sentimento, porque a saudade não vai embora. Faz parte das escolhas que a gente faz, dos caminhos que segue e é melhor aprender a conviver do que sofrer.

Vamos bater um papo sobre 2017 em tweets do bem!

Sou adepta da teoria de que se ainda não acabou janeiro, tudo ainda é motivo pra falar de ano novo e dos 11 meses que ainda estão por vir –e que podem passar rápido ou não, dependendo do que você faz pra fazer esses meses passarem. E o primeiro Links do Bem™ do ano é justamente sobre isso: como você vai fazer 2017 passar? Rápido como toda coisa boa ou devagar como aquele Brasil e México que foi 0x0?

Pedi ajuda aos deuses da internet para reunir os tweets mais legais para ajudar a afiar o sentido que nosso ano vai tomar 🙂

Já começamos chutando a porta com esse tweet do Tyler Oakley que basicamente resume tudo. Precisa de uma resolução de Ano Novo? Considere isso: algum dia, a viagem no tempo pode ser possível. Faça de 2017 o ano para o qual você vai querer viajar de volta.

“Qualquer sala que você estiver hoje é a sala onde tudo acontece. Levante o copo conosco e um brinde a 2017!”, escreveu a conta oficial de Hamilton no Twitter (vamos ter bastante dessa rede social por aqui). Em 2017, respire fundo e lembre-se de que você não precisa estar em todos os lugares ao mesmo tempo ou necessariamente mudar de lugar para ser quem você acha que precisa ser. Todo lugar é o lugar onde as coisas acontecem, e as mudanças sempre vão começar de dentro pra fora.

Próximo ano eu quero chorar menos do que chorei esse ano… ou… mais? Eu sinto como se tivesse redescoberto o choro esse ano e honestamente é um ótimo sentimento!” Mais claro que isso é impossível: permita-se sentir tudo que você tem direito de sentir esse ano. E no próximo. E no seguinte. E pra sempre. Nunca esconda seus sentimentos, sejam eles a risada mais histérica ou o choro mais soluçado, por medo do que os outros ou você mesmo vai achar.

E, por último mas não menos importante: “Conselho para 2017: não vista sua falta de sono, seu stress e milhões de horas trabalhadas como uma medalha de honra. Cuide de si mesmo. Seu trabalho vai se beneficiar disso. (…) Faça o que você tem que fazer –eu sei que contas existem. Mas lembre-se de ser gentil consigo mesmo.” A Amy fez uma série gigantesca de tweets sobre isso, mas sinto que esses dois são talvez os mais importantes.

Em toda situação de trabalho, mas em especial a de home office, a vida nos cobra demais, e nós cobramos demais de nós mesmos e esquecemos que trabalhar demais só dá uma sensação paliativa de controle e produtividade quando na verdade estamos só ficando cada dia mais exaustos a ponto de não conseguir trabalhar. A ponto de desenvolver uma doença.

Como Amy diz, as contas existem e sempre vão existir, mas POR FAVOR, em 2017 vamos pensar mais na gente? 🙂