E quando a gente idealiza o amor?

idealização do amor

Fazia um tempo que eu não abria o coração por aqui, né? Acho que tava na hora.

Esses dias andei pensando bastante sobre o amor –não porque eu tenha passado por uma decepçãozinha recentemente nem nada, mas porque eu vejo e aprendo com quase tudo que tá a minha volta. Então comecei a navegar por todas as pessoas que já passaram na minha vida e me questionar: será que eu tenho um tipo?

Cheguei à conclusão que sim (óbvio), mas que por mais que todo mundo, claro, se sinta atraído por um tipo específico de pessoa e que tem algumas ideias (não só políticas, mas de valores mesmo) alinhadas minimamente às suas, ter um tipo é um pouquinho perigoso. Porque a gente acaba projetando.

idealização do amor

Falando pessoalmente, é muito comum que todas as pessoas que eu quero que fiquem e façam ninho junto comigo, pelo tempo que seja, de alguma forma, “me completam.” São pessoas que, na minha cabeça, se encaixam perfeitamente no quebra-cabeça que é a minha vida e as minhas necessidades. Em contrapartida, todas as pessoas que realmente ficaram por um tempo não correspondiam a essa “completinitude” que eu queria. Elas não encaixavam.

E eu sempre acabo deixando elas pra lá.

Lembrei disso depois de ler, através da Gabi, esse texto no Instagram escrito por um cara que eu admiro muito, o Jonas. No texto, entre outras coisas incríveis, ele diz: “Me recuso a amar uma idealização e extensão de mim, pois desse modo estaria perdendo o melhor desse relacionamento: ela.” E é exatamente assim. Todas as vezes que eu desisti de pessoas que “não se encaixavam” em mim por pessoas que eu achava que eram a perfeita simetria, eu acabei me machucando. Acho que alguns de vocês se identificam com isso.

A cultura pop, por definição, coloca o amor em patamares inalcançáveis e extremos, o tempo todo, e isso confunde a nossa cabeça, seja com aqueles casais que são perfeitos um para o outro, ou aqueles extremamente opostos que acabam “se consertando.” Estamos tão acostumados com isso que quando assistimos filmes como 500 Dias com Ela ou La La Land, nossa rejeição à história é altíssima: ou a gente não aceita o final, ou a gente se vê compelido a tomar um partido.

A moral que eu tirei com a minha vida é: passamos muito tempo procurando a pessoa que cabe na nossa idealização, que vai dar “check” em todos os requisitos e trazer todas as peças pro nosso quebra-cabeça que esquecemos de considerar que, se eventualmente vocês viverem um tempo juntos, depois que aquela pessoa for embora, vai levar com ela todas as peças.

Nenhuma pessoa é obrigada a atender as nossas expectativas e ao que achamos ser o amor correto, e na maioria das vezes, precisamos ver que duas pessoas são perfeitas, mas não perfeitas uma para a outra.

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2 comments

  1. Regiane Andrade

    Foi um tiro pra mim esse post do Jonas, por ser extremamente idealista em tudo acabo sempre me machucando.

  2. quero dar um abraço nesse post de tão lindo que é ♥

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