Talentos Invisíveis: campanha mostra que eles são mais do que refugiados

Morar em um país que não é o seu de origem pode ser uma tarefa árdua – dia após dia é preciso se provar para quem quer que esteja ao seu redor e mostrar que, apesar de não ter nascido ali, você é tão capaz quanto. Digo isso por experiência própria: ainda que seja uma experiência incrível estar do outro lado do mundo e eu seja privilegiada em muitos sentidos, sem sofrer tanto preconceito e hostilidade, ainda sim sou colocada debaixo do rótulo de imigrante, única e exclusivamente.

E a minha experiência não é nada de mais, sou café com leite nessa história toda. Até porque, hoje a gente não veio aqui para falar de mim: estamos aqui para falar da campanha Talentos Invisíveis, um projeto com intuito de ressaltar as qualificações profissionais de refugiados que estão tentando construir uma vida no Brasil.

Muitas vezes, aqueles que tem que deixar seus países e recomeçar a vida em outro lugar são tratados apenas como refugiados e tem suas trajetórias profissionais, capacidades e experiências apagadas pela sociedade. Em tempos em que o discurso conservador e o preconceito contra imigrantes se derrama na boca de políticos com influência mundial, é importante lembrar que toda pessoa – seja ela refugiada ou não – precisa ser vista pelo que é por inteiro, muito mais do que pela condição do seu visto.

Ser refugiado é abrir mão da sua cultura e história, em busca de proteção e segurança, deixando tudo para trás. É também ter a resiliência de recomeçar tudo de novo, em um local totalmente novo e enfrentar tudo aquilo que ficou para trás e o que está por vir pela frente. Felizmente, conhecimento é algo que ninguém nunca vai tirar da gente e pode ser uma ferramenta valiosa para essas pessoas, muitas das quais extremamente qualificadas para o mercado:

A campanha é um projeto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Programa de Apoio para a Recolocação do Refugiado (PARR), e além do vídeo conta também com um site que reúne fotos, currículos e qualificações dessas pessoas através do Linkedin (é preciso ter cadastro na plataforma para acessar os currículos).

Os participantes da campanha foram escolhidos por uma curadoria, mas existem muitos outros cadastros para serem acessados no site de recrutamento do PARR. A ideia é dar um suporte a essas trajetórias, para que sejam avaliados por seus reais potenciais e capacidades profissionais, e não pela circunstância que se encontram, seu lugar de origem ou o tipo de visto que carregam.

Quando enxergamos as pessoas por completo, dissolvemos preconceitos! 🙂

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