Um texto um pouco triste recheado de músicas felizes

Parece que foi ontem que entrei na faculdade (acabei de notar que está bem próximo de completar dez anos e fiquei um pouco deprê). Até lá, tive pouquíssimos amigos de verdade. Conhecia todo mundo, interagia com muita gente (obrigada, internet!), mas AMIZADES mesmo, poucas.

Na faculdade, finalmente me encontrei em um grupo. Um grupo lindo, engraçado, que tinha pessoas que se ajudavam mesmo quando achavam que não precisavam, que dormiam juntas todas na mesma cama só pra poder passar mais tempo juntas, que compartilhavam uma paixão enorme por música, pela noite, por escrever. Éramos todos muito diferentes e, ao mesmo tempo, muito parecidos. Tomei meu primeiro drinque com eles, ganhei minha primeira festinha surpresa (da qual não participei, porque faltei à aula naquele dia!), conhecemos diversas novas fases da vida juntinhos, cada um contando sua experiência.

A gente amava fotografia e calças skinny coloridas também. Aí veio a RESTART e estragou tudo
A gente amava fotografia e calças skinny coloridas também. Aí veio a RESTART e estragou tudo

E o que tínhamos nas mãos pra isso? A Rua Augusta. A gente descia cedo, 21h, 22h – e só subia lá pelas 6h. Era bem diferente naquela época, e vimos Vanguart, Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro no Studio SP provavelmente dezenas de vezes, logo após tomarmos um monte de caipirinhas e pingas de banana no 472. Também passamos noites e noites ouvindo samba e bebendo cerveja no Bar do Malandro, trocando bilhetinhos em guardanapos de mesa. De vez em quando – comigo xingando todo mundo – andávamos até o Black Dog da Paulista e matávamos lá aquela fome horrorosa que bate antes da ressaca.

AH! Vocês sabiam que o Blue Pub já foi um pub mesmo? Um pequeno buraquinho escondido na rua? Esses dias entrei lá, querendo lembrar das tantas aulas que matamos ali, e descobri que agora ele é IMENSO!

Quando me formei na Cásper, minha vida já tinha mudado completamente. E eu sabia que a proximidade não ia durar muito – todo mundo ia ter sua rotina, vidas adultas, rumos diferentes. Talvez pudéssemos fazer funcionar, tem Facebook, WhatsApp, todo mundo é jornalista e pode acabar se encontrando nas redações… Só que tenho um defeito terrível: por mais que conheça os seres humanos mais especiais do mundo, são muito poucas as pessoas que consigo manter em minha vida. Na verdade, atualmente só meus pais, minha irmã e a Jess, porque ela meio que é obrigada a falar comigo todo dia. haha

Não é algo que eu possa controlar, exatamente.

Com a depressão, costumo fazer o máximo para estar dentro de casa. Quando estou numa fase boa, equilibrada, até tento sair um pouco, puxar assunto, manter diálogos, matar saudades. Infelizmente, na maior parte do tempo, eu simplesmente não consigo nem conversar com ninguém. É meio como se visse minha vida de fora do corpo, sabe? Eu vejo as coisas, gostaria de fazer parte delas, mas tento me mexer e não consigo, tento falar e a voz não sai. E aí acabo perdendo o que está acontecendo com quem realmente gosto – as pessoas que mudaram minha vida de verdade. Todo mundo ainda se vê, se fala, até assisto essas coisas acontecendo, mas quase nunca consigo fazer parte disso. Não porque não me chamam, mas porque tenho medo de magoar todo mundo prometendo participar e não conseguindo no meio do caminho, como já aconteceu tantas vezes. Porque a mesma vontade que vem, segundos depois é crise de ansiedade e desinteresse.

Uma coisa nunca muda: estou sempre acompanhando todos de longe, morrendo de orgulho, torcendo com meu coração e, sobretudo, lembrando daquela que foi uma das melhores fases da minha vida (queria voltar a ter a vitalidade dos meus 18 anos, mas aparentemente é impossível).

E aprendi, com a terapia, que não devo me culpar por esse meu jeitinho complicado. Confesso que ainda falho muito em lutar para me manter próxima, mas alimento ao máximo o que essas memórias me trazem de bom. Quando me bate essa tristezinha de saudade misturada com vontade de me enfiar embaixo do edredom, eu recorro à nossa melhor amiga: a música.

E hoje contei essa história toda aqui no blog só porque vou compartilhar a playlist mais vibe boa que eu tenho, pra vocês entenderem um pouco dessa história. Cada vez que uma dessas músicas toca, lembro de um dos meus amigos. É meu modo de manter aquele amor todo vivo aqui dentro. Porque quando a gente se reencontra, é como se o tempo não tivesse passado.

Falta gente? Falta. Mas a foto é especial porque é da última vez que encontrei todo mundo - em setembro do ano passado.
Falta gente? Falta. Mas a foto é especial porque é da última vez que encontrei todo mundo – em setembro do ano passado.

Quais são as músicas que, por fazerem parte das lembranças, te fazem imediatamente se sentir bem?

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1 comment

  1. Clara

    Ari <3 tocou meu coração seu post! Queria ter você pertinho de mim todos os dias ainda, e quero tocar e ouvir você cantar de novo. Essa vida adulta é muito chata, né? Obrigada pela playlist linda <3 E não quero ficar só na promessa que a gente vai se ver, pq vamos marcar alguma coisa ainda essa semana e tenho dito! :*******

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